Talibãs recusam ajuda dos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 10.10.2021

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Internacional

Talibãs recusam ajuda dos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico

Os talibãs recusaram no sábado qualquer cooperação com os Estados Unidos para conter o Estado Islâmico no Afeganistão, demonstrando uma posição intransigente sobre uma questão central antes das primeiras conversações.

Os talibãs recusaram no sábado (09.10) qualquer cooperação com os Estados Unidos para conter o Estado Islâmico no Afeganistão, demonstrando uma posição intransigente sobre uma questão central antes das primeiras conversações desde que os norte-americanos saíram do país em agosto.

Altos funcionários dos talibãs e representantes dos Estados Unidos terminam neste domingo (10.10) em Doha, capital do Qatar, sendo que ambos os lados afirmaram que as questões em discussão incluem o controlo dos grupos extremistas e a retirada de cidadãos estrangeiros e afegãos do Afeganistão, com os talibãs a garantirem que haveria flexibilidade neste processo.

No entanto, o porta-voz político dos talibãs, Suhail Shaheen, disse à agência Associated Press que não haveria qualquer colaboração com os Estados Unidos para conter o grupo extremista Estado Islâmico, cada vez mais ativo no país e que tem assumido a autoria de uma série de atentados recentes, um dos quais a uma mesquita e que matou 46 muçulmanos xiitas, na sexta-feira, na cidade de Kunduz, no norte do país.

"Somos capazes de enfrentar o Daesh sozinhos”, disse Shaheen, quando questionado se os talibãs trabalhariam em conjunto com os Estados Unidos para conter os membros do Estado Islâmico.

O Estado Islâmico tem sido responsável por vários ataques contra os muçulmanos xiitas do país, desde o seu aparecimento no leste do Afeganistão, em 2014. São também vistos como a maior ameaça para os Estados Unidos pela sua capacidade de atacar alvos norte-americanos.

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"Somos capazes de enfrentar o Daesh sozinhos"

Passo para reconhecer o novo Governo

Estas reuniões em Doha são as primeiras entre forças talibãs e norte-americanas desde que os Estados Unidos abandonaram o Afeganistão, no final de agosto, apesar de os Estados Unidos terem desde logo afirmado que não são um primeiro passo para o reconhecimento do novo Governo.

As conversações surgem também depois de dois dias de difíceis discussões entre as autoridades paquistanesas e a vice-secretária de Estado norte-americana, Wendy Sherman, em Islamabad, sobre o Afeganistão.

O Paquistão apelou aos Estados Unidos para fazerem um esforço de aproximação aos novos governantes do Afeganistão e pediu que libertassem milhares de milhões de dólares em fundos internacionais para evitar o colapso económico do país. Por outro lado, enviou uma mensagem aos talibãs pedindo-lhes para serem mais inclusivos e prestarem atenção aos direitos humanos e aos grupos étnicos e religiosos minoritários.

No decorrer das conversações em Doha, os EUA vão também tentar que os talibãs cumpram com o compromisso de autorizar que cidadãos norte-americanos e outros cidadãos estrangeiros deixem o Afeganistão, além de afegãos que trabalharam com as forças norte-americanas ou outros aliados afegãos, segundo um oficial norte-americano, que falou com a Associated Press.

Os Estados Unidos deverão ser confrontados com a morosidade e as dificuldades na retirada do Afeganistão.

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