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EsporteAlemanha

DFB Pokal – uma Copa que tem suas leis próprias

Gerd Wenzel
Gerd Wenzel
2 de agosto de 2022

Sucesso da Copa da Alemanha está justamente no modo de disputa: sem rodadas intermináveis, cada partida é uma final. Muitas vezes os pequenos não apenas vencem, mas impedem clubes consagrados de chegar ao topo do pódio.

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Partida entre Eintracht Braunschweig e Hertha Berlin no DFB Pokal
Já na primeira rodada, três clubes da Bundesliga deram adeus às suas pretensões na Copa: o Hertha Berlin se curvou ao Eintracht Braunschweig na decisão por pênaltis (5x6)Foto: Matthias Koch/IMAGO

Um dos jargões mais utilizados no mundo futebolístico alemão é justamente o título desta coluna. Todo e qualquer torcedor de todo e qualquer clube conhece esse jargão. O DFB Pokal (a Copa da Federação Alemã de Futebol) tem suas leis próprias que se baseiam no próprio regulamento do torneio.

Participam do Pokal 64 clubes distribuídos em dois potes para determinar por sorteio os adversários da primeira rodada. No pote 1 estão os 18 clubes da Bundesliga e os 14 mais bem colocados na última tabela da Bundesliga 2. No pote 2 se encontram 24 clubes representantes de ligas regionais, os quatro piores colocados da Bundesliga 2 e os primeiros quatro posicionados da Liga 3. As equipes do pote 2 sempre têm mando de casa.

Para o sorteio da segunda rodada prevalece o mesmo critério. No pote 1 estão os clubes profissionais da Bundesliga 1 e 2. No segundo pote estão os outros 16 restantes que têm novamente o mando de casa.

A partir do sorteio para as oitavas de final, todos os times ficarão num só pote. Também nesse caso, havendo um confronto de times da Bundesliga 1 e 2 com times de divisões inferiores, o mando de casa será sempre do clube da divisão inferior.

O regulamento determina ainda que a classificação para a fase seguinte do Pokal se dará em jogo único, ou seja, não há jogo de volta. Cada partida é uma final! Havendo empate no tempo regulamentar, acontece a prorrogação de 30 minutos; e permanecendo o empate, a decisão será pela cobrança de penalidades máximas.  

O sucesso do DFB Pokal, que por sinal comemora neste ano sua 80ª edição, está justamente no seu modo de disputa. Não há intermináveis rodadas para um clube se sagrar campeão. O perdedor de um jogo está eliminado da competição, e o vencedor pode continuar sonhando alto. Cada jogo é uma final, o que torna as partidas mais dinâmicas e dramáticas, além de que a má forma momentânea de um time "grande" considerado favorito pode determinar sua eliminação por um time "pequeno".

A graça nessa Copa da Alemanha está em que a qualquer momento pode se repetir a história de Davi vencer Golias. Quem não se alegra com uma vitória de um pequeno e modesto clube de elenco praticamente amador sobre um poderoso clube-empresa como, por exemplo, Bayer Leverkusen ou Borussia Dortmund?

Não há praticamente uma única temporada na história dessa Copa na qual poderosos clubes de alto nível nacional e internacional não tenham sido eliminados já nas primeiras rodadas do torneio por times irrelevantes no cenário da elite do futebol.       

Nem é preciso procurar muito nos arquivos para comprovar a tese acima. Quem não se lembra do pequeno e aguerrido Holstein Kiel que recebeu a visita do estrelado Bayern de Munique na segunda rodada da temporada 2020/2021? O Kiel segurou as pontas, arrancou um empate dos bávaros no tempo normal e o jogo foi para prorrogação. Continuou 2x2. Na decisão por cobrança de pênaltis, o Bayern levou a pior. Amargou uma derrota por 3x4, enquanto os jogadores do Holstein Kiel foram para o abraço com sua torcida.

No ano seguinte, em 2022, novamente a segunda rodada da Copa teimou em aprontar para cima do Bayern, que entrou em campo de salto alto como franco favorito diante do Borussia M'Gladbach. Ledo engano. Os potros aplicaram uma goleada inapelável por 5x0 sobre os bávaros, eliminados vexatoriamente pela segunda vez consecutiva na segunda rodada da competição.

Naquele ano, o Borussia Dortmund também não teve melhor sorte. Nas oitavas de final foi fazer uma visita ao carismático St. Pauli, que empurrado por sua vibrante massa torcedora impôs uma derrota por 2x1 aos auri-negros de Haaland e cia.

Os dois assim considerados maiores clubes alemães já estavam eliminados precocemente do mais tradicional torneio de futebol da Alemanha, abrindo caminho para Leipzig e Freiburg disputarem o título.                  

E só para confirmar que de vez em quando os pequenos derrubam os grandes, não foi diferente neste fim de semana quando se deu a abertura da temporada 2022/2023. Já na primeira rodada, três clubes da Bundesliga deram adeus às suas pretensões na Copa.

O Hertha Berlin, na semana do seu jubileu de 130 anos de história (!), se curvou ao Eintracht Braunschweig na decisão por pênaltis (5x6). O Colônia, que disputará a Conference League, foi derrotado pelo Jahn Regensburg também na cobrança de penais (3x4). Pior papel mesmo fez o Bayer Leverkusen com participação confirmada na Champions League. Foi incapaz de ganhar do Elversberg da 3ª divisão, perdeu por 3x4 e está lambendo as feridas dessa derrota até agora.     

Parece mesmo que o Pokal tem suas leis próprias. Uma delas é que de vez em quando os pequenos não apenas vencem, mas também impedem os grandes de chegar ao lugar mais alto do pódio.

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Atuou nos canais ESPN como especialista em futebol alemão de 2002 a 2020, quando passou a comentar os jogos da Bundesliga para a OneFootball de Berlim. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit é publicada às terças-feiras. 

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.