Irã descarta conversações com os EUA após acusações de Trump | Notícias internacionais e análises | DW | 17.09.2019
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Mundo

Irã descarta conversações com os EUA após acusações de Trump

Líder supremo diz que diálogo não ocorrerá em nenhum nível após Washington culpar Teerã por ataques na Arábia Saudita. "Política de pressão máxima dos EUA contra a nação iraniana é inútil", afirma aiatolá Khamenei.

Líder supremo do Irã, aiatolá Khamenei

"Autoridades iranianas de qualquer nível jamais conversarão com os americanos", disse o aiatolá Khamenei

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, descartou nesta terça-feira (17/09) a possibilidade de manter conversações com Washington, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuir a Teerã a culpa por ataques a instalações petrolíferas sauditas no último fim de semana.

Khamenei disse que não haverá conversas em nenhum nível e acusou os americanos de adotarem uma política de "pressão máxima" contra seu país. "Autoridades iranianas de qualquer nível jamais conversarão com os americanos. [...] Isso é parte da política deles de pressionar o Irã", afirmou o aiatolá, segundo uma emissora iraniana.

"A política de pressão máxima contra a nação iraniana é inútil, e todas as autoridades da República do Irã acreditam unanimemente que não haverá negociações com os EUA em nenhum nível", completou.

Khamenei reiterou que as conversas só poderão ocorrer se os Estados Unidos retornarem ao acordo nuclear de 2015, assinado por Teerã e Washington, além de Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha, que prometia o alívio das sanções internacionais em troca do controle sobre o programa nuclear iraniano. 

O acordo foi abandonado pelo governo Trump no ano passado, seguido da reimposição de pesadas sanções econômicas à República Islâmica, o que elevou as tensões entre os dois países a novos patamares.

O Irã reagiu com a redução dos compromissos que firmou junto ao tratado, inclusive reforçando seu programa de enriquecimento de urânio acima dos níveis permitidos pelo acordo nuclear.

No último fim de semana, autoridades americanas foram rápidas em acusar o Irã pelo ataque na Arábia Saudita, que teve como alvo instalações da gigante estatal saudita Aramco, entre elas a usina de processamento Abqaiq, crucial para a produção saudita. Teerã negou envolvimento no atentado.

O atentado com drones resultou na perda de 5% da produção mundial de petróleo e gerou um aumento acentuado dos preços do produto Estimativas apontam que deverá levar meses até que a petrolífera Aramco consiga retomar as operações no local.

Apesar da autoria do ataque ter sido reivindicada pelos rebeldes iemenitas houthis, Trump e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, sugeriram que o Irã estaria por trás do atentado. O presidente chegou a dizer que seu país estava "com as armas preparadas" para responder ao incidente

Nesta segunda-feira, porém, Trump mudou de tom e afirmou que "gostaria de evitar uma guerra" com os iranianos. Questionado se a inteligência americana acredita que houve participação iraniana no ataque, Trump evitou dar uma confirmação definitiva, afirmando: "Parece que sim, ainda vamos dizer". Ao contrário de Pompeo, que no domingo acusou diretamente Teerã.

"Não quero guerra com ninguém. [...] Certamente gostaríamos de evitá-la", disse Trump a jornalistas na Casa Branca. "Não quero entrar em nenhum conflito novo, mas às vezes é necessário."

"Aquele foi um ataque muito grande, e poderá ser seguido de outros muito, muito maiores", continuou o presidente. Ele afirmou, porém, que "não há pressa" para uma possível intervenção. "Temos muitas opções, mas não estou olhando essas opções no momento. Queremos descobrir definitivamente quem fez isso."

A Arábia Saudita, que apoia as sanções americanas ao Irã, afirmou que investigações iniciais sugerem que o ataque teria sido realizado com armas iranianas. Riad, contudo, evitou fazer acusações diretas ao país. Teerã apoia a insurgência dos houthis no Iêmen, que enfrentam uma coalizão internacional liderada pelos sauditas, com apoio dos EUA.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, disse que o atentado foi conduzido pelos iemenitas em retaliação aos ataques sauditas. Riad acusa Teerã de armar os rebeldes, que já teriam realizado ataques com drones a algumas cidades do país. Tanto os houthis quanto os iranianos negam essas acusações.

O Irã também nega envolvimento em ataques a navios petroleiros no Estreito de Ormuz e a outras instalações sauditas, enquanto Washington e Riad culpam os iranianos por esses incidentes.

Uma reportagem de segunda-feira do jornal americano The Wall Street Journal afirmou que agências de inteligência dos EUA e da Arábia Saudita compartilharam informações que indicariam que o ataque teria partido do território iraniano.

Segundo o jornal, os americanos avaliam que o Irã lançou "mais de 20 drones e ao menos uma dezena de mísseis", mas as autoridades sauditas não viram provas suficientes para culpar Teerã definitivamente.

RC/rtr/afp

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