Zambézia: Braço de ferro entre mineradora chinesa e EDM prejudica população | Moçambique | DW | 10.08.2022

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Moçambique

Zambézia: Braço de ferro entre mineradora chinesa e EDM prejudica população

Apesar das promessas, bairro de reassentamento de Olinda, em Inhassunge, continua sem energia. Mineradora chinesa diz que já cumpriu o acordado com o Governo. Eletricidade de Moçambique (EDM) alega falta de recursos.

Mosambik umgesiedelte Bevölkerung von Olinda Sambézia

Cerca de 80 famílias reassentadas por causa exploração de areias pesadas em Inhassunge ainda não têm acesso a eletricidade

Apesar das promessas, a energia elétrica ainda não chegou ao bairro de reassentamento de Olinda, em Inhassunge, na província moçambicana da Zambézia, onde vivem cerca de 80 famílias afetadas pela exploração de areias pesadas.

Em causa está o braço de ferro entre a Africa Great Wall Mining Company, empresa chinesa que explora areias pesadas na localidade, e a Eletricidade de Moçambique (EDM), que diz não ter recursos financeiros para fazer chegar a corrente elétrica à região. Do lado do Governo moçambicano ainda não houve, também, qualquer tipo de ação.

Em entrevista à DW, Alcide Gouveia, substituto da diretora da Eletricidade de Moçambique (EDM) em Quelimane, explica que os trabalhos custam 14 milhões de meticais, cerca de dois milhões de euros, e "não sendo uma atividade planificada pela EDM, a empresa não tem como avançar".

Mosambik umgesiedelte Bevölkerung von Olinda Sambézia | Alcide Goveia

Alcide Gouveia, Eletricidade de Moçambique (EDM)

"Temos de mobilizar financiamento para comprar material para a eletrificação. Havendo este financiamento, a EDM vai avançar com a expansão da rede. Os custos são avultados para expandir a rede para aquela ilha", acrescenta.

Vários moradores da ilha de Olinda queixam-se das condições de vida.

À DW, sem revelar o nome, um destes moradores conta que "a vida não vai bem". Queixa-se da falta de energia e da falta de condições das suas casas, nas quais diz haver "muitas formigas e baratas”. E acusa os "chineses de estarem a ocupar as suas machambas".

"Não temos comida para cultivar, temos que viajar para Mucupio", diz.

Outro morador diz também "estar a passar mal". "Não temos água para beber, a casa está em risco de cair e ainda não estamos aqui há um ano. Estamos a lutar para comer".

Empresa nega responsabilidades

Um dos responsáveis da mineradora chinesa, que negou ser identificado por receio de represálias, disse à DW que tudo o que deveria ser feito por parte da mineradora em benefício das comunidades de deslocadas já foi feito. E deu como exemplos a construção de uma salina, a reabilitação de um centro de saúde e de uma escola e casas para os deslocados.

O responsável da Africa Great Wall Mining afirmou que não faz parte da responsabilidade social da mineradora estender a linha de baixa tensão e efetuar ligações domiciliárias.

O combinado com as entidades governamentais, frisou, foi criar outras condições básicas de sobrevivência, incluindo a alocação de uma embarcação a motor para ajudar a deslocação da comunidade da ilha de Olinda.

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