Líbia: Fações rivais suspendem participação em negociações em Genebra | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 25.02.2020
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Líbia: Fações rivais suspendem participação em negociações em Genebra

As fações rivais líbias convidadas pela ONU a marcar presença nas negociações políticas agendadas para esta quarta-feira (26.02), em Genebra, decidiram suspender a participação no diálogo, alegando motivos diferentes.

O Parlamento com sede no leste da Líbia, onde o marechal Khalifa Haftar é o homem forte, anunciou que não vai comparecer na reunião porque a missão de apoio da ONU na Líbia (UNSMIL, na sigla em inglês) não aprovou a totalidade dos 13 representantes designados.

Já a outra fação na disputa do poder líbio, o Conselho de Estado (equivalente a um Senado), com sede em Tripoli e apoiante do Governo de Acordo Nacional líbio (reconhecido pela ONU), indicou que prefere esperar até que sejam feitos progressos nas negociações militares.

"É à luz das conclusões (das discussões militares) que o Alto Conselho de Estado irá decidir se deve ou não participar no diálogo político", referiu o órgão.

O diálogo inter-líbio, conduzido sob os auspícios da ONU, está a ser desenvolvido em três vertentes: militar, política e económica. Duas reuniões de cariz económico ocorreram nas últimas semanas em Tunes (Tunísia) e no Cairo (Egito).

As conversações políticas, previstas para arrancar na quarta-feira, deviam contar com representantes das duas fações rivais líbias e personalidades convidadas pelo enviado especial da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé.

Projeto de acordo de cessar-fogo

No que diz respeito à vertente militar, a ONU anunciou hoje que as fações rivais líbias, envolvidas nos últimos dias em conversações militares em Genebra, na Suíça, tinham alcançado um "projeto de acordo de cessar-fogo".

Libyen Konflikt Symbolbild | eneral Haftar ARCHIV

Marechal Khalifa Haftar

"As duas partes concordaram em apresentar um projeto de acordo aos respetivos líderes para novas consultas e reunir-se novamente no próximo mês para retomar as conversações", indicou a UNSMIL.

Caso o acordo seja validado pelas duas fações rivais, a UNSMIL será responsável, em parceria com uma comissão militar conjunta, pela monitorização do cessar-fogo.

Esta comissão militar conjunta, que se reuniu até domingo (24.02) em Genebra, é composta por 10 altos responsáveis militares, cinco oficiais de cada fação militar.

Data para início do diálogo mantém-se

Questionado pela agência France-Presse, um porta-voz da UNSMIL indicou que a data para o início do diálogo político será mantida. "O diálogo político líbio será mantido como previsto, em 26 de fevereiro. Muitos dos participantes já chegaram a Genebra e esperamos que todos os participantes convidados sigam o exemplo", declarou Jean El Alam.

"Se a missão da ONU insistir em organizar a reunião política na data prevista antes de conhecer as conclusões do diálogo militar, o Alto Conselho de Estado não se considera vinculado às conclusões do diálogo político", declarou hoje, por sua vez, o presidente do Conselho, Khaled el-Mechri.

A Líbia, que possui as reservas de petróleo mais importantes no continente africano, está mergulhada num caos político desde a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011. Desde 2015, o Governo de Acordo Nacional líbio, estabelecido em Tripoli e reconhecido pela ONU, e as forças leais ao marechal Khalifa Haftar disputam o poder.

A situação tornou-se ainda mais crítica desde o início da ofensiva militar das forças do marechal Haftar, que avançou em abril de 2019 contra Tripoli.

Um cessar-fogo foi estabelecido em janeiro passado sob os auspícios da Rússia, que apoia Khalifa Haftar, e da Turquia, aliado do governo formado em 2015 e liderado por Fayez al-Sarraj, mas a trégua foi sucessivamente violada.

Desde o início da ofensiva das tropas de Haftar sobre Tripoli foram mortas mais de mil pessoas, incluindo mais de duas centenas de civis, e mais de 140.000 líbios estão deslocados, segundo a ONU.

Leia mais