Afonso Té, porta-voz da Plataforma Republicana, que apoiou a candidatura presidencial de Umaro Sissoco Embaló, reagiu esta terça-feira (16.12) às decisões da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) após o golpe de Estado ocorrido na Guiné-Bissau a 26 de novembro.
Em entrevista à DW África, Té afirmou que a situação no país continua marcada pela incerteza, sublinhando que o golpe impediu a divulgação dos resultados das eleições gerais realizadas a 23 de novembro.
"Estávamos à espera que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciasse os resultados, mas isso não aconteceu devido ao golpe e aos confrontos armados”, declarou.
A CEDEAO decidiu enviar uma delegação a Bissau, que deverá chegar esta quarta-feira ao país para dialogar com as autoridades de transição. Entre as exigências da organização regional estão a libertação imediata dos detidos, a formação de um governo inclusivo com participação da sociedade civil e a implementação de reformas constitucionais, além da realização de eleições num período considerado "breve".
Para Afonso Té, estas metas serão difíceis de concretizar. "Há contradições. A CEDEAO fala em transição breve, mas também exige reformas profundas e eleições inclusivas. Tudo isso é complicado de cumprir em seis meses", alertou, acrescentando que mesmo um prazo de um ano seria "desafiante".
Questionado sobre a natureza do golpe, Té foi categórico: "Sou militar e sei quando é um golpe. Isto foi um golpe contra Sissoco Embaló", afirmou, rejeitando a tese de “autogolpe” defendida por alguns opositores. "Rei morto, rei posto. As pessoas do regime anterior podem ter mudado de lado, mas isso não altera a realidade", disse.
Quanto à saída para a crise, o porta-voz considera positiva a iniciativa da CEDEAO de enviar uma delegação para negociar com os militares: "É a melhor coisa que fizeram. Agora é preciso definir claramente o tempo e as condições da transição", concluiu.
O golpe de Estado ocorreu um dia antes da Comissão Nacional de Eleições anunciar os resultados das eleições gerais, mergulhando o país numa nova fase de instabilidade política.