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PolíticaSão Tomé e Príncipe

STP: Chefe militar demitido após polémica do golpe de Estado

27 de outubro de 2025

O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de São Tomé e Príncipe foi exonerado após o desaparecimento do processo sobre o golpe de Estado de 2022, que resultou na morte de quatro homens no quartel militar.

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Imagem simbólica Bandeira de São Tomé e Príncipe
Processo do golpe desaparece após arrombamento no quartelFoto: Imago-Images/imagebroker/M. Graben

O Chefe do Estado Maior das Forças Armadas (CEMFA) são-tomense foi hoje exonerado, na sequência do desaparecimento do processo do julgamento do Golpe de Estado e morte de quatro homens no quartel militar em 2022, anunciou fonte oficial.

A decisão foi anunciada no final de uma reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional presidida pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, com participação do primeiro-ministro, alguns membros do Governo e altas chefias militares.

"O Conselho debateu a falta de esclarecimento sobre o desaparecimento do processo de 25 de novembro, situação que motivou a exoneração do atual Chefe de Estado-Maior, João Pedro Cravid", anunciou o porta-voz da reunião, Virgílio Mandinga.

O desaparecimento dos documentos, que estavam nas instalações do Estado-Maior das Forças Armadas, foi comunicado pelo chefe da repartição de logística, Cosme Mota, ao Chefe do Estado-Maior, João Pedro Cravid, na sexta-feira (24.10), segundo documentos a que a Lusa teve acesso.

Porta arrombada e processo do golpe some no Estado-Maior

Na comunicação, Cosme Mota referiu que tomou conhecimento do facto às 19h15 de quinta-feira, dia 16, quando se dirigiu ao seu gabinete no Estado-Maior e encontrou "a porta arrombada".

Em causa está o processo relativo à tentativa de golpe de Estado de 25 de novembro de 2022, durante a qual quatro homens foram torturados e mortos no quartel militar, quando estavam sob custódia das Forças Armadas de São Tomé e Príncipe (FASTP). Mais de 20 militares, incluindo altas chefias, foram acusados pelo Ministério Público, mas até agora não foram julgados, uma vez que o tribunal civil declarou-se incompetente e remeteu o processo para o tribunal militar, que tem reclamado falta de meios para funcionar.

Quem sabe onde está o processo?

São Tomé e Príncipe | Américo Ramos
Primeiro-ministro nega sumiço de documentos do golpeFoto: Ramusel Graça/DW

Na terça-feira, a Lusa questionou o primeiro-ministro, Américo Ramos, sobre informações que circulavam nas redes sociais acerca do desaparecimento dos arquivos do processo, mas o chefe do Governo disse tratar-se de rumores e instou o CEMFA a esclarecer a situação.

"Eu tenho informações como rumores. É preciso fazer um inquérito, certificar o que aconteceu e depois ter provas para dizer categoricamente o que se passou. Eu não fui lá, não estive lá, e então cabe ao Estado-Maior confirmar o que aconteceu", afirmou o primeiro-ministro.

Contudo, a Lusa teve acesso a uma carta do ministro da Defesa e Ordem Interna, Horácio Sousa, datada de segunda-feira, que indica que o primeiro-ministro tinha conhecimento do assunto e lhe pediu esclarecimentos.

"Tendo o Governo tomado conhecimento do desaparecimento do processo relativo aos acontecimentos de 25 de novembro de 2022 [...] o primeiro-ministro e chefe do Governo instou o ministro da Defesa e Ordem Interna a obter mais informações junto do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas", lê-se na carta.

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