Ferdinand Piëch, o homem que mudou a história da Volkswagen | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 27.08.2019
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Alemanha

Ferdinand Piëch, o homem que mudou a história da Volkswagen

Membro do clã que fundou a Porsche, empresário foi notório por transformar a Volks no que ela é hoje: uma montadora global de sucesso. Sua morte aos 82 anos encerra uma era da história econômica da Alemanha.

Ferdinand Piëch

Piëch comandou Volkswagen entre 1993 e 2002

Ferdinand Piëch transformou a Volkswagen no que ela é hoje: uma montadora global de grande sucesso. O empresário que entrou para a história da empresa morreu aos 82 anos no domingo "repentina e inesperadamente", anunciou sua esposa Ursula na segunda-feira (26/08). Segundo o jornal alemão Bild, ele morreu numa clínica em Rosenheim, na Baviera, após passar mal num restaurante.

Piëch assumiu o comando da Volkswagen em 1993, num momento em que a empresa enfrentava grandes dificuldades. Na época, ele não tinha nem certeza se os salários dos funcionários poderiam ser pagos em dois meses.

O empresário virou a VW de pernas para o ar. Demitiu gerentes do alto escalão. Introduziu a chamada estratégia de plataforma, na qual diferentes modelos dividiam uma base técnica. A semana de quatro dias sem compensação salarial, mas com horários de trabalho flexíveis, salvou milhares de emprego. O resultado foi uma montadora que oferece tudo – de motocicletas a caminhões pesados, de carros econômicos a motores potentes – e que possuiu doze diferentes marcas.

Em 2002, quando passou para a presidência do Conselho Administrativo da Volks, ele havia dobrado o capital de giro da empresa e alcançado lucros recordes.

Membro do clã Porsche, Piëch nasceu em Viena em 1937. Considerado sem talento e com notas ruins na escola, foi mandado para um internato por sua mãe. Em sua biografia, Piëch descreve o tempo que passou no internato como um "período negro da educação", quando aprendeu que muitas coisas só eram possíveis se houvesse iniciativa própria. Esse aprendizado foi o fio condutor de sua vida.

Posteriormente, Piëch estudou engenharia mecânica. Em 1963, iniciou sua carreira na indústria automobilística na Porsche, em Stuttgart, onde desenvolveu o legendário Porsche 917. Seu sonho de se tornar chefe da montadora, porém, foi negado por sua família. O então titular do cargo, Ferry Porsche, decretou que não queria ver na liderança da empresa alguém que não levasse o nome do clã, como Piëch.

Conformado, Piëch deixou a Porsche em 1972 para trabalhar na Audi, em Ingolstadt, no setor de desenvolvimento técnico. Ao longo da carreira na Audi, chegou ao cargo mais alto e transformou a montadora, antes conhecida como uma marca de aposentados, numa fabricante de alto padrão.

Piëch (dir.), em 1949, com Ferdinand Alexander Porsche e seu avô Ferdinand Porsche, fundador da Porsche

Interesse por carros era de família: Piëch (dir.), em 1949, com Ferdinand Alexander Porsche e seu avô Ferdinand Porsche, fundador da Porsche

Depois de 20 anos, Piëch deixou Ingolstadt em direção a Wolfsburg. Nada podia detê-lo, nem mesmo um escândalo de espionagem, no qual foi acusado de recrutar um funcionário da General Motors que tinha acesso a muito documentos confidenciais, ou um escândalo de corrupção envolvendo festas com prostitutas e viagens de luxo para integrantes do conselho de funcionários. Piëch comandou a Volkswagen até 2002, quando passou para a presidência do Conselho Administrativo da montadora.

"Quem não percebe ou incomoda meus círculos perdeu no jogo", escreveu o engenheiro em sua autobiografia. Muitos sentiram isso dolorosamente, como Bernd Pischetsrieder, sucessor de Piëch no comando da Volkswagen. Depois de quatro anos, ele foi mandado embora. "Percebi tarde demais que escolhi a pessoa errada", disse Piëch.

Em relação à Porsche, que o havia rejeitado como chefe, Piëch deu seu golpe de mestre. Em 2008, a montadora de Stuttgart tentou comprar a Volkswagen, mas acabou sendo engolida pela empresa de Wolfsburg e passou a ser uma mera marca do grupo Volks.

Em 2015, no auge de seu poder, Piëch dá início a uma queda de braço com o então presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, quem considerava extravagante demais. No ano anterior a montadora havia alcançado pela primeira vez o patamar de vendas de 10 milhões de carros e um faturamento de 12 bilhões de euros. Dessa vez, porém, o engenheiro apostou errado.

Na luta pelo controle da Volkswagen, Winterkorn se saiu melhor, pois tinha muito mais apoio entre os membros do Conselho Administrativo da montadora do que Piëch. Derrotado, em 25 de abril de 2015 ele renunciou ao seu cargo no conselho. Um mês depois, o escândalo de emissões envolvendo manipulações ilegais em carros a diesel atingiu em cheio a Volks.

De acordo com as atas do depoimento de Piëch à promotoria de Braunschweig, no final de 2016 ele teria afirmado ter tido conhecimento das manipulações em fevereiro de 2015. Ao pedir explicações a Winterkorn, esse teria minimizado a situação. Talvez isso tenha causado o rompimento dos dois. Essa será uma pergunta difícil de ser respondida agora.

Na vida de Piëch, três coisas contavam: Volkswagen, família e dinheiro, como escreveu o jornal alemão Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung em 2015. Exatamente nessa ordem, ressaltou ele próprio. Talvez o pai de 13 filhos seja mais do que um patriarca inescrupuloso. No convite de seu aniversário de 75 anos, escreveu: "Na verdade, sou completamente diferente, mas raramente o faço."

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