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Foto: Simão Lelo/DW

Nem todos os eleitores conseguiram votar em Cabinda

Simão Lelo
24 de agosto de 2022

Multiplicam-se as denúncias e queixas na província de Cabinda sobre as eleições gerais desta quarta-feira. Vários eleitores dizem que não conseguiram votar, porque o seu nome estava registado noutra assembleia.

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Em Cabinda, as urnas abriram por volta das 7h da manhã em quase todas as assembleias. Num ou noutro local, houve queixas sobre o posicionamento das mesas e alguns atrasos, como na assembleia no bairro "A Vitória é Certa".

Na escola de Lombo Lombo, alguns cidadãos entenderam que as mesas deviam ser colocadas no pátio. Os membros da assembleia estavam a trabalhar à luz de lanterna, porque faltava energia, e isso preocupou vários eleitores.

Por outro lado, houve eleitores que disseram que não chegaram a votar, mesmo tendo feito o registo eleitoral. Joana, por exemplo, denunciou que, ao chegar ao local de votação, descobriu que o seu nome estava registado noutra assembleia em Cabinda.

"Da vez passada, votei no Mawete, na zona da Cava-Terra. Quando fui atualizar, disse que agora estou a morar no Chinga. Os agentes disseram-me que ia votar mesmo no Chinga, mas, chegando aqui, infelizmente calhei na outra assembleia."

"Porque não posso contribuir com o meu voto?"

António diz que viveu uma situação semelhante, mas com a agravante do seu nome ter calhado na província de Benguela.

Eleições em Angola: "Votou, sentou" ou "votou e bazou"?

"Posto na assembleia, disseram que o meu recibo está para votar em Benguela. A atualização foi feita em Benguela, mas, estando de férias, queríamos exercer o nosso dever na nossa província."

Abrão Tiago, outro cidadão eleitor, não chegou a votar, pois, até àquela hora, quem possuía documentos caducados e apenas recibos não era aceite pela CNE. 

"Eu fui assaltado, mas tinha a cópia do bilhete válido. Atribuíram-me a ficha e dizem que não poderia ser atendido, mas o meu nome apareceu. Porque não posso contribuir com o meu voto para o país?"

Votar com o bilhete caducado

Só depois, com o crescente número de eleitores nessa situação, a CNE autorizou o voto de cidadãos com bilhete caducado, talão de emissão de bilhete do registo eleitoral e cópia do bilhete de identidade.

Segundo dados da Comissão Provincial Eleitoral (CPE), a província de Cabinda tem 360 mil eleitores. A contagem dos votos decorre neste momento.

A Igreja Católica local anunciou esta quarta-feira que não foi credenciada como observador. O responsável da Comissão de Justiça e Paz em Cabinda, o padre Mbuca, fez uma publicação nas redes sociais apelando a mais transparência.

"Não precisamos de estar lá nas mesas, porque não fomos credenciados. Mas cada um com os números de assembleias de votos que identificou, quando forem 17 horas e 30 minutos, agradecia que passassem nas mesmas a fim de fazerem fotos nas respetivas atas", escreve o sacerdote.

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