ONU elogia combate ao narcotráfico em Moçambique | Moçambique | DW | 08.02.2021

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Moçambique

ONU elogia combate ao narcotráfico em Moçambique

Representante da ONU diz que apreensões milionárias mostram avanços contra o narcotráfico. No ano passado, os EUA apontaram o tráfico na costa de Moçambique como a principal fonte de financiamentos de redes terroristas. 

O representante  do Escritório das Nações Unidas para a Droga e Crime Organizado (UNODC), César Guedes afirmou que recentes apreensões de heroína no norte e ao largo de Moçambique mostra que as autoridades estão "mais certeiras". Em julho, os Estados Unidos apontaram o tráfico de droga na costa de Moçambique como a principal fonte de financiamentos das redes terroristas. 

"Se temos apreensões, é boa notícia: isso significa que as autoridades estão a fazer um trabalho mais certeiro, mais dedicado, mais profissional e dão as mãos com a cooperação internacional", disse Guedes em entrevista à Lusa,

No final de janeiro, uma fragata da marinha francesa apreendeu 444 quilos de metanfetaminas e heroína num barco à vela artesanal, típico  do Índico, no Canal de Moçambique, onde França tem algumas ilhas. A droga foi avaliada em mais de 40 milhões de euros. Ao mesmo tempo, a polícia moçambicana deteve um homem na posse de 61 quilos de heroína e cinco de metanfetaminas em Nacala Porto, na província de Nampula.

Já na semana passada, na terça-feira (02.02), as autoridades detiveram um empresário na cidade de Pemba, no norte do país, na posse de 180 quilos de efedrina, substância que se acredita teria como destino o fabrico de drogas.

Estas apreensões mostram de forma "clara" que "Moçambique não está sozinho neste combate e estas apreensões, em diferentes momentos, tiveram o apoio de países que têm uma agenda de trabalho" comum para o combate ao narcotráfico, referiu César Guedes.

Hafen von Nacala

Polícia deteve homem na posse de 61 quilos de heroína em Nacala Porto

Papel da cooperação internacional

A cooperação internacional assim como os treinos e formação prestados pela UNODC às autoridades moçambicanas para combate ao narcotráfico "estão a dar resultados", segundo o representante do escritório de combate ao crime organizado da ONU em Maputo.

O responsável destacou a tendência de traficantes entrarem "mais e mais" no sudoeste do oceano Índico por a considerarem uma rota "fiável" e "previsível", apesar de ser a mais longa para chegar aos mercados do hemisfério norte. Moçambique é uma passagem, tem a maior costa entre a Somália e África do Sul e permite ligação terrestre para vários países e desses para o destino.

Tudo isto num contexto em que as nações a norte de Moçambique - Tanzânia e Quénia -- têm empurrado o crime organizado para longe das suas costas, obrigando os traficantes a procurar entradas a sul e numa altura em que o Afeganistão vive dias de instabilidade acrescida.

"Quanto maior instabilidade no Afeganistão", mais a droga é uma "alternativa de negócio" num país responsável por 85% da heroína que circula no planeta e quase 100% da efedrina de origem vegetal - e isso reflete-se na costa moçambicana.

A resposta em Moçambique passa pelo esforço de parceiros, algo que faz parte "do ABC da cooperação internacional" porque "nenhum país pode enfrentar estas dinâmicas sozinho", frisou.

Afghanistan Panshar - Opiumfelder

Campos de papoula no Afeganistão: "Produção de heroína reflete na costa moçambicana"

"Autoridades motivadas"

Por outro lado, César Guedes salientou que há sinais claros de que as autoridades moçambicanas estão motivadas para o combate ao narcotráfico e abertas à cooperação, bem como à capacitação institucional que é prioridade da UNODC.

O país lusófono tem especificidades: é igualmente rico em fauna bravia, pedras preciosas e madeiras raras que dão origem a outras redes de tráfico que por vezes se interligam com o narcotráfico.

"Duas faces da mesma moeda", descreveu César Guedes: por vezes, a embarcação que leva droga para Moçambique regressa com o resultado de tráfico de recursos naturais do país. O representante do UNODC em Moçambique abriu o escritório em 2019, após solicitação do Governo, chegando a Maputo após ter ocupado posto idêntico na Bolívia e depois de cinco anos no Paquistão - precisamente o país onde se fazem ao mar os barcos que atravessam o oceano Índico com heroína até Moçambique.

Ao nível da cooperação regional, Maputo deverá receber este ano um escritório de segurança marítima tripartida, partilhado com especialistas da África do Sul e Tanzânia, em parceria com a UNODC. Será um órgão consultivo e de troca de experiências para os países reforçarem em conjunto a vigilância sobre o sudoeste do oceano Índico.

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