″Frente democrática″ de Haddad sofre com falta de apoio | Eleições 2018 | DW | 21.10.2018
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Eleições 2018

"Frente democrática" de Haddad sofre com falta de apoio

Candidato do PT enfrenta isolamento na tentativa de formar alianças com outros partidos e conseguir o respaldo de personalidades do mundo político para se contrapor a Bolsonaro, que alcançou larga vantagem nas pesquisas.

Apesar do recente escândalo de compra de disparos de mensagens antipetistas no Whatsapp, supostamente envolvendo o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e investigado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pela Polícia Federal, as dificuldades enfrentadas pelo candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) para conseguir virar o jogo contra o ex-capitão não param de se avolumar a pouco mais de uma semana do segundo turno.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, Haddad está 18 pontos percentuais atrás de Bolsonaro (41% ante 59%, respectivamente). Sua rejeição também é maior do que a do ex-capitão: chega a 54%. E os planos de formar uma frente com forças de outros partidos até agora têm sido um fracasso. 

O isolamento de Haddad também tem sido explicitado em atos de campanha, que vêm contando com baixo número de militantes. Nesta semana, ele se reuniu em Brasília com a cúpula dos bispos católicos do Brasil. Foi acompanhado de apenas dois outros petistas, sem a participação de militantes. Ainda teve que aguentar ofensas que partiram de um apoiador de Bolsonaro quando deixava a reunião. Em outros tempos, militantes do PT teriam agido para conter esse tipo de atitude.

A campanha de Haddad na televisão tem se concentrado cada vez mais em atacar Bolsonaro, de maneira não muito diferente dos programas malsucedidos de Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno. Após a Folha de S. Paulo denunciar o escândalo de compra de mensagens em massa no Whatsapp, supostamente por empresários ligados a Bolsonaro, Haddad condenou as difamações feitas pelo adversário contra ele usando "dinheiro sujo", e acusou o ex-capitão de tentar fraudar a eleição.

A solidão da campanha petista, no entanto, fica evidente na falta de apoios de peso entre outros partidos. Ao final do primeiro turno, o círculo decisório do PT contava que outras siglas fossem se unir em torno da candidatura de Haddad e formar uma "frente democrática" para se contrapor ao candidato do PSL. Seria uma força suprapartidária contra um candidato que explicita ideias autoritárias, como ocorreu na França em 2002 e 2017, quando candidatos da direitista Frente Nacional chegaram ao segundo turno.

Até agora os apoios a Haddad têm sido extremamente frios e protocolares. Apenas cinco partidos anunciaram que abraçaram a iniciativa. Dois deles já faziam parte da coligação liderada pelo PT no primeiro turno. O restante é formado em sua maioria por siglas de esquerda com peso eleitoral limitado.

Tentativas de atrair o PSDB e a Rede, dos candidatos derrotados Geraldo Alckmin e Marina Silva, não renderam frutos. Os tucanos se declaram neutros e Marina afirmou que repudia Bolsonaro, mas não se posicionou a favor de Haddad.

Já o apoio do PDT de Ciro Gomes foi apenas protocolar. O próprio Ciro deixou claro que não pretende se engajar em atos da campanha petista. Entre os presidenciáveis derrotados no primeiro turno, Haddad só conseguiu o previsível apoio de Guilherme Boulos (PSOL), que conseguiu menos de 1% dos votos.

O PT também não tem conseguido obter simpatia de personalidades do mundo político. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a sinalizar uma aproximação ao afirmar que entre ele e Bolsonaro existia um "muro", e que em relação a Haddad existia uma "porta". Mas nesta quinta-feira, FHC afirmou que essa porta está "enferrujada" e que a fechadura "enguiçou".

Uma aproximação com o ex-ministro Joaquim Barbosa, que chegou a ensaiar uma candidatura presidenciável no começo do ano, também não rendeu qualquer gesto de apoio.

A agonia da "frente democrática" foi escancarada pelo irmão de Ciro, o ex-governador Cid Gomes, em um ato nesta semana no Ceará. Diante de uma plateia de petistas, Cid criticou o PT.

"Tem que fazer mea-culpa, tem que pedir desculpa, tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira", disse, em referência à corrupção envolvendo membros do PT e a derrocada econômica do governo Dilma. Ele ainda avisou: "vão perder feio". No dia seguinte, Cid ainda tentou remediar o episódio gravando um vídeo de apoio a Haddad. Mas o estrago já havia sido feito.

Relacionamentos tumultuados

A frieza encontrada pelo PT parece ser explicada pelo relacionamento tumultuado do partido com outros adversários. Marina Silva foi alvo de ataques e críticas pesadas que partiram dos petistas em sua campanha em 2014. Já os tucanos foram seguidamente taxados de "golpistas" pelo PT nos últimos anos.

O próprio Haddad reconheceu na quinta-feira em entrevista a uma rádio que a fala de Cid "pode ser ressentimento" depois que o PT atuou antes do primeiro turno para isolar a candidatura de Ciro. Na ocasião, o PT fez um acordo regional com o PSB em troca deste não apoiar Ciro. O PDT encarou a atitude como uma ação para sabotar as chances do seu candidato e manter a hegemonia dos petistas no campo da esquerda.

Haddad também admitiu a agonia da "frente democrática". "A frente está se dando muito mais pela sociedade civil do que pelos partidos. Gostaria que se desse também pelos partidos", disse.

Para ampliar seu apelo, o petista vem protagonizando algumas mudanças. A foto de Lula sumiu das imagens da campanha. Haddad também reconheceu em parte a corrupção que atingiu estatais nos governos Lula e Dilma. Ele chegou até mesmo a elogiar a atuação do juiz Sérgio Moro, da operação Lava Jato. Mas esses acenos têm mostrado pouco resultado, como mostram as pesquisas e o raquitismo do leque de alianças dos petistas.

Na última quinta-feira (18/10), um grupo de intelectuais brasileiros divulgou uma carta apelando mais uma vez para que os candidatos derrotados no primeiro turno abracem a candidatura de Haddad com o intuito de impedir uma vitória de Bolsonaro. Entre as personalidades que assinaram o documento estão ex-ministros, diplomatas, economistas, um historiador e juristas.

"Caso o chamado de unidade efetiva não seja feito, ou seja recusado, que cada um dos nominados carregue com a sua responsabilidade pública pela catástrofe que se anuncia", apontou o documento. "A história vai cobrar das lideranças políticas o que fizerem ou deixarem de fazer nestas horas decisivas."

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