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Ex-PM guineense contra liderança de Simões Pereira no PAIGC

Lusa
17 de janeiro de 2022

O ex-primeiro-ministro guineense Artur Silva encabeça uma lista de dirigentes que questionam numa carta aberta a liderança de Domingos Simões Pereira à frente do PAIGC.

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Guinea-Bissau Domingos Simões Pereira, Vorsitzender PAIGC
Foto: DW/F. Tchumá

A carta, divulgada esta segunda-feira (17.01) pelos serviços do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), é assinada, além de Artur Silva, por Octávio Lopes, antigo diretor de gabinete do ex-Presidente guineense José Mário Vaz, Mário Dias Sami, ex-secretário de Estado das Pescas, Gilberto Charifo, ex-diretor-geral da Geologia e Minas e pelo empresário e atual deputado Hussein Farath.

Os subscritores afirmaram que decidiram publicar uma carta aberta para que Domingos Simões Pereira, os dirigentes do PAIGC e o público em geral fiquem a saber quais as suas "verdadeiras motivações e propósitos" no âmbito do décimo congresso ordinário que o partido vai realizar em fevereiro.

Lembraram que aquando do nono congresso ordinário, realizado em Bissau, em 2018, Simões Pereira assumiu "um compromisso público perante os militantes, responsáveis e dirigentes" do partido de que "não se apresentaria a um terceiro mandato".

Domingos Simões Pereira é candidato a um terceiro mandato no congresso marcado para os dias 17, 18, 19 e 20 de fevereiro próximo.

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Dirigentes questionam estratégias de Simões Pereira

Os signatários da carta aberta questionam as estratégias assumidas pela direção liderada por Domingos Simões Pereira, nos últimos oito anos, afirmam que o partido vem perdendo apoio popular, não está na presidência do país, não é Governo e não tem a maioria no parlamento, apesar de ter sido o mais votado nas últimas eleições legislativas de 2019.

Prometem apresentar uma moção de estratégia global no congresso de fevereiro, discordam do que consideram de tentativa de restrição da democracia interna no PAIGC, denunciam o que chamam de "lista única solidária" que estaria na forja por parte da direção do partido e ainda apelam ao partido para mudar de opção estratégica.

"Um primeiro passo urgente e necessário nesse sentido é o abandono da agenda presidencial e a canalização dos esforços do partido para o seu objetivo estatutário programático, a governação", defendem os signatários da carta aberta dirigida a Domingos Simões Pereira.

Artur Silva recebeu, no passado mês de novembro, uma repreensão escrita por parte do Conselho Nacional de Jurisdição e Fiscalização do PAIGC por ter assumido o cargo de primeiro-ministro da Guiné-Bissau entre janeiro e março de 2018 sem a anuência do partido e ainda por ter aceitado dirigir a Agência de Cooperação e Gestão da Zona Económica Comum também sem a autorização do PAIGC.

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