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Boris Johnson
Boris Johnson foi um dos líderes da campanha pela saída do Reino Unido da União EuropeiaFoto: Reuters/H. McKay

Boris Johnson deixa o governo britânico

9 de julho de 2018

Ministro do Exterior anuncia decisão horas depois de negociador-chefe do Brexit também renunciar. Baixas evidenciam falta de consenso no governo de May quanto à futura relação com a UE. Jeremy Hunt é o novo chanceler.

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Um dia após o negociador-chefe britânico do Brexit, David Davis, ter apresentado sua renúncia, o governo da primeira-ministra Theresa May informou nesta segunda-feira (09/07) que o ministro do Exterior, Boris Johnson, deixou o cargo em meio a fortes divisões no governo sobre o Brexit.

O cargo de Johnson, anunciou Londres, será ocupado por Jeremy Hunt, que vinha atuando como ministro da Saúde e é considerado um dos mais leais membros do gabinete de May.

Um dos líderes da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Johnson estava sob pressão após a renúncia de Davis. A primeira-ministra defende uma saída suave da UE, enquanto Johnson, Davis e outros membros do governo são a favor um rompimento forte com o bloco.

Na última sexta-feira, May anunciou que o governo entrou em acordo sobre um plano para um Brexit mais suave, esperando um pacto com a UE até outubro deste ano. Mas o acordo, que May esperava que desbloqueasse as negociações com Bruxelas, só surgiu após forte pressão.

Em sua carta de renúncia, Johnson afirmou que o Reino Unido ganhará o "status de uma colônia" se os planos de May para um Brexit suave forem adotados. "Como não posso, em plena consciência, apoiar essas propostas, infelizmente concluí que devo me retirar", afirmou. 

Davis, por sua vez, justificou sua decisão de deixar o governo dizendo que não poderia apoiar os planos da premiê de manter relações comerciais e legais estreitas com o bloco após o Brexit, que deverá se concretizar em 29 de março de 2019. Davis foi substituído pelo ministro da Habitação, Dominic Raab, que defende o Brexit com veemência.

O agora ex-negociador-chefe disse temer que os novos planos atem demais o Reino Unido à UE, enfraquecendo a posição do país em relação ao bloco. Além disso, segundo ele, um Brexit suave traz o risco de novas concessões à UE durante as negociações.

Futuro de May em jogo

As baixas no governo colocam o futuro político de May em questão, e especula-se agora se o próprio Johnson quer se tornar chefe de governo. Após as renúncias, o porta-voz oficial de May, James Slack, afirmou simplesmente: "precisamos ir em frente nas negociações, mantendo o ritmo, e é isso que vamos fazer".

"O que importa para nós é o quadro de negociações estabelecido pelos nossos 27 países-membros", disse Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia, após a renúncia de Davis.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, voltou a reiterar sua postura anti-Brexit num tuíte após a renúncia de Johnson. Ecoando um comentário feito a repórteres após a saída de Davis, Tusk escreveu na plataforma online: "Políticos vão e vêm, mas os problemas que criaram para o povo continuam. Só posso lamentar que a ideia do Brexit não foi embora com Davis e Johnson. Mas... quem sabe?"

Além de Tusk, May conversou neste fim de semana com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, presidente do Conselho Europeu, e com os líderes políticos da Irlanda, da Suécia e de Malta. Ela deve encontrar o chanceler federal austríaco, Sebastian Kurz, nesta segunda-feira.

RK/ap/dpa/afp/rtr

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