Guiné-Bissau: Um novo braço-de-ferro entre Presidente e o Governo | Guiné-Bissau | DW | 13.02.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Um novo braço-de-ferro entre Presidente e o Governo

As divergências persistem a pouco mais de 48 horas do início da campanha eleitoral, sob muita agitação social.

A pouco mais de 48 horas do início da campanha eleitoral para as legislativas do próximo dia 10 de março, a Guiné-Bissau vive momentos de muita agitação social. O Governo propõe uma mulher para liderar o ministério do Interior, enquanto o Presidente José Mário Vaz quer o homem da sua confiança no cargo.

Nas ruas da capital guineense, observadores constatam um grande mistério à volta da nomeação do novo ministro do Interior, na sequência de divergências entre o Presidente da República e o Governo no que concerne à pessoa que deverá ser o titular da pasta.

Uma mulher para o cargo

O primeiro-ministro Aristides Gomes propôs nesta quarta-feira (13.02.) ao Presidente José Mário Vaz a nomeação de uma mulher, cujo nome ainda não foi revelado para garantir a segurança de todo o processo eleitoral.

Guinea-Bissau - Aristides Gomes, Premierminister von Guinea Bissau (Präsidentschaft von Guinea-Bissau)

Aristides Gomes

Mas fontes oficiais confirmaram à DW que José Mário Vaz não concordou com a proposta e quer indicar para o cargo um homem da sua confiança. A atitude não agrada ao Governo.

Após uma reunião de quase 40 minutos, o primeiro-ministro Aristides Gomes disse apenas que foi discutida a questão da segurança eleitoral, sem contudo adiantar mais detalhes.

O presidente da Comissão Nacional de Eleições, José Pedro Sambú, foi entretanto ao Palácio Presidencial manifestar a sua inquietação com a segurança eleitoral, nas vésperas do início da campanha eleitoral, marcado para sábado (16.02.).

"O Presidente garantiu-nos que vai nomear brevemente o ministro do Interior. Como sabem é o interlocutor direto da CNE (Comissão Nacional de Eleições) durante o processo eleitoral e nós manifestamos essa preocupação ao Presidente da República, no sentido de resolver rapidamente essa situação. Estamos preocupados porque até agora ainda não se constituiu a força conjunta que faz segurança e acompanha os materiais eleitorais que são distribuídos às comissões regionais de eleições e vamos entrar na fase da campanha eleitoral que é preciso garantir a segurança", disse.

Também as organizações da Sociedade Civil reuniram-se com o Presidente guineense para pedir que nomeie o mais breve possível o novo titular da pasta do Interior.

Ouvir o áudio 03:11
Ao vivo agora
03:11 min

Guiné-Bissau: Um novo braço-de-ferro entre Presidente e o Governo

Fodé Carambá Sanhá é o porta-voz das organizações da Sociedade Civil e em declarações à imprensa disse que "não podíamos declinar desta preocupação, até já enviamos uma carta ao Presidente da República, pedindo que se tome diligências no sentido de nomear com mais brevidade possível, antes do início da campanha eleitoral, o ministro do Interior".

Recorde-se, que a Guiné-Bissau está há mais de três meses sem ministro do Interior, desde que o chefe de Estado demitiu das funções, em novembro de 2018, Mutaro.

Acabar com impasse entre Governo e professores

Entretanto, o impasse persiste enquanto aumenta a agitação social nas ruas de Bissau com jovens não-identificados a convocarem, em nome dos alunos, protestos e atos de vandalismo, perturbando desta forma a ordem pública.

A Rede dos Estudantes tem demarcado publicamente desses atos e pede que esses indivíduos sejam responsabilizados. Nesta quarta-feira, as associações de estudantes da Guiné-Bissau reuniram-se com o Presidente José Mário Vaz para pedir que intervenha para acabar com o impasse entre o Governo e os sindicatos dos professores, que iniciam uma nova greve na quinta-feira.

Guinea-Bissau Proteste gegen den Lehrerstreik in Bissau (DW/B. Darame)

Protesto em Bissau contra greve dos professores

"O Presidente disse que vai usar toda a influência junto do Governo para atender às reclamações dos professores", afirmou Tcherno Indjai, daquele movimento estudantil, depois do encontro com o chefe de Estado guineense.

Em declarações aos jornalistas, os representantes das associações de estudantes afirmaram que não convocaram nenhum protesto para esta quarta-feira e que há pessoas que querem aproveitar-se da situação.

Pacto de estabilidade assinado na quinta-feira?

Os estudantes salientaram que estão interessados numa solução e não em sair à rua, tranquilizando as pessoas de que não vão realizar protestos nos próximos dois dias.

 A greve de 16 dias dos professores das escolas começa na quinta-feira, na mesma altura em que os atores políticos guineenses deverão assinar um Pacto de Estabilidade Política e Social e o Código de Conduta e Ética Eleitoral, visando garantir a paz e permitir que o processo eleitoral decorra sem perturbações.

O pacto de estabilidade é uma ação conjunta do Movimento Nacional da Sociedade Civil e da Comissão Nacional Caminhos para o Desenvolvimento em articulação com a Assembleia Nacional Popular e a Presidência da República, envolvendo várias entidades, inclusive os partidos políticos.

 

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados