Cúpula militar dos EUA temia que Trump desse um golpe | Notícias internacionais e análises | DW | 16.07.2021

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Mundo

Cúpula militar dos EUA temia que Trump desse um golpe

Chefe do Estado-Maior relata que militares do alto escalão planejavam renúncia caso Trump tentasse impedir posse de Biden. General chegou a comparar Trump com Hitler e disse que temia um novo "incêndio do Reichstag".

A principal autoridade militar americana, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Mark Milley, aperta a mão do então presidente americano Donald Trump

A principal autoridade militar dos EUA, o general Mark Milley (esq.), cumprimenta o então presidente americano em 2018

A principal autoridade militar americana, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Mark Milley, temia que o então presidente do país Donald Trump realizasse um golpe após ter perdido as eleições presidenciais de novembro de 2020, revela um livro de jornalistas do Washington Post

Escrito pelos repórteres Carol Leonnig e Philip Rucker, ambos ganhadores do Prêmio Pulitzer, o livro descreve como Milley e outros membros do Estado-Maior debateram um plano de renúncia coletiva para não terem que cumprir ordens de Trump que consideravam ilegais, perigosas ou imprudentes. Trechos da obra foram divulgados na quinta-feira (15/07).

A retórica pré-eleitoral de Trump alarmou Milley e outros generais, que então se decidiram preparar para o "inimaginável", segundo o livro "I Alone Can Fix It: Donald J. Trump's Catastrophic Final Year" ("Eu Sozinho Resolvo: O Último Ano Catastrófico de Donald J. Trump", em tradução livre), que será publicado na próxima semana nos EUA, mas ainda não tem edição programada para o Brasil. 

O livro traz os bastidores de como autoridades do alto escalão do governo e o círculo interno de Trump lidaram com o comportamento do presidente após a derrota na eleição de 2020. Os autores entrevistaram Trump e mais de 140 outras fontes para o livro – a maioria sob anonimato.

"Eles podem tentar, mas não vão ter sucesso"

"Eles podem tentar, mas não vão ter sucesso", disse o general aos seus miltares, de acordo com o livro. "Você [Donald Trump] não pode fazer isso sem os militares, não pode fazer isso sem a CIA e o FBI. Nós somos os homens com as armas", acrescentou.

Depois das eleições de novembro do ano passado, Trump se recusou a aceitar a vitória do atual presidente dos EUA, Joe Biden. As constantes acusações infundadas de Trump de que teria havido fraude eleitoral e as trocas de pessoal que colocaram aliados de Trump em posições de poder no Pentágono após a eleição aumentaram a preocupação de Milley e de outros militares.

O general comparou a retórica de Trump com a de Adolf Hitler ao afirmar que o então presidente dos EUA estava espalhando o "evangelho do Führer".

Nos dias que antecederam a invasão do Capitólio, ocorrida em 6 de janeiro, Milley estava preocupado com a convocação de Trump para a ação e traçou paralelos com o incêndio criminoso do Reichstag em 1933, logo após a eleição de Hitler, episódio que marcou a consolidação da ditadura nazista. "Milley disse a sua equipe que acreditava que Trump estava fomentando uma agitação, possivelmente na esperança de uma justificativa para invocar a Lei de Insurreição e convocar os militares", diz trecho do livro. "Este é um momento Reichstag", disse o general.

E antes de uma marcha pró-Trump em novembro de 2020, realizada para protestar contra os resultados das eleições, o general disse a assessores que temia que o momento poderia se transformar no "equivalente americano moderno dos camisas-pardas", uma referência à milícia nazista que agredia e assassinava adversários de Hitler nos anos que precederam o Terceiro Reich.

Depois do incidente no Capitólio, Milley participou de um exercício com líderes militares e policiais para se preparar para a posse de Biden. A capital Washington foi completamente isolada. "O negócio é o seguinte, pessoal: esses caras são nazistas, eles são [do movimento] Boogaloo, são os Proud Boys. São as mesmas pessoas que combatemos na Segunda Guerra. Vamos colocar um anel de aço em torno desta cidade e os nazistas não vão entrar", disse.

"Aquela vaca da Merkel!"

O livro também menciona um relacionamento tenso de Trump com a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel. "Aquela vaca da Merkel!", teria dito Trump a seus assessores durante uma reunião sobre a Otan e a relação dos EUA com a Alemanha. "Eu conheço os malditos chucrutes", acrescentou, enquanto apontava para uma fotografia emoldurada de seu pai. "Fui criado pelo maior chucrute de todos." 

Em resposta aos conteúdos expostos no livro, o ex-presidente americano divulgou um longo comunicado, no qual afirmou nunca ter ameaçado ou falado com ninguém sobre um golpe no governo. Trump explicou que "não gosta de golpes" e repetiu suas afirmações infundadas sobre fraude eleitoral. "Se eu desse um golpe, uma das últimas pessoas com quem gostaria de fazê-lo seria com o general Mark Milley", disse Trump e acrescentou que as alegações do general são "ridículas".

pv (rtr, afp, ap, lusa, efe)

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