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PolíticaVenezuela

Venezuela enfrenta limbo após queda de Maduro

4 de janeiro de 2026

A Venezuela mergulhou num cenário de grande incerteza após uma operação dos Estados Unidos que afastou Nicolás Maduro do poder, levando o ex-Presidente e a mulher para Nova Iorque, onde vão responder criminalmente.

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Nicolás Maduro na noite em que foi capturado em Caracas por tropas norte-americanas
Segmento de uma imagem de Nicolás Maduro partilhada numa plataforma da Internet por Donald TrumpFoto: REUTERS

Uma calma tensa paira hoje sobre a capital da Venezuela, Caracas, com a maioria das lojas fechadas e pouco movimento nas ruas, um dia após o Presidente, Nicolás Maduro, ter sido deposto e capturado numa operação militar norte-americana.

Uma reportagem da agência Associated Press, (AP), em Caracas, retrata a capital da Venezuela "invulgarmente tranquila neste domingo", com poucos veículos a circular e a maioria dos postos de gasolina e estabelecimentos comerciais fechados.

Primeira noite em Nova Iorque

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, passou a primeira noite sob custódia numa prisão federal em Brooklyn, em Nova Iorque, depois de ter sido capturado pelos Estados Unidos em Caracas na madrugada de sábado (03.01).

Cidadãos protestam em Madrid, em frente à Embaixada dos EUA, contra operação norte-americana que culminou com a detenção de Nicolas Maduro
Cidadãos em várias partes do mundo têm protestado contra a intervenção dos EUA na VenezuelaFoto: Violeta Santos moura/REUTERS

Maduro aterrou na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, um aeroporto militar situado no norte do estado de Nova Iorque, transportado num avião militar Boeing 757. A chegada decorreu sob uma forte operação de segurança, com dezenas de agentes de várias agências norte-americanas, incluindo o Federal Bureau of Investigation (FBI) e a Drug Enforcement Administration (DEA), à espera do chefe de Estado venezuelano, num ambiente marcado por temperaturas negativas, na ordem dos dois graus abaixo de zero.

Após a aterragem, Nicolás Maduro foi escoltado para uma instalação federal ligada à DEA, onde foi formalmente identificado, tendo sido depois transferido para o Centro de Detenção Metropolitano, em Brooklyn. A Presidência dos Estados Unidos divulgou imagens da detenção e da transferência, nas quais se vê Maduro a caminhar por um corredor com uma passadeira azul com a inscrição "DEA NYD”, referente ao distrito de Nova Iorque da agência antidroga. Num dos vídeos tornados públicos, o líder venezuelano é ouvido a desejar "Boa noite, Feliz Ano Novo”.

Maduro já tinha sido formalmente acusado em 2020 pelo Ministério Público do Distrito Sul de Nova Iorque. No sábado, os procuradores apresentaram novas acusações junto do mesmo tribunal. O ex-presidente enfrenta crimes de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e delitos relacionados com armas automáticas. O próximo passo do processo judicial deverá ocorrer nos próximos dias, perante um juiz federal em Manhattan.

Membro de um dos grupos paramilitares venezuelanos, designados Colectivos, patrulham ruas de Caracas após intervenção dos Estados Unidos
A captura de Maduro ocorreu no âmbito de um ataque que Washington descreveu como "em grande escala” contra a Venezuela, lançado no sábado e que resultou também na detenção da sua mulher, Cilia FloresFoto: Pedro Mattey/Anadolu/picture alliance

Operação de grande escala

A captura de Maduro ocorreu no âmbito de um ataque que Washington descreveu como "em grande escala” contra a Venezuela, lançado no sábado e que resultou também na detenção da sua mulher, Cilia Flores. Horas depois da operação em Caracas, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos pretendem governar o país até à conclusão de uma transição de poder.

Na Venezuela, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, deverá assumir a presidência interina, decisão já reconhecida pelo exército do país. Rodríguez torna-se assim a primeira mulher a chefiar o executivo venezuelano, com o objetivo de "garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”, segundo declarou a presidente do tribunal, Tania D'Amelio. O comunicado não especifica quando deverá ocorrer a tomada de posse. 

Vigiado pela CIA

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, esteve a ser vigiado com o auxílio de elementos do seu executivo, que informaram a CIA, a agência dos serviços secretos dos Estados Unidos, noticiou o jornal The New York Times.

Segundo o jornal norte-americano, uma fonte da CIA dentro do Governo venezuelano monitorizou a localização de Nicolás Maduro nos dias e nos momentos anteriores à captura.

As informações foram recolhidas pela CIA junto de fontes venezuelanas desde agosto passado e também com recurso a drones furtivos que monitorizavam os movimentos de Nicolás Maduro na Venezuela.

Cidadãos visivelmente felizes, alguns com adereços com as cores da bandeira da Venezuela, no dia da captura de Nicolás Maduro, em Concepción, no Chile
Cidadãos residentes no Chile festejam captura de Nicolás MaduroFoto: Juan Gonzalez/REUTERS

O The New York Times escreveu que não é conhecida a forma como a CIA recrutou a fonte venezuelana que denunciou a localização de Maduro, mas recordou que havia uma recompensa de 50 milhões de dólares (cerca de 42 milhões de euros, ao câmbio atual) anunciada pela administração norte-americana em troca de informações que levassem à captura do chefe de Estado.

Críticas dos líderes mundiais

Vários líderes mundiais criticaram a operação militar norte-americana ao longo do dia de ontem. O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que na Venezuela é necessário um Governo legitimado pelas urnas, e reconheceu que Berlim precisa de tempo para analisar a detenção do líder venezuelano.

"Agora não deve ocorrer instabilidade política na Venezuela. É necessário garantir uma transição ordenada para um Governo legitimado pelas urnas", disse Merz num comunicado, no qual acusou o Presidente venezuelano de ter "levado o seu país à ruína". 

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