Etiópia: Milícias regionais mobilizam-se para enfrentar tropas de Tigray | NOTÍCIAS | DW | 27.07.2021

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NOTÍCIAS

Etiópia: Milícias regionais mobilizam-se para enfrentar tropas de Tigray

Tropas de Tigray avançam enquanto governos regionais mobilizam militares e milícias para conter ofensiva. Grupos diversos ingressam no conflito com agendas próprias: "É a receita para algo catastrófico", diz analista.

Äthiopien Hawassa | SNNP, Sidama

Tropas da TPLF estariam em contraofensiva no sul da Etiópia

Residentes da região de Amhara iniciaram a mobilização esta segunda-feira (26.07) em respostas aos apelos do governo pela defesa da região etíope contra as forças da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF). No domingo o chefe do Governo regional, Agegnehu Teshager, apelou a "todos os jovens" para pegarem em armas contra os combatentes da TPLF, que dizem estar a avançar mais para sul, em direção ao território de Amhara.

Nos últimos dias, militares de seis regiões do país - que ainda não se tinham envolvido no conflito - iniciaram a mobilizaçãop. Os combates das tropas governamentais contrao a TPLF iniciou em novembro de 2020, quando o Primeiro Ministro etíope Abiy Ahmed lançou a ofensiva militar.

Oromia, a região mais populosa da Etiópia, assim como Sidama, Somália e as Nações do Sul, Nacionalidades e Povos (SNNP) confirmaram o envio das suas tropas, podendo se juntar às forças regulares de Amhara que já lutam lado a lado com as tropas federais.  "Enviámos mais de duas mil milícias para a frente", confirmou à agência noticiosa Bloomberg, Simenhe Ayalew - administrador da Zona Ocidental de Gojam em Amhara.

 

Äthiopien Tigray-Krise

Soldados governamentais feridos num camião chegam a Mekele, capital de Tigray

Tropas federais dizimadas

Entretanto, Kjetil Tronvoll, professor de paz e conflitos no Bjorknes University College da Noruega, considera que o recurso às milícias com fraco treinamento neste conflito, explica-se pelo facto de quea guerra dizimou as tropas federais. Por isso que o académico antevê o cenário sombrio nos próximos tempos. "Estas milícias podem basicamente ser vistas como carne para canhão e podemos esperar muitas baixas e se não desertarem ou se renderem em grande número".

O Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed apelou ao apoio militar regional depois que a TPLF retomou o controlo da capital regional, Mekele, e expulsou em junho, a Força de Defesa Nacional da Etiópia. A agência noticiosa Reuters reporta que os combatentes do TPLF estariam em direção à Afar, uma região considerada estratégica no país, porque passa por ali a linha férrea que liga a capital Addis Abeba à Djibouti.

O professor de Relações Internacionais da Fort Lewis College, nos EUA, Yohannes Woldemariam observa que: "Se a TPLF conseguir cortar a linha férrea, então o governo central não terá acesso ao porto marítimo". A Etiópia tem um sistema federal com 10 estados regionais, constituídos na sua maioria na base étnica. Cada estado regional tem as suas próprias forças especiais e grupos de milícias locais geralmente compostos por agricultores.

Äthiopien Tigray-Krise

Soldados etíopes capturados dirigem-se a prisão de Mekele, capital de Tigray

Classificados como "terroristas"

Melisew Dejene, da Universidade de Hawassa, na Etiópia, considera que o apoio de tropas de outras regiões visa defender o interesse nacional. "O TPLF foi considerado como um grupo terrorista pelo governo federal, através de um decreto, por isso agora tornou-se uma ameaça para a nação". Mas, Yohannes Woldemariam alerta que o envolvimento de muitos grupos com agendas diferentes pode alastrar mais o conflito.

"É uma situação muito perigosa, quando temos tantos grupos que lutam e têm os seus próprios problemas e as suas próprias agendas. Isto parece ser uma receita para algo realmente catastrófico".

O conflito em Tigray já provocou a morte de milhares de pessoas. Mais de 75 mil refugiados, que atravessaram à fronteira para o vizinho Sudão. Há mais de 2 milhões de deslocados internos. No início deste mês, a ONU alertou que há cerca de 400 mil pessoas com fome no Tigray e outras 1,8 milhões à beira da fome.

Assistir ao vídeo 03:25

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