Crise em Tigray: Etiópia defende resposta africana na ONU | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 26.09.2021

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Internacional

Crise em Tigray: Etiópia defende resposta africana na ONU

A Etiópia pediu à comunidade internacional uma abordagem "construtiva" em relação ao conflito em Tigray, sem sanções e intervenções. Também defendeu que os países deixem a União Africana trabalhar na resolução da crise.

Rebeldes da região de Tigray

Rebeldes da região de Tigray

No seu discurso durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), este sábado (25.09), em Nova Iorque, o vice-primeiro-ministro etíope, Demeke Mekonnen, defendeu a conduta do seu país no conflito que já dura 10 meses na região de Tigray.

"As receitas e medidas punitivas nunca ajudaram a melhorar as situações ou as relações [num conflito]", disse Mekonnen, menos de 10 dias depois de os Estados Unidos ameaçarem impor sanções contra o primeiro-ministro Abiy Ahmed e outros líderes se não tomarem medidas em breve para parar os combates naquela região.

"Embora a cooperação e a preocupação dos nossos amigos seja bem-vinda, sublinhamos a necessidade de empregar uma abordagem construtiva, cultivar a confiança e assegurar a compreensão", disse o vice de Abiy, queixando-se de que o seu país estava a enfrentar uma "medida coerciva unilateral" sem citar os EUA.

Procurada pela agência de notícias Associated Press (AP), a missão dos EUA nas Nações Unidas não respondeu imediatamente a um pedido de comentários.

Äthiopien | Abstimmung EPRDF

Demeke Mekonnen (esq.) ao lado de Abiy Ahmed

Conflito em Tigray

A guerra em Tigray começou em novembro do ano passado, após um confronto político entre Abiy e os locais, que durante muito tempo dominaram o Governo nacional.

O conflito desencadeou uma crise de fome, ameaçou a estabilidade no segundo país mais populoso de África e beliscou a imagem de Abiy dois anos depois de o primeiro-ministro ter ganho o Prémio Nobel da Paz por ter alcançado a paz com a vizinha Eritreia, que estão do lado de Adis Abeba nos combates em Tigray.

Os Estados Unidos e as Nações Unidas dizem que as tropas etíopes impediram a passagem de camiões que transportavam alimentos e outras ajudas. Dezenas de pessoas morreram à fome, segundo a AP.

Violações dos direitos humanos

Por seu turno, o gabinete dos direitos humanos da ONU diz que todos os lados cometeram abusos.

Relatos de testemunhas até agora indicam que os civis do Tigray têm sido sujeitos às atrocidades mais generalizadas, imputadas ao Governo etíope, às milícias Amhara e aos soldados da Eritreia. No entanto, as acusações contra as forças de Tigray têm sido feitas desde que retomaram grande parte da região em junho e entraram na vizinha Amhara.

Mas o vice-primeiro-ministro Mekonnen sugeriu que os críticos internacionais foram influenciados por uma "campanha de propaganda distorcida", e disse que os líderes da Etiópia estavam a chegar para ver os esforços de assistência humanitária como "um pretexto para avançar com considerações políticas".

 Äthiopien I Hungerkrise in Tigray

Milhares de pessoas dependem de ajuda humanitária na região de Tigray

Insistindo que o governo estava empenhado em ajudar o seu povo, disse que iria trabalhar com "parceiros que aderissem aos princípios de neutralidade, independência e humanidade e às leis do país".

"Parte disto, nenhuma desculpa justificará qualquer tentativa de intervenção nos nossos assuntos internos", advertiu o vice-primeiro-ministro.

Trabalho com a União Africana

O vice-chefe do Governo etíope disse que o país estava dispostO a trabalhar com a União Africana (UA), e o seu novo representante especial no Corno de África, no sentido de um "diálogo nacional liderado pela Etiópia".

"Só esperamos que seja dado à União Africana o espaço para aplicar a sua própria sabedoria", disse Mekonnen.

Debretsion Gebremichael, líder das forças de Tigray, disse numa carta à ONU no mês passado que a UA "não pode oferecer qualquer solução para a guerra".

Numa carta posterior a mais de 50 chefes de Estado e de Governo e organizações multilaterais, Gebremichael pediu-lhes que pressionassem a Etiópia para "o levantamento imediato e incondicional do cerco a Tigray" e "uma negociação patrocinada e abrangente a nível internacional" para um cessar-fogo.

Assistir ao vídeo 02:13

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