O sobe e desce da corrupção nos PALOP | Angola | DW | 05.12.2012
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Angola

O sobe e desce da corrupção nos PALOP

A maioria dos PALOP subiu este ano no índice da Transparência Internacional sobre perceção da corrupção. Angola foi um deles. Mas será que há menos corrupção no país?

O sobe e desce da corrupção nos PALOP

O sobe e desce da corrupção nos PALOP

Paulo Morais, vice-presidente da Transparência e Integridade, Associação Cívica

Paulo Morais, vice-presidente da Transparência e Integridade, Associação Cívica

As subidas e descidas na tabela da Transparência Internacional devem ser vistas com algum cuidado, recomenda Paulo Morais, o vice-presidente da Transparência e Integridade, Associação Cívica, a TIAC.

A metodologia para calcular a pontuação de cada país neste índice foi alterada e deu origem a variações que, nos últimos lugares da tabela, podem não significar melhorias concretas no combate à corrupção:

“Os países que estão no final da tabela podem ter oscilações, mas isso não significa resultados brilhantes ou se quer significativos. Quer dizer que são países que competem entre eles para ver quem é o mais corrupto”, diz Morais.

Angola menos corrupta?

O vice-presidente da TIAC aponta Angola como um dos maus exemplos dos PALOP. O país ocupa atualmente a posição 157 no ranking da perceção da corrupção. Angola subiu este ano 9 lugares. Mas, para Paulo Morais, há apenas uma razão que explica essa subida: as más performances dos países vizinhos na tabela.

No conjunto dos PALOP, Angola é a pior colocada no índice da Transparência Internacional...

No conjunto dos PALOP, Angola é a pior colocada no índice da Transparência Internacional...

“O facto de Angola ter melhorado um pouco no ranking, em termos relativos, não quer dizer que a corrupção seja menor. Quer dizer que os outros países têm acentuado mais a corrupção do que em Angola”, sublinha.

“Nos países da cauda da tabela, uma variação positiva no ranking quer dizer que países que estão perto de si no ranking, como o Congo, o Laos, a Líbia e a Guiné Equatorial, ainda têm aumentado os níveis de corrupção mais do que Angola. Se calhar porque em Angola a corrupção já pode estar mais estabilizada.”

Guiné-Bissau: “péssimo exemplo”

A par de Angola surge também a Guiné-Bissau, que, apesar do golpe de Estado ocorrido em abril passado, sobe 4 posições no ranking de 176 países. Ainda assim, fica-se pelo fim da lista. Um resultado que, de acordo com Paulo Morais, não poderia ser pior:

“A Guiné é também um péssimo exemplo, ocupa o lugar 150. Está incluída num grupo de países que, em termos de corrupção, dificilmente poderiam estar pior." De acordo com Morais, os países que ocupam os últimos lugares da tabela da Transparência Internacional são, normalmente, aqueles que ainda têm um longo percurso pela frente, onde “não chega o combate à corrupção e é preciso uma reestruturação de todo o sistema.”

São Tomé e Príncipe com boa nota

Mas há também bons exemplos. É o caso de Timor-Leste, com uma subida de 30 lugares. São Tomé e Príncipe, com uma significativa variação de 28 posições, para o lugar 72, fica igualmente bem na fotografia do conjunto dos países lusófonos.

"É um bom exemplo – tem tido políticas de combate à corrupção e tem havido, tanto quanto vamos tendo conhecimento, repressão relativamente a corruptos, um aspeto fundamental.”

... e Cabo Verde é o país africano de língua portuguesa com a melhor pontuação

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Cabo Verde sobe e Moçambique recua

Entre os países de língua portuguesa, Cabo Verde continua a ser o melhor colocado depois de Portugal, tendo este ano subido dois lugares para o trigésimo nono.

Moçambique recuou, da posição 120 para a 123, num ranking mundial em que a Dinamarca, a Finlândia e a Nova Zelândia ocupam os lugares cimeiros.

Autora: Maria João Pinto
Edição: Guilherme Correia da Silva / António Rocha

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