″PAIGC está em perigo iminente de naufrágio″ | Guiné-Bissau | DW | 18.01.2022

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Guiné-Bissau

"PAIGC está em perigo iminente de naufrágio"

Membro do bureau político do PAIGC apela a "capitão" Domingos Simões Pereira que assuma a responsabilidade pelo "naufrágio iminente" do partido. "Não podemos culpar o marinheiro", diz Mário Dias Sami em entrevista à DW.

Líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira

Líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira

Numa carta aberta, divulgada na segunda-feira (17.01), um grupo de dirigentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) questiona a liderança de Domingos Simões Pereira.

O documento é assinado pelo ex-primeiro-ministro guineense Artur Silva, por Octávio Lopes, antigo diretor de gabinete do ex-Presidente José Mário Vaz, Mário Dias Sami, ex-secretário de Estado das Pescas, Gilberto Charifo, ex-diretor-geral da Geologia e Minas e pelo deputado Hussein Farath.

O balanço que fazem do mandato de Simões Pereira como líder do PAIGC é negativo: O partido, lembram os dirigentes, não tem a maioria no Parlamento, apesar de ter sido o mais votado nas legislativas de 2019; não está nem no Governo, nem na Presidência da República, e perde cada vez mais o apoio da população.

"O PAIGC está em perigo iminente de desaparecer", comenta Mário Dias Sami, porta-voz do grupo que publicou a carta aberta.

Sede do PAIGC em Bissau

Simões Pereira candidata-se a um terceiro mandato como líder do PAIGC

Em entrevista à DW África, o membro do bureau político do partido apela à responsabilização de Domingos Simões Pereira: "Não podemos culpar o marinheiro pelo naufrágio do navio", diz.

Simões Pereira candidata-se a um terceiro mandato como líder do PAIGC no congresso que decorre entre 17 e 20 de fevereiro.

DW África: Porquê esta carta aberta contra o atual presidente do PAIGC, um mês antes do congresso?

Mário Dias Sami (MDS): Nós queríamos ter feito isso há muito tempo, mas estávamos à espera do amadurecimento de premissas objetivas e subjetivas. É o momento oportuno para tocar este tambor de alerta, sinalizando aos militantes, a todos os amigos do PAIGC e ao povo da Guiné-Bissau o perigo que paira sobre a nossa sociedade. É uma sociedade em desarticulação, [desde] o regime instalado a partir de 27 de fevereiro de 2020, com a investidura do Presidente Umaro Sissoco Embaló e, a partir de 1 de março, com o Governo encabeçado por Nuno Gomes Nabiam.

DW África: Domingos Simões Pereira não está preparado para ter uma estratégia capaz de mudar o rumo do país e de vencer as próximas eleições?

MDS: As formações políticas [existem para] conquistar o poder. Não basta elaborar boas teorias, definir bons caminhos, sem se conseguir implementar as ideias. A luta do PAIGC tem de ser direcionada para esses mentirosos, imorais e ladrões, que roubam o povo e o Estado. As pessoas que roubam o Estado não são adversários políticos, são inimigos do nosso povo.

DW África: Acha que o PAIGC tem inimigos internos? Domingos Simões Pereira é um deles?

MDS: Não, o PAIGC não tem qualquer inimigo internamente. Domingos Simões Pereira está longe de ser inimigo do PAIGC.

Chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló

Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse que não nomearia Simões Pereira como primeiro-ministro, mesmo se ele fosse eleito nas próximas legislativas

DW África: Simões Pereira prometeu em 2018 que não se apresentaria a um terceiro mandato. Querendo manter-se na liderança, está, portanto, a faltar à verdade?

MDS: O partido encontra-se em perigo iminente de desaparecer. Está em perigo iminente de um afundamento, de um naufrágio. Então, eu surgirei apenas para segurar esse período e fazer voltar o partido ao devido lugar.

Ele disse isso, em 2018, por isso não houve nenhum candidato na altura. Compensámos tudo aquilo que ele fez, a luta que, através dele, vínhamos desenvolvendo como um coletivo. Mas estamos a chegar ao fim do segundo mandato…

DW África: E vê, neste momento, personalidades capazes de se apresentarem como alternativa a Domingos Simões Pereira no congresso de 17 a 20 de fevereiro?

MDS: Há gente que poderá surgir.

DW África: Já se fala de alguns nomes, em concreto - Artur Silva, Octávio Lopes, João Bernardo Vieira, Aristides Gomes… Quem poderá ser o próximo líder do PAIGC? Qual é o seu favorito?

MDS: Não tenho favoritos. Estamos a desbravar [terreno] e vamos encontrar o candidato ideal.

DW África: Domingos Simões Pereira não pode ser candidato, na sua perspetiva?

MDS: Legalmente, pode, de acordo com os estatutos do partido. Isso só poderá acontecer se Domingos Simões Pereira [assim o quiser, reconhecendo] que conduziu o partido, mas acabou por não ter sucesso, que nós não fomos capazes de governar.

Não podemos culpar o marinheiro pelo naufrágio do navio.

DW África: Isso quer dizer que Domingos Simões Pereira deveria assumir a responsabilidade pelo mau estado do PAIGC?

MDS: Com certeza. Isso não deve ser uma responsabilidade partilhada.

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