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EconomiaGlobal

Facebook é realmente seguro? Ex-funcionária diz que não

6 de outubro de 2021

[Vídeo] Em depoimento ao Senado dos EUA, ex-diretora do Facebook afirma que empresa alimenta divisões e prejudica a democracia. "A liderança da companhia sabe como fazer o Facebook e o Instagram mais seguros, mas não fazem as mudanças porque coloca seus lucros astronômicos à frentre das pessoas", diz Frances Haugen.

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Em depoimento ao Senado dos EUA nesta terça-feira (05/10), Frances Haugen acusou o Facebook de estar ciente dos potenciais danos a adolescentes que usam sua plataforma Instagram. Ela afirmou que a empresa é desonesta quanto a seu suposto combate ao discurso de ódio e à desinformação. O depoimento ocorreu no dia seguinte ao apagão de várias horas do Facebook, que atingiu também o Instagram e o WhatsApp, gerando prejuízos bilionários para a empresa.

"Ontem [segunda-feira] nós vimos o Facebook ser retirado da internet. Não sei por que caiu, mas sei que por mais de cinco horas o Facebook não foi usado para aprofundar divisões, desestabilizar democracias e fazer com que meninas e mulheres se sintam mal sobre seus corpos", frisou Haugen.

Haugen vazou material de pesquisas internas sobre o Facebook para autoridades americanas e para o Wall Street Journal, o que gerou uma das crises mais graves já enfrentadas pela rede social. "A própria pesquisa do Facebook diz que eles não podem identificar adequadamente o conteúdo perigoso", contou. "E, como resultado, esses algoritmos perigosos que eles permitem estão captando os sentimentos extremos, a divisão. Eles não podem nos proteger dos danos que sabem que existem em seu próprio sistema."

O Wall Street Journal relatou que o Facebook, por meio de suas próprias investigações, chegou à conclusão de que especialmente o Instagram pode ser prejudicial à saúde mental de adolescentes. O periódico citou uma frase em que a companhia reconhece que o serviço contribui para piorar a percepção do próprio corpo de "um em cada três adolescentes".

No Senado americano, Haugen afirmou ainda que a empresa prioriza os lucros. "A liderança da empresa sabe como fazer o Facebook e o Instagram mais seguros, mas não fará as mudanças necessárias porque coloca seus lucros astronômicos à frente das pessoas", argumentou, acrescentando que "enquanto o Facebook continuar a operar nas sombras, ele não será responsabilizado".