Após deixar a prisão, Lula ataca Lava Jato em discurso | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 08.11.2019
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Brasil

Após deixar a prisão, Lula ataca Lava Jato em discurso

Ex-presidente diz que foi vítima de "lado podre” da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal. "Eles não prenderam o homem, eles tentaram matar uma ideia", disse para uma multidão de apoiadores.

Brasilien Haftentlassung für Lula Da Silva (AFP/C. De Souza)

Lula após deixar a prisão. Ex-presidente disse que pretende percorrer o país.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta sexta-feira (08/11), em discurso para apoiadores logo depois de deixar a prisão, uma série de ataques contra a Operação Lava Jato e denunciou o que chamou de "lado podre” da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal. 

"O lado mentiroso da Polícia Federal que fez inquérito contra mim, o lado mentiroso e canalha do Ministério Público Federal, e o Moro, eles não prenderam o homem, eles tentaram matar uma ideia", disse, em uma fala que durou cerca de 15 minutos.

"Um lado podre do Estado brasileiro fez comigo e com a sociedade brasileira. O lado podre da Justiça, do MP, da Justiça, o lado podre da Polícia Federal e da Receita Federal trabalharam para tentar criminalizar a esquerda, criminalizar o PT, o Lula."

Lula ainda lançou ataques específicos contra a Rede Globo, que também vem sendo alvo de críticas virulentas do presidente Jair Bolsonaro, e ainda criticou o procurador Deltan Dallagnol, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

"Se existe uma quadrilha e um bando de mafioso neste País, é essa maracutaia que fizeram para tentar, liderados pela Rede Globo, que o Lula era bandido. Eu quero dizer que se pegar o Dallagnol, se pegar o Moro, se pegar alguns delegados, e bater num liquidificador, o que sobrar não é 10% da honestidade que eu represento neste país".

Lula deixou pouco antes das 18h a sede da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba, onde passou um ano e sete meses preso. Ele foi recebido por uma multidão de apoiadores e figuras do PT do Paraná e do diretório nacional do partido. Desde que o ex-presidente foi preso, militantes se revezavam em uma vigília em frente ao prédio.

Ainda seu discurso, Lula disse que pretende viajar pelo país enquanto aguarda o julgamento de seus recursos à Justiça. "Amanhã tenho encontro no Sindicato e depois as portas do Brasil estarão abertas para que eu possa percorrer esse país", disse. "Eu saio com o maior sentimento de agradecimento. Eu tenho vontade de provar que esse país pode ser muito melhor a hora que ele tiver um governo que não minta pelo Twitter como Bolsonaro mente".

Lula deve dormir hoje num hotel em Curitiba e viajar no sábado para São Bernardo do Campo.

A saída de Lula repercutiu no meio político e também no exterior. O presidente Jair Bolsonaro, que se elegeu com base no sentimento antipetista, ainda não comentou a soltura. Em visita a Goiânia nesta sexta-feira, ele evitou falar com jornalistas.

Desafeto de Bolsonaro, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, celebrou no Twitter a soltura de Lula. "Comove a força de Lula para enfrentar essa perseguição. Sua fortaleza demonstra não só o compromisso, mas também a imensidão desse homem", escreveu Fernández, cujos elogios ao ex-presidente nas últimas semanas provocaram a ira do governo Bolsonaro.

O senador e pré-candidato democrata à Presidência dos EUA, Bernie Sanders, também saudou a soltura de Lula.

"Como presidente, Lula fez mais do que qualquer um para diminuir a pobreza e representar os trabalhadores. Estou feliz que ele saiu da cadeia, algo que nunca deveria ter acontecido para começar", escreveu Sanders no Twitter.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, também comemorou no Twitter. "É bom saber que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio "Lula" da Silva acaba de ser libertado. Eu o espero o mais rápido possível em Paris, onde ele é cidadão honorário", escreveu.

A saída de Lula ocorreu após uma decisão do juiz federal Danilo Pereira Jr, da 12ª Vara Federal de Curitiba, que atendeu a um pedido da defesa.

A decisão ocorre um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar, por seis votos a cinco, a possibilidade de um condenado começar a cumprir pena antes de esgotados todos os recursos. Na manhã desta sexta-feira, a defesa do ex-presidente apresentou um pedido de soltura com base no novo entendimento do Supremo.

A decisão do Supremo beneficiou diretamente Lula, que cumpria pena no âmbito da condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no caso envolvendo o tríplex no Guarujá. A sentença de Lula já foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sendo fixada em oito anos, dez meses e vinte dias, mas o presidente ainda tem recursos pendentes tanto neste tribunal quanto no STF.

Solto, o petista estará livre para participar de atos políticos e até mesmo viajar, mas ele continua impedido de se candidatar enquanto a condenação em segunda instância vigorar por causa da Lei da Ficha Limpa. A legislação veta a possibilidade de condenados por um órgão colegiado de se candidatarem – a lei foi sancionada pelo próprio Lula em seu último ano de governo.

A decisão do STF alterou a jurisprudência que vigorava desde 2016 e que era considerada um dos pilares da Operação Lava Jato, e tem potencial de beneficiar quase 5 mil presos, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre eles dezenas de condenados no âmbito da Lava Jato. Ainda nesta sexta-feira, a defesa do ex-ministro José Dirceu também pediu sua soltura. No momento, ele cumpre pena no Complexo-Médico Penal em Pinhais. E no final da tarde, a Justiça de Minas Gerais determinou a soltura do ex-governador Eduardo Azeredo, que estava preso desde maio.

JPS/ots

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