China libera envio de insumos da Coronavac para o Brasil | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 26.01.2021

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Coronavírus

China libera envio de insumos da Coronavac para o Brasil

Governo paulista afirma que lote com 5.400 litros, necessários para produzir 8,6 milhões de doses da vacina contra a covid-19, chegará ao Brasil a partir de 3 de fevereiro. Bolsonaro agradece ao governo chinês.

Vacinação com Coronavac no Hospital das Clínicas, em São Paulo

Vacinação com Coronavac no Hospital das Clínicas, em São Paulo

A China autorizou a exportação de 5.400 litros de ingredientes necessários para a produção da Coronavac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. O governo de São Paulo anunciou nesta terça-feira (26/01) que os insumos chegam a partir de 3 de fevereiro.

Em coletiva de imprensa que contou com a presença do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, o diretor do Butantan, Dimas Covas, informou que, além dos 5.400 litros de insumos já liberados, há outros 5.600 litros em vias de liberação.

Segundo os cálculos do instituto ligado ao governo paulista, 5.400 litros do chamado Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) são suficientes para produzir cerca de 8,6 milhões de doses da vacina

Para dar continuidade à produção de mais 27 milhões de doses da Coronavac, esperadas para esta primeira etapa da vacinação, o Butantan ainda depende de novos carregamentos de IFA.

A liberação dos insumos pela China havia sido anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira, dizendo ainda que "também os insumos da vacina da AstraZeneca estão com liberação sendo acelerada".

O presidente agradeceu ao país asiático pelo envio dos ingredientes. "Agradeço a sensibilidade do governo chinês, bem como o empenho dos ministros das Relações Exteriores, da Saúde e da Agricultura", afirmou.

A liberação dos insumos para a Coronavac foi informada em carta enviada pelo embaixador Yang Wanming ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Na coletiva de imprensa nesta terça-feira, Yang negou que a liberação dos ingredientes tenha demorado por questões políticas.

"Em relação a autorização para exportação de insumos da vacina, acredito que todos sabemos muito bem que se trata de uma questão técnica, e não política. As vacinas são uma arma para conter a pandemia e garantir a saúde do povo. E não um instrumento político", afirmou.

Antes disse, no Twitter, Yang já havia respondido à postagem em que Bolsonaro anunciou o envio dos ingredientes afirmando que a "China está junto com o Brasil na luta contra a pandemia e continuará a ajudar o Brasil neste combate dentro do seu alcance". 

"A união e a solidariedade são os caminhos corretos para vencer a pandemia", acrescentou o diplomata chinês.

Frequentes críticas à China

Bolsonaro é um dos líderes mundiais mais céticos em relação à pandemia, tendo minimizado a covid-19 em diversas oportunidades, e também criticado várias vezes a "vacina chinesa", como se refere à Coronavac, chegando mesmo a afirmar que o governo federal não a compraria.

Na semana passada, autoridades de saúde do Brasil alertaram que a vacinação contra a covid-19 corria o risco de ser paralisada devido à falta de matéria-prima para a produção de mais doses da Coronavac, assim como pelo atraso na entrega de ingredientes vindos da China para a vacina de Oxford, produzida localmente pela Fiocruz.

As frequentes críticas de Bolsonaro, seu filho Eduardo e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, à China foram apontadas como motivo para o atraso, mas não está claro se de fato havia essa motivação.

Em entrevista à DW Brasil, o especialista em relações sino-brasileiras Fausto Godoy avaliou que a China tem outras prioridades antes de atender o Brasil.

Entre elas estão vacinar uma população de mais de 1 bilhão de pessoas e priorizar países vizinhos. Mas ele fez uma ressalva. "Evidentemente, se a gente tivesse um relacionamento mais simpático, mais fluido, certamente a posição da China seria mais proativa. Tem uma série de fatores que criam essa situação, a começar por esses ataquezinhos [à China de autoridades brasileiras], o que é absolutamente infantil", comentou.

O Brasil aprovou o uso de emergência da Coronavac e do imunizante desenvolvido pelo laboratório anglo-sueco AstraZeneca e pela Universidade de Oxford em 17 de janeiro, iniciando logo em seguida seu plano nacional de imunização com 6 milhões de doses da fórmula chinesa.

as/lf (Lusa, Agência Brasil, ots)

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