Bolsonaro, fique em casa! | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 07.07.2020
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Coluna Caros Brasileiros

Bolsonaro, fique em casa!

Com ou sem coronavírus, o presidente permanece o mesmo. Não se pode acusá-lo de falta de coerência. Bolsonaro continua minimizando a pandemia e caminhando rumo ao abismo.

Caros brasileiros,

Bolsonaro esta com covid-19. E daí? Quando o presidente anunciou a infecção pelo vírus, tentou tranquilizar todo mundo: "Estou perfeitamente bem."

Se existe uma coisa da qual não se pode acusar o presidente é de falta de coerência. Com ou sem coronavírus, ele permanece o mesmo. Continua minimizando os efeitos da pandemia, mesmo depois de ser infectado.

É uma coerência impressionante, porém puramente negativa. É baseada na falta de tudo o que é importante para um bom governo: falta de responsabilidade, falta de empatia, falta de conhecimento, falta de sinceridade, falta de racionalidade, falta de educação, falta de tato, falta de atitude de estadista.

Essa coerência negativa é a marca registrada do governo Bolsonaro. E ela contribuiu definitivamente para a propagação da epidemia no Brasil. Mesmo com mais de 65 mil mortos pela covid-19, aposto aqui que Bolsonaro não vai mudar sua atitude.

Pelo contrário: ele vai continuar insistindo em uma narrativa de que está enfrentando o mal e a "histeria" em torno do combate à "gripezinha" – como ele se referiu à doença numa entrevista à Radio Bandeirantes em 16 de março deste ano.

"Se a economia afundar, afunda o Brasil. E qual o interesse dessas lideranças políticas? Se acabar a economia, acaba qualquer governo. Acaba o meu governo. É uma luta de poder."

Essa "luta de poder" causou uma tragédia política e econômica no Brasil. Mas Bolsonaro deve ir até o fim. E seus apoiadores vão segui-lo. Pois a cegueira ideológica não permite outra saída.

Só um pequeno detalhe: Bolsonaro pode se dar o luxo de manter uma postura tão radical. Afinal, ele terá o melhor tratamento médico possível. Para ele, com certeza não vai faltar leito na UTI, nem médicos e enfermeiros.

Mas para milhões de brasileiros, inclusive muitos dos seguidores do presidente, a situação é bem diferente. O vírus continua matando numa velocidade assustadora. E ele ataca especialmente pessoas vulneráveis, sem plano de saúde, que correm um risco ainda maior de contaminação, pois não podem trabalhar em casa.

"E daí!?" Os familiares dos mais de 65 mil mortos por covid-19 com certeza não falariam uma frase dessas no enterro dos seus entes queridos. "A vida continua" para eles de um modo bem diferente daquele que Bolsonaro sugere.

Para Bolsonaro, "a vida continua" na coerência negativa. Com ou sem coronavírus, ele não tem mais como fugir do caminho rumo ao abismo. Pois até o final do mandato não terá tempo suficiente para corrigir suas inúmeras decisões erradas e pedir perdão pelos inúmeros insultos e ofensas proferidos.

Para o Brasil, chegou a hora de decidir se o país vai continuar caminhando rumo ao abismo ao lado de seu presidente doente. Eu ficaria feliz se o presidente seguisse os conselhos dos seus médicos e ficasse em casa. Melhoras!

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Astrid Prange de Oliveira foi para o Rio de Janeiro solteira. De lá, escreveu por oito anos para o diário taz de Berlim e outros jornais e rádios. Voltou à Alemanha com uma família carioca e, por isso, considera o Rio sua segunda casa. Hoje ela escreve sobre o Brasil e a América Latina para a Deutsche Welle. Siga a jornalista no Twitter @aposylt e no astridprange.de.

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