Guiné-Bissau: CPLP prepara missão de observação eleitoral | Guiné-Bissau | DW | 19.02.2019
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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: CPLP prepara missão de observação eleitoral

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai enviar observadores para acompanhar as legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau. Data da partida ainda não foi definida, mas já houve um convite de Bissau.

"Tratando-se de umas eleições num Estado-membro da CPLP haverá uma missão de observação eleitoral que irá para o terreno uns dias antes do ato eleitoral, composta por elementos de cada Estado-membro", declarou o secretário executivo da CPLP, em Lisboa, à margem de um encontro com o presidente em exercício da organização, o chefe de estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca.

A missão ainda está a ser preparada e não tem definida a data da partida, "mas já houve um convite" das autoridades guineenses "para que a CPLP se faça representar numa missão de observação eleitoral", estando agora a decorrer os processos administrativos, adiantou Francisco Ribeiro Telles.

Francisco Ribeiro Telles, Exekutivsekretär der Gemeinschaft der portugiesischsprachigen Länder (CPLP)

Francisco Ribeiro Telles, secretário executivo da CPLP

A campanha eleitoral para as eleições legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau começou no sábado (16.02), com 21 partidos políticos a disputarem os 102 lugares no parlamento guineense e com apelos ao civismo e respeito pela lei eleitoral.

O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, que iniciou, no domingo (17.02), uma visita de três dias a Portugal encontrou-se segunda-feira com o secretário executivo da CPLP e com todos os representantes permanentes da organização, na sua sede, em Lisboa, enquanto presidente em exercício da CPLP.

GTAPE nega "eleitores-fantasma"

Em comícios de abertura da campanha para as legislativas, o Partido da Renovação Social (segunda formação mais votada nas últimas eleições) e o Movimento de Alternância Democrática retomaram as suspeitas sobre a alegada existência de cerca de 200 mil "eleitores-fantasma" que o Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE) estaria a preparar-se para introduzir no banco de dados eleitorais. Os dois partidos acusam o primeiro-ministro, Aristides Gomes, de ter dado ordens ao GTAPE nesse sentido.

Em declarações à Lusa, o diretor adjunto do GTAPE, Cristiano Na Betam, disse ser impossível a existência de "eleitores-fantasma" no atual processo e afirmou que os partidos já foram "devidamente esclarecidos" sobre o que se passa em relação a "pouco mais que 100 mil eleitores, e não os 200 mil de que se ouve falar".

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Alemanha "segue" processo político na Guiné-Bissau

Na Betam negou que sejam eleitores não recenseados e explicou que se trata de pessoas cujos dados não foram passados de forma automática dos computadores do registo eleitoral para o servidor central do GTAPE, durante a chamada sincronização de dados. Durante os cruzamentos alfanuméricos e biométricos dos registos eleitorais, percebeu-se que haviam muitos recenseados cujos nomes não apareciam nos cadernos, indicou o responsável, tendo de pronto o GTAPE procedido ao apuramento daquela situação.

"Notámos que havia registos que ficaram encapsulados nas memórias dos computadores do recenseamento", sublinhou Cristiano Na Betam, negando que se tratam de 200 mil eleitores. "Estamos a falar de 100 e tal mil eleitores", observou o diretor adjunto do GTAPE, acrescentando que os dados daqueles eleitores não foram introduzidos corretamente nos computadores do recenseamento, nomeadamente as impressões digitais e logo não foram assumidos de forma normal pelas máquinas.

O responsável do GTAPE esclareceu que não se trata de novos eleitores, mas admitiu que o número final de inscritos para votarem no dia 10 de março irá aumentar, com a junção dos "100 e tal mil eleitores" no banco de dados. No passado dia 23 de janeiro, o GTAPE divulgou que foram registados 733.081 mil potenciais eleitores. 

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