Militantes preparam-se para abandonar CASA-CE | Angola | DW | 05.09.2018
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Angola

Militantes preparam-se para abandonar CASA-CE

O secretário provincial da CASA-CE em Luanda diz que vários militantes estão a preparar um "abandono em massa" da coligação. E acusa os líderes dos cinco partidos políticos coligados de não cumprirem ideais do partido.

Comício eleitoral da CASA-CE em Benguela (2017)

Comício eleitoral da CASA-CE em Benguela (2017)

Depois de cinco dos seis partidos que fazem parte da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) terem reagido ao acórdão do Tribunal Constitucional, que impede os independentes de fazerem parte do Conselho Presidencial, e de terem garantido que não pretendem excluir ninguém, Alexandre Dias dos Santos "Libertador", o secretário da coligação em Luanda, a maior praça eleitoral, veio a público manifestar o descontentamento de alguns militantes e dirigentes da organização.

Segundo o dirigente, alguns membros estão dispostos a abandonar a coligação devido ao clima de instabilidade que se vive no seio da CASA-CE. "Realizámos duas reuniões cá em Luanda e os militantes estão decididos a abandonar a coligação. Porque não há condições de continuar a trabalhar com dirigentes que só pensam nos seus bolsos e não no povo", disse o político à Rádio Despertar, acrescentando que a proposta será apresentada ao presidente da coligação, assim que Abel Chivukuvuku regressar a Angola.

Alexandre Libertador - CASA-CE

Alexandre Dias dos Santos: "Não há condições para trabalhar com dirigentes que só pensam nos seus bolsos"

Há dias, o Partido Pacífico Angolano (PPA), Partido Apoio para Democracia e Desenvolvimento de Angola - Aliança Patriótica (PADDA-AP), Partido Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA), Partido Nacional de Salvação de Angola (PNSA) e Partido Democrático Popular de Aliança Nacional de Angola (PDP-ANA) denunciaram ao Tribunal Constitucional alegadas incongruências na liderança da CASA-CE.

Na declaração conjunta lida na semana passada pelo secretário de informação do PADDA-AP, Mário Pinto, os partidos coligados destacaram, por exemplo, a não atribuição do dinheiro oriundo do Orçamento Geral do Estado (OGE) para o funcionamento dos partidos.

"Só pensam no dinheiro"

O secretário provincial da CASA-CE contraria a posição dos partidos. Alexandre "Libertador" alega que esses líderes recebem mais de um milhão e 500 mil kwanzas (mais de 4 mil euros) por trimestre para financiar as atividades das suas formações políticas, enquanto os independentes trabalham na base do voluntariado.

Ouvir o áudio 02:40

Militantes preparam-se para abandonar CASA-CE

"Simão Makazo, Manuel Fernandes e companhia só pensam no dinheiro", acusa o dirigente, adiantando que, nos próximos tempos, militantes de Luanda e de outras províncias vão avançar com uma ação judicial contra os dirigentes dos partidos políticos que fazem parte da CASA-CE.

"Os dirigentes desses partidos recebem trimestralmente acima de um milhão e 500 mil e nós, e a máquina da CASA-CE, que sempre acreditamos em mudar Angola, que sempre aceitamos trabalhar para o povo, trabalhamos por amor à camisola", afirma.

"Atitudes infantis de menino mimado"

Em declarações à DW África, Manuel Fernandes, presidente do Partido Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA) e um dos vice-presidentes da CASA-CE, minimiza as afirmações de Alexandre Dias dos Santos e diz que a coligação "não é um instrumento político".  "Não vamos reagir a atitudes infantis de um menino mimado. Os argumentos que ele evoca são completamente falsos e desprovidos de qualquer realidade", diz.

Segundo Manuel Fernandes, o secretário provincial da CASA-CE em Luanda foi "um dos atores que muito destratou" os líderes dos partidos políticos. "Provavelmente sempre foi aquele que mais investiu para que houvesse rotura na CASA-CE", rebate o dirigente.

Manuel Fernandes reafirma que os membros da CASA-CE não mudaram de posição e defendem o diálogo na organização: "Somos pela inclusão, mas respeitamos a decisão de cada militante e de cada dirigente, não vamos coagir ninguém. É um direito que assiste a qualquer cidadão ou qualquer militante de continuar ou então entender assumir novos rumos. O que está mal é sair, tentando borrar a boa imagem das pessoas".

Em declarações à TV Zimbo, o deputado Lindo Bernardo Tito, um dos independentes que faz parte do Conselho Presidencial, disse que os políticos da CASA-CE devem manter a coligação viva. "As pessoas querem a CASA-CE e acreditam na CASA-CE. temos uma grande responsabilidade de mantermos a coligação porque criámos expectativas para as pessoas", defendeu.

Os próximos passos da terceira força política poderão ser conhecidos assim que o líder da CASA-CE voltar para Angola. Fonte da CASA-CE garantiu à DW África que Abel Chivukuvuku deverá regressar a Luanda esta quinta-feira (06.09).

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