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Crise política: O que conseguirá a missão da CPLP em Bissau?

10 de dezembro de 2025

Missão de alto nível da CPLP deve chegar em breve à Guiné-Bissau, depois do Conselho de Ministros da organização ter recomendado a suspensão temporária do país, no contexto do suposto golpe de Estado de 26 de novembro.

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Guiné-Bissau Bissau 2025 | Soldados patrulham as estradas principais de Bissau
Foto: Luc Gnago/REUTERS

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) decidiu formar uma "Missão de Bons Ofícios de Alto Nível" que deve chegar em breve à Guiné-Bissau. Fonte da organização, contactada pela DW, não confirma a data, nem quem chefiará a delegação.

Em comunicado, no início do mês, o Conselho de Ministros da organização condenou a interrupção do processo eleitoral na Guiné-Bissau, após o golpe de Estado de 26 de novembro, considerando que tal constitui uma grave violação aos princípios democráticos e da vontade soberana do povo guineense, defendendo a retoma urgente da ordem constitucional.

A deputada guineense Odete Semedo, presidente do Grupo Nacional da Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP) - que está a preparar uma reunião de emergência - tem expetativas moderadas em relação à missão da CPLP.

"Eu acredito que esta e outras missões que se fizerem à Guiné-Bissau levarão algo e que nos deixem algo, mas que sejam honestos e sinceros", afirmou. 

Contudo, acredita na força da união: "Quando nós estamos num grupo seja ele cultural, linguístico, seja regional, sub-regional ou continental, é porque há alguma razão que nos fez juntar. Porque juntos seremos sempre mais fortes”.

Cabo Verde | Eleições legislativas | Ulisses Correia e Silva
Ulisses Correia e Silva, primeiro ministro de Cabo VerdeFoto: Seyllou/AFP/Getty Images

Papel da comunidade internacional 

Os guineenses estão desapontados em relação à postura da comunidade internacional depois do golpe, refere Semedo, acrescentando que, para lá da escolha do povo, haverá outras vontades e interesses.

"Há outras vontades que muitas vezes falam mais alto, porque há interesses inconfessos, [mas] o que se passa hoje na Guiné-Bissau, se não for resolvido [adequadamente], vai descambar para outros países também", alerta.

Crises político-militares com a implosão do quadro institucional, como o que se vive na Guiné-Bissau, "devem merecer a devida atenção", segundo as palavras do primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, que olha para a situação no país africano com preocupação.

"Não é desejável qualquer situação de golpe de Estado para resolver problemas de poder ou problemas de contenda de poder. A nossa posição é clara em relação a esta matéria: A retoma da normalização institucional para que o país possa funcionar é o desejável e o necessário”, apela.

Em declarações à DW na capital portuguesa, à margem da apresentação do seu livro "Cabo Verde – Crises e Resiliência", o chefe do Executivo cabo-verdiano deixou ainda um apelo: "Cabe também aos guineenses conseguirem definir esse quadro de entendimento, porque é muito importante. É claro que a pressão internacional também é importante".

Portugal | Víctor Ramalho - Secretário-geral da UCCLA
Víctor Ramalho, ex-secretário geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA)Foto: João Carlos/DW

Investigação ao suposto golpe

A situação política na Guiné-Bissau, particularmente após a nomeação do governo de transição, levanta "grandes suspeições" sobre a autoria da iniciativa de golpe de Estado executada pelos militares. É o que defende Victor Ramalho, ex-secretário geral da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa). Por isso, insiste, é necessária uma investigação profunda sobre os acontecimentos.

"A comunidade internacional não pode prescindir de a fazer. É inaceitável que, se essa suspeição corresponder à realidade, não se tomem medidas, quer ao nível da CPLP, quer ao nível dos países limítrofes da Guiné-Bissau, quer ao nível da União Europeia, quer dos países individualmente que enviaram representantes, quer da parte da própria ONU". diz.

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João Carlos Correspondente da DW África em Portugal
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