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Foto mostra pessoas deitadas sobre os cartazes e segurando cruzes de madeira. Ao fundo uma pessoa segura um cartaz com o dizer: "Fora Bolsonaro".
Grupo se deitou sobre cartazes segurando cruzes, alusivas aos mortos pela pandemia no BrasilFoto: Cristiane Ramalho/DW

Berlim é palco de novo protesto contra Bolsonaro

Cristiane Ramalho
24 de julho de 2021

Dezenas de manifestantes, incluindo alemães, se reuniram no Portão de Brandemburgo para pedir o impeachment do presidente e condenar a gestão da pandemia. Violência contra indígenas, negros e LGBTQs também é pauta.

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Dezenas de manifestantes se reuniram neste sábado (24/07) em frente ao Portão de Brandemburgo, no centro de Berlim, para protestar contra o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Com faixas e cartazes em português, inglês e alemão, os manifestantes pediram o impeachment de Bolsonaro, chamando-o de "genocida" e "fascista", e o fim da violência contra os povos indígenas.

Houve críticas também ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, acusado pelos manifestantes de fazer um "trabalho sujo" como parte da "tropa de choque" do presidente, enquanto ignora os mais de 100 pedidos de impeachment entregues à Casa. A corrupção também foi mencionada, assim como o "nepotismo dos militares".

"Estamos aqui em solidariedade aos protestos de hoje [sábado] no Brasil. É inaceitável o que está acontecendo. Talvez em três meses vá entrar uma ditadura no país", disse à DW a pernambucana Edleuza Peixoto, que organizou o ato juntamente com o Coletivo Luta contra o Fascismo no Brasil.

Berlim tem novo protesto contra Bolsonaro

Peixoto também pediu o fim da violência contra os negros e pessoas LGBTQ, lembrando que neste sábado também se celebra em Berlim o Christopher Street Day (CSD), a parada LGBTQ.

De máscaras e sob um sol de 28 graus, os manifestantes atraíram a atenção dos que passavam pelo Portão de Brandemburgo, um dos pontos mais visitados de Berlim, que voltou a receber turistas com a flexibilização das restrições contra a covid-19.

Protesto contra Bolsonaro em Berlin
Gestão da pandemia pelo governo federal foi um dos principais alvos de críticasFoto: Cristiane Ramalho/DW

A gestora cultural Suely Torres disse estar presente por considerar muito importante que os brasileiros que estão fora do país possam representar o Brasil onde estiverem. "Não podemos, porque saímos de lá, esquecer que fazemos parte dessa sociedade", destacou.

Uma artista plástica brasileira, que está em Berlim de passagem, contou à DW que até agora não teve coragem de ir aos protestos no Brasil por medo da covid-19. Mas que se sentiu segura na Alemanha por causa do uso obrigatório de máscaras.

Filha de uma polonesa que sobreviveu ao campo de extermínio de Auschwitz, ela contou que sempre pensou na Alemanha com temor. "Hoje vivemos uma situação oposta. Sinto medo do que acontece no Brasil", disse a artista plástica, que preferiu não se identificar por temer represálias. "Vi que a história muda."

Participação de alemães

O protesto também contou com a presença de alemães, como o geógrafo Bernd Schultze. "A Alemanha tem um relacionamento muito forte com o Brasil em termos de economia e política, por isso não se pode tolerar que um presidente antidemocrata aja contra o seu povo", justificou.

Já o estudante berlinense Orlando Scharf disse que foi protestar "contra o genocídio que Bolsonaro está cometendo no Brasil", e expressou admiração pelos brasileiros que "estão se expondo nessa situação de risco com esse fascismo perseguindo todo mundo".

Mulher de roupa vermelha e máscara segura uma faixa onde se lê:
A pernambucada Edleuza Peixoto foi uma das organizadoras do atoFoto: Cristiane Ramalho/DW

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mencionado em uma das faixas. Também havia uma bandeira do movimento alemão antifascista Antifa.

Ao fim do protesto, um grupo de manifestantes se deitou sobre os cartazes, segurando cruzes alusivas aos mortos pela pandemia no Brasil.

Em paralelo ao protesto contra Jair Bolsonaro, houve também um ato do partido alemão A Esquerda no mesmo local, em meio à campanha eleitoral no país, que terá eleições gerais em dois meses.

Protestos em outras cidades alemãs

Atos pedindo o impeachment do presidente, vacinas para todos e o fim da corrupção foram convocados para este sábado em quase 500 cidades, incluindo 17 países além do Brasil, segundo os organizadores. O Coletivo Brasil-Alemanha pela Democracia contabilizou protestos em 39 cidades do exterior.

Protesto contra Jair Bolsonaro em Freiburg
Entre outras cidades alemãs, brasileiros se reuniram também em Freiburg, no sudoeste do paísFoto: Coletivo Brasil-Alemanha pela Democracia - Núcleo Freiburg

Na Alemanha, além da capital do país, manifestantes também foram às ruas em cidades como Colônia, Frankfurt, Munique e Freiburg.

"Lutamos pelo impeachment do governo Bolsonaro/Mourão, pela cassação do mandato do deputado federal Arthur Lira, contra a política de morte e pela preservação das políticas sociais e dos recursos naturais", declarou o núcleo de Freiburg do Coletivo Brasil-Alemanha pela Democracia, que organizou o ato na cidade.

Em 19 de junho e em 3 de julho, na esteira de manifestações contra Bolsonaro no Brasil, protestos já haviam sido realizados em Berlim e em outras cidades da Europa.