Separar o lixo em Luanda pode ser um negócio de sucesso | Angola | DW | 20.08.2013
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Angola

Separar o lixo em Luanda pode ser um negócio de sucesso

Em 2011, viviam em Luanda cinco milhões de pessoas, cada uma a produzir em média um quilo de lixo por dia. Uma empresa alemã quer fazer disso negócio e lucrar com a separação dos resíduos urbanos.

Desde 2010, a frota de 14 camiões da empresa alemã Nehlsen sai à rua diariamente para recolher toneladas de lixo

Desde 2010, a frota de 14 camiões da empresa alemã Nehlsen sai à rua diariamente para recolher toneladas de lixo

A empresa alemã de gestão de resíduos Nehlsen tem uma filial na capital angola que se ocupa da limpeza das ruas de algumas zonas de Luanda. Todos os dias, a frota de 14 camiões sai à rua para recolher toneladas de lixo. E no meio destes resíduos, há materiais que, se forem reaproveitados e transformados, podem aumentar o volume de negócios das empresas.

A ideia de recolher lixo na capital angolana surgiu no final dos anos 80 com um projeto iniciado pelo Banco Mundial. Em 2010, a Nehlsen decidiu abrir uma dependência em Luanda.

Angola Rohstoffe

O projeto "Luanda Limpa" permite aos cidadãos vender lixo diretamente ao governo provincial, mas 50 litros de lixo valem apenas quarenta cêntimos de euro

"Angola é um mercado do futuro. É um mercado em crescimento", justifica Claudia Bunkenborg, que está à frente dos negócios internacionais da empresa alemã.

Mina de ouro

Claudia Bunkenborg vê no lixo de Luanda uma pequena mina de ouro. Na cidade, os resíduos não são separados e num mesmo caixote podem ser encontradas garrafas de plástico misturadas com restos de comida e vidro misturado com metal. Se esse lixo fosse separado, os lucros podiam aumentar, defende a alemã.

“Esperamos que haja uma mudança no processo de recolha dos resíduos sólidos. Não já em 2014 mas a médio prazo. Porque Angola, como outros países, também deve passar a separar os materiais recicláveis que estão no lixo. Essa é uma das nossas principais atividades e esperamos contribuir com o nosso conhecimento para oferecer estes serviços adicionais."

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Separar o lixo em Luanda pode ser um negócio de sucesso

Porém, o processo exige que as autoridades criem diretivas e regulamentem a atividade.

"Se houver, por exemplo, um requisito adicional de que tudo o que é reciclável deve deixar de ser colocado no mesmo contentor, cria-se então uma nova área de atividade. Isto é, um negócio complementar", explica Claudia Bunkenborg.

Luanda é uma cidade cheia de pilhas de lixo, particularmente nos musseques, as zonas periféricas.

Para tentar reduzir o lixo, as autoridades da capital introduziram o projeto "Luanda Limpa", que permite aos cidadãos vender lixo diretamente ao governo provincial. Por cada 50 litros de lixo, as autoridades pagam cerca de quarenta cêntimos de euro.

Manter frota é um dos desafios

Entretanto, os camiões da empresa de Claudia Bunkenborg continuam a andar de rua em rua todos os dias a recolher o lixo dos contentores da cidade. Mas um dos desafios da Nehlsen em Luanda é manter a frota de 14 veículos em funcionamento, uma vez que mandar vir peças para um camião avariado pode demorar meses.

Müllentsorgung in Luanda

Em Luanda cada habitante produz, em média, um quilo de lixo por dia

"Imagine que precisa de um motor de substituição. Não consegue comprá-lo em Luanda. Tem de se encomendar o motor da Europa, que tem de vir de barco e até que ele chegue são precisas pelo menos oito semanas. Depois, até que o motor chegue da Alfandega passam outras duas a quatro semanas", descreve.

A empresa espera compensar as longas demoras quando puder finalmente transformar a reciclagem do lixo em Luanda num negócio de sucesso.

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