Eleições Nigéria: Há condições para a votação em Borno? | NOTÍCIAS | DW | 15.02.2019
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Eleições Nigéria: Há condições para a votação em Borno?

Os eleitores do nordeste da Nigéria estão ansiosos por votar nas presidenciais e legislativas deste sábado (16.02.). Mas os desafios de segurança naquela região ameaçada pelo grupo jihadista Boko Haram são enormes.

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Muhammadu Buhari (esq.) e Atiku Abubakar, candidatos favoritos das presidenciais

Maiduguri, a capital do estado de Borno, tem crescido nos últimos anos - uma grande percentagem dos mais de dois milhões de nigerianos que fugiram dos ataques do Boko Haram buscaram refúgio na cidade. São inúmeros os campos de refugiados espalhados por Maiduguri e arredores.

Bakassi, localizado próximo do centro da cidade, é um desses locais. Pelo menos 30 mil deslocados vivem no campo de Bakassi, segundo a Agência de Gerenciamento de Emergências do Estado de Borno, que administra o local. Dias antes das eleições, a Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC) esteve no local para emitir cartões de eleitor.

Os que vivem nos acampamentos de Maiduguri esperam que a situação se acalme após as eleições, para que possam retornar às suas casas. Enquanto isso, eles ainda têm a chance de votar nas assembleias de voto que serão abertas para as eleições gerais nos campos de refugiados.

Logística garantida?

Ouvir o áudio 03:35

Eleições Nigéria: Há condições para votação em Borno?

Várias comunidades desenraizadas por ataques do Boko Haram transferiram provisoriamente a sua administração para os campos - e a Comissão Eleitoral também está a fazer uso dessas sedes. À luz da atual situação de insegurança em grande parte do nordeste da Nigéria, o cientista político Jibrin Ibrahim avalia positivamente o trabalho das autoridades eleitorais.

"Isso de certa forma tornará a logística eleitoral ainda mais fácil, porque as eleições serão concentradas nos grandes centros urbanos, onde as pessoas estão concentradas e congregadas. Acredito, portanto, que as eleições poderiam ter um nível razoável de credibilidade apesar das dificuldades de segurança que são impostas", entende Jibrin Ibrahim.

O cientista político ajudou a criar uma rede nacional de observadores da sociedade civil nigeriana, que deverá acompanhar a votação em pelo menos 30% das assembleias de voto em todo o país.

As promessas das autoridades 

Entretanto, as forças de segurança tentam eliminar qualquer dúvida sobre a segurança das eleições em Borno. O chefe da corporação nigeriana de Segurança e Defesa Civil em Borno, Abdullahi Ibrahim, disse que, juntamente com a polícia e o exército, garantirá a segurança em cerca de 4 mil secções eleitorais no estado.

Nigeria Abdullahi Ibrahim

Abdullahi Ibrahim, chefe de Segurança e Defesa Civil em Borno

"As atenções agora estão voltadas para o Boko Haram, porque com a inteligência confiável que reunimos, estamos a aumentar a pressão sobre eles. É por isso que dentro de Maiduguri há relativa paz e também nos arredores. É por isso que a comissão eleitoral vai realizar eleições em todos os distritos do estado", diz Abdullahi Ibrahim.

Mas o especialista em segurança, Kabir Adamu, não está tão convencido disto: "É muito improvável que as eleições sejam realizadas em alguns distritos no norte de Borno em particular. Por exemplo, em Damasak, Mubar é muito improvável. Há um conflito armado em andamento."

No entanto, as autoridades nigerianas garantem que, mesmo em distritos marcados por conflitos, os cidadãos poderão votar em assembleias de voto instaladas em campos de refugiados.

Na corrida presidencial, os nigerianos contam com mais de 70 candidatos. Mas os dois favoritos são o atual Presidente Muhammadu Buhari e o seu rival Atiku Abubakar. Também neste sábado (16.02.) os eleitores vão eleger deputados. A 2 de março, voltam às urnas para as eleições regionais.

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