Órgão do Ministério da Saúde recomenda manter vacinação de adolescentes | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 18.09.2021

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Coronavírus

Órgão do Ministério da Saúde recomenda manter vacinação de adolescentes

Conselho Nacional de Saúde contesta determinação do governo federal sobre grupo etário. Morte de jovem em São Bernardo provavelmente não é relacionada à vacina, diz secretaria de SP.

Adolescente recebe vacina no braço

Adolescentes estão sendo vacinados contra covid-19 nos EUA e na Europa

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) contestou determinação do Ministério da Saúde, que retirou adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades da lista de vacinação para a covid-19. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (17/09), o CNS recomenda que o governo federal mantenha no PNI (Plano Nacional de Imunização) a vacinação contra a covid-19 para o grupo etário.

O CNS é uma instância colegiada, deliberativa e permanente do Sistema Único de Saúde (SUS) e integra a estrutura do Ministério da Saúde. Entre as atribuições do órgão, está fiscalizar e deliberar ações da pasta e acompanhar sua execução.

"Até o momento, não há qualquer comprovação de relação da morte do jovem com a vacina contra a covid-19", argumenta o CNS, citando o caso de uma jovem de 16 anos que morreu oito dias após a aplicação da primeira dose em São Bernardo do Campo.

"Óbito sem relação com vacina"

Na noite desta sexta, o governo de São Paulo informou que o óbito, ocorrido em 2 de setembro, está associado a uma rara doença autoimune. A adolescente sofria de PPT, ou Púrpura Trombótica Trombocitopênica.

A Secretaria de Saúde de São Paulo informou que um diagnóstico emitido com participação de 70 especialistas aponta que causa da morte, provavelmente, está ligada à doença autoimune e não à vacina contra o coronavírus.

Cerca de três horas após a nota do governo de São Paulo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que continuará investigando o caso.

Mais cedo, a Anvisa havia se reunido com a Pfizer, fabricante da única vacina autorizada para a faixa etária, e manteve a autorização de uso. "Até o momento, os achados apontam para a manutenção da relação benefício versus o risco para todas as vacinas autorizadas no Brasil, ou seja, os benefícios da vacinação excedem significativamente os seus potenciais riscos", afirmou a agência.

O CNS afirmou ainda que a vacinação, "além de ser a melhor evidência para que seja conferida a redução de casos e óbitos decorrentes da covid-19 e de ser um direito da população brasileira, ainda não atingiu o alcance necessário para uma situação epidemiológica controlada".

A nota alerta também que "apesar da curva desses casos e óbitos estarem em decréscimo, a taxa de transmissibilidade ainda é elevada em vários locais do país, principalmente em virtude do surgimento de novas variantes do vírus".

O CNS cita ainda manifestação divulgada também nesta sexta pela Anvisa, afirmando que, "com os dados disponíveis até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações da bula aprovada, destacadamente, quanto à indicação de uso da vacina da Pfizer na população entre 12 e 17 anos".

De acordo com Artur Custódio, coordenador da Comissão Intersetorial de Vigilância em Saúde, do CNS, "não há critérios científicos nessa decisão do Ministério da Saúde".

Críticas ao ministério

Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde voltou atrás de sua orientação anterior, recomendando a suspensão da vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades.

A decisão foi detalhada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante uma entrevista à imprensa, sendo amplamente criticada por epidemiologistas. O Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) emitiram nota manifestando "profundo lamento" sobre a decisão.

A Secretaria de Saúde de São Paulo disse que o caso da jovem de São Bernardo do Campo foi divulgado pelo Ministério da Saúde "de forma intempestiva".

Mesmo com a nova posição do ministério, pelo menos 16 capitais e o Distrito Federal continuam vacinando jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades.

Na Europa, vários países começaram a vacinar seus adolescentes depois que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou em maio a vacina da Pfizer-BioNtech para quem tem entre 12 e 15 anos.

Na Alemanha, a Comissão Permanente de Vacinação (Stiko, na sigla em alemão) deu luz verde para que todos os jovens acima de 12 anos de idade sejam vacinados contra o coronavírus. A entidade  afirmou que os benefícios da vacina superam os riscos para a faixa etária. Para a decisão, foram considerados especialmente dados dos EUA, onde quase 10 milhões de adolescentes foram vacinados.

md (ots)

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