Guerra também é assunto de criança | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 11.04.2003
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Alemanha

Guerra também é assunto de criança

O canal infantil da Alemanha tenta ajudar seu público a compreender o absurdo de uma guerra como a do Iraque. Mas nada supera a conversa direta com os pais e responsáveis.

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Saddam, a guerra e suas vítimas infantis ocupam os baixinhos da Alemanha

Embora 58% dos alemães não considerem exageradamente violentos os noticiários sobre a guerra no Iraque, apenas 40% permitem a seus filhos assistirem a eles: na opinião de 56%, tais programas não são coisa para criança. Esta enquete com mil entrevistados, realizada pelo instituto EMNID para a revista TV Movie, revela um sério impasse para pais e educadores: como proteger os jovens do horror bélico sem isolá-los inteiramente da realidade? Esforço este, aliás, inútil, num mundo onde a presença da mídia é massacrante.

O programa logo! encara o problema de frente, fornecendo aos pequenos telespectadores a "sua" versão dos fatos. Ele faz parte do KI.KA (Kinderkanal), o canal infantil das TVs oficiais alemãs ARD e ZDF. O diretor de programação, Frank Beckmann, acentua: "Não queremos apresentar uma visão de mundo idealizada, infantilizada". O canal impôs-se a tarefa de, com o apoio de especialistas, explicar as implicações políticas da guerra, de forma acessível. Este último ponto é importante: para um público entre 3 e 13 anos de idade, não adianta utilizar palavras como "regime político" sem saber explicar seu significado.

Como nos noticiários regulares, logo! apresenta os fatos mais recentes, incluindo transmissões diretamente de Bagdá. Contudo, ao contrário do jornal da noite, o foco aqui é a situação das crianças iraquianas, ao lado de iniciativas como a dos alunos de uma escola de 2º grau da Alemanha, que organizaram um concerto beneficente para as vítimas da guerra.

Mas a representação da realidade também tem limites no KI.KA: "Imagens em close do sofrimento humano são tabu para nós", declara Beckmann. Há outras formas de mostrar o horror da guerra. Por exemplo, nas revelações angustiadas de um pequeno refugiado, que não sabe onde estão seus pais, nem quem estará alimentando seus animais de estimação.

Que posição tomar

Como explicar aos baixinhos "o que acontece com os prisioneiros de guerra?", ou se "os Estados Unidos têm permissão de atacar o Iraque?", "como estão as pessoas no Iraque?", "de onde os jornalistas conseguem informações sobre a guerra?". O site da emissora coloca-se à disposição para responder estas e outras questões tão delicadas.

Kinder und Gewalt im Fernsehen

TV também educa politicamente

Um desafio considerável, sobretudo numa guerra tão ideologicamente polarizada como a do Iraque, em que o desequilíbrio de forças é gritante e cuja legitimidade continua controvertida, mesmo após os gritos de "Vitória!" da "coalizão dos dispostos". Neste caso, o KI.KA opta pelo meio termo, justapondo os diferentes pontos de vista, sem avalizar totalmente a versão oficial, nem sobrecarregar seus telespectadores mirins com a complexidade das controvérsias.

A pergunta central – "Por que os EUA lutam contra o Iraque?" –, por exemplo, é respondida da seguinte forma: três coisas são importantes nessa guerra, Saddam Hussein, as armas de destruição em massa e o petróleo. O líder iraquiano é apresentado como um chefe muito rigoroso, que decide tudo quase sozinho, deixando grande parte do povo de fora. Assim, o Iraque não é uma democracia, o que muitos políticos do mundo condenam, exigindo que Saddam desapareça. Se for preciso, através da guerra.

Em segundo lugar, os EUA e a Grã-Bretanha acreditam que ele esconde armas de destruição em massa e temem que as use para atacá-los ou a outros países. Para evitar isso e destruir os armamentos, também se dispõem a fazer guerra. Por último, o KI.KA explica a importância do petróleo para todo o mundo, acrescentando que o Iraque possui enormes reservas desse produto. Por isso tantas pessoas afirmam que os EUA e a Grã-Bretanha desejam é o controle sobre o petróleo iraquiano. E para tal não recuam diante da guerra.

O importante é poder compartilhar

Tanto logo! como a oferta online do KI.KA saciam apenas em parte a curiosidade de seu jovem público. O serviço aos leitores do site recebe por mês cerca de 50 mil e-mails, além de telefonemas, cartas e faxes. Ao lado de perguntas puramente técnicas como "qual a velocidade de um avião-caça", algumas crianças dão mostras de um sentimento de responsabilidade quase assustador, perguntando se têm o direito de ser alegres, diante do sofrimento generalizado. Outras querem somente dar sua opinião. Como Kathrin, que censura: "As pessoas deveriam ser mais sensatas"; ou Johanna: "Não acho certa a guerra contra o Iraque. Não daria para achar uma solução pacífica!?!"

Quando a guerra no Iraque começou, em 20 de março, o conselho dos psicólogos alemães aos pais foi que falassem abertamente sobre o assunto. Afinal, o dramático evento é um tema onipresente. Essa é precisamente a política do diretor de programação do canal infantil.

Mas Beckmann não se vê como substituto para progenitores perplexos, pois o melhor esclarecimento continua sendo a conversa com os responsáveis. Se estes não encontram resposta para certas questões, devem confessá-lo: importante é que os jovens tenham com quem expressar suas dúvidas e medos. Afinal, nem o KI.Ka tem a resposta para tudo.

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