As várias guerras na Síria | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 15.02.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Coluna Zeitgeist

As várias guerras na Síria

Guerra civil dá cada vez mais lugar a um conflito internacional, no qual potências rivais têm interesses opostos que dificultam a paz e acirram ainda mais os confrontos.

default

Soldados turcos pouco antes de entrar em território sírio, em operação contra os curdos

De uma guerra civil que opunha rebeldes e jihadistas ao regime do presidente Bashar al-Assad, o já longo conflito na Síria evoluiu para um enfrentamento internacional no qual potências como Estados Unidos, Rússia, Turquia, Irã e também Israel estão cada vez mais envolvidos.

Leia mais: O dilema dos EUA na Síria

A derrota quase total de um dos principais atores do conflito (o grupo jihadista "Estado Islâmico"), o avanço das tropas de Assad, as perdas territoriais do rebeldes e a consolidação do domínio dos curdos no norte levam à constatação de que os destinos dos atores locais envolvidos estão mais ou menos selados.

Assim, o que interessa agora, para as potências internacionais, é fortalecer posições para o que seria uma difícil fase de negociações pós-guerra civil. Só que justamente isso faz com que o conflito se acirre e ganhe uma nova dimensão, levando a guerra civil original a dar lugar a várias guerras paralelas.

É o caso, por exemplo, da operação da Turquia em Afrin contra os curdos. O domínio de grandes áreas no norte do país pelos curdos eleva o medo dos turcos de que uma região autônoma ou até mesmo um Estado curdo se consolide no norte da Síria. A Turquia é, a rigor, contra o regime de Assad, mas é ainda mais contra um Estado curdo na sua fronteira.

Ao mesmo tempo, a intervenção no norte da Síria é uma maneira de a Turquia exibir poderio militar e assim justificar suas pretensões a potência regional dominante e fortalecer desde já sua posição para o pós-guerra, quando chegar a hora de defender os seus interesses regionais.

É verdade que boa parte das potências internacionais já está envolvida no conflito há muito tempo. O Irã entrou na guerra já em 2011, com o objetivo de fortalecer Assad, um aliado. Logo em seguida foi a vez da milícia xiita libanesa Hisbolá, uma espécie de sucursal do regime iraniano.

Em 2014, os Estados Unidos iniciaram bombardeios contra o "Estado Islâmico", posicionando-se ao lado dos rebeldes moderados e dos curdos que tentavam derrubar Assad. A Rússia, por sua vez, iniciou seus próprios bombardeios em 2015, atacando bases jihadistas e também rebeldes, só que em apoio a Assad, que deseja manter no poder. A participação russa foi fundamental para o regime sírio ganhar terreno, às custas dos rebeldes e dos jihadistas.

Tanto Rússia como Irã perseguem o objetivo de se estabelecer como potências capazes de determinar os rumos no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, querem restringir a influência dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Já Israel vê com preocupação a crescente presença iraniana na Síria. O principal temor é a possível presença do Hisbolá nas proximidades das Colinas de Golã, no sul da Síria e na fronteira com Israel, onde a milícia poderia estabelecer uma base militar e assim ameaçar Israel com bombardeios.

O fato de os interesses dos atores envolvidos serem em grande parte opostos complica uma solução de paz. Assad quer se manter no poder e garantir a integridade territorial da Síria. Os curdos vão lutar até os últimos recursos para manter os territórios que conquistaram. A Turquia não quer de jeito nenhum que surja um território autônomo ou mesmo um Estado curdo na sua fronteira. O Irã quer se consolidar como potência regional e manter Assad no poder.

A Rússia também quer manter influência na Síria e garantir a continuidade de Assad. Os Estados Unidos não querem que grupos jihadistas se reagrupem e já indicou que prefere que Assad deixe o poder. Além disso, pretende frustrar os planos iranianos de ampliar sua influência na região. Israel também teme a influência iraniana e a decorrente presença do Hisbolá na sua fronteira.

Esse complicado emaranhado de interesses deixa antever que a guerra na Síria ainda está muito longe do fim.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que recebe no dia a dia.

_______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

Leia mais