Moçambique: Estrangeiros são detidos no Centro de Refugiados de Maratane | Moçambique | DW | 21.01.2019
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Moçambique

Moçambique: Estrangeiros são detidos no Centro de Refugiados de Maratane

É desconhecido o paradeiro dos onze cidadãos levados do campo de refugiados em Maratane. Autoridades governamentais e Polícia desconhecem as detenções.

Instalou-se o medo no Centro de Refugiados de Maratane, o primeiro e maior centro em Moçambique que acolhe refugiados e requerentes de asilo. São mais de 12 mil pessoas oriundas de países africanos em conflito político-militar, como República Democrática de Congo, Burundi, Ruanda, Somália e Etiópia. 

Segundo os refugiados, que falaram à DW África na condição de anonimato, a Polícia desencadeou na última quinta-feira (21.01), à noite, uma série de detenções que culminou com a prisão de onze cidadãos. É uma ação onde não terá sido apresentado qualquer mandado oficial de captura.

"A Polícia estava no cruzamento da entrada de Maratane e capturou sete pessoas. Depois, por volta das dez horas da noite, entraram três carros de Polícia, que pegaram as pessoas. Até agora não sabemos o paradeiro dessas pessoas [estrangeiros]. Assim no total foram onze [detidos]. A maioria é da República Democrática do Congo e um Etíope'', disse à nossa reportagem um dos refugiados que vive no centro de Maratane. 

Clima de medo

Os refugiados afirmam que não foram informados sobre a razão dessas detenções. Antes das mesmas, a região estava calma e tranquila. Mas agora, muitos vivem com medo, pois temem ser as próximas vítimas.

Ouvir o áudio 03:46

Moçambique: estrangeiros são detidos no Centro de Refugiados de Maratane

‘"Estamos com medo, porque nessa lista não sabemos quem será detido na noite de hoje. Quando entramos em Moçambique, sabíamos que também eles [os moçambicanos] já foram refugiados. Moçambique agora vive em paz e prima pelo diálogo. Por que essa harmonia não pode ser também vivida em Maratane?'', questiona um outro refugiado.

Os refugiados pedem, agora, a intervenção do Governo e dos parceiros para o esclarecimento das detenções.

Ajuda da Igreja Católica

A Comissão Episcopal para Migrantes e Refugiados e Deslocados (CEMIRDE), uma organização pertencente à Igreja Católica, teve conhecimento dessas detenções apenas por terceiros. O padre Pierre Arlian, ponto focal da CEMIRDE em Nampula, disse à DW África que tenta apurar junto das autoridades governamentais locais o que realmente ocorreu.

‘‘Eu ouvi isso também, mas ainda não confirmei essas informações. Estava a ligar para o administrador para justamente saber o que aconteceu… Só sei que alguns paroquianos falaram disso, mas ainda não consegui falar com as autoridades do campo [administradores]'', disse.

Sem o conhecimento das autoridades

Entretanto, as autoridades governamentais desconhecem as detenções, como disse à DW, por telefone, o recém-nomeado administrador do Centro de Refugiados de Maratane, Chea Consolo.

Consolo recusou-se a gravar entrevista, mas afirmou que não tinha conhecimento das alegadas detenções. Ele aconselhou a reportagem da DW a contactar o delegado do Instituto Nacional de Refugiados (INAR) em Nampula. Também o delegado do INAR não quis falar e prometeu para mais tarde um esclarecimento, o que não aconteceu até ao fecho desta reportagem.

Por seu turno, o porta-voz da Polícia moçambicana em Nampula, Zacarias Nacute, negou que teve lugar uma operação que visava prender estrangeiros em Maratane e acrescentou que em momento algum a Polícia deteve pessoas que teriam sido "enviadas para parte incerta da província".

‘‘No momento, não tenho informações sobre a detenção de refugiados. Mas sempre que a Polícia faz detenção, esses cidadãos não são enviados para parte incerta, e sim encaminhados para as diversas unidades que nós temos a nível da nossa província'', declarou.

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