Covid-19 na Guiné-Bissau: ″As autoridades não estão a cumprir″ | Guiné-Bissau | DW | 06.05.2020

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Guiné-Bissau

Covid-19 na Guiné-Bissau: "As autoridades não estão a cumprir"

Médico guineense responsabiliza as autoridades por falhas durante o estado de emergência. "Deviam cumprir e depois fazer cumprir". Há 475 casos de Covid-19 no país. Na terça-feira foi confirmada mais uma morte.

A situação é cada vez mais preocupante na Guiné-Bissau e os números sobem todos os dias, apesar das medidas de confinamento decretadas pelas autoridades nacionais. Cinco membros do Governo, incluindo o primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, estão infetados pela Covid-19, o que levou ao seu isolamento num dos hotéis de Bissau.

O ministro do Interior, Botche Candé, que também está infetado pelo novo coronavírus, ordenou num despacho de 5 de maio, que todo o pessoal afeto ao seu ministério, a nível nacional, efetue testes à Covid-19. E ameaçou com processo disciplinar quem não cumprir a ordem.

Perante a subida dos casos, o presidente do Instituto Nacional de Saúde (INASA), Dionísio Cumbá, lança críticas a algumas clínicas privadas do país: "Não é possível estarmos em pandemia e haver clínicas privadas que continuam a fazer seguimento de doentes, mas não põem suspeitos de Covid-19 como prioridade."

Autoridades dão o exemplo?

O médico guineense Mꞌboma Sanca aponta as falhas no cumprimento do estado de emergência pela população e na resposta das autoridades como as principais causas para o aumento dos casos positivos de coronavírus no país.

"O estado de emergência foi declarado, porque estamos perante uma situação atípica, de calamidade e de pandemia. Nestas circunstâncias, os países têm que adotar as medidas necessárias para poderem fazer face ao coronavírus, mas a população da Guiné-Bissau passou ao lado", afirma.

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Covid-19: Aglomerações continuam no maior mercado da Guiné-Bissau 

Segundo Sanca, a terceira fase do estado de emergência "ainda é pior em termos de cumprimento", porque "muitas pessoas ficaram infetadas e os próprios membros do Governo ficaram infetados. Isso não é bom prenúncio. Significa que as próprias autoridades é que não estão a cumprir, porque elas é que deviam cumprir e depois fazer cumprir. Caso contrário, a população vai ficar relaxada."

Máscara não está a ser usada

A realidade do país é que, no período reservado para o funcionamento dos mercados há muita aglomeração de pessoas, algumas delas sem máscaras de proteção. O distanciamento físico é praticamente nulo.

Ouvidos pela DW, vários cidadãos guineenses apelam ao respeito das orientações sanitárias para combater a doença: "Nas ruas, muitas pessoas estão a andar sem máscaras, nem luvas. Os nossos governantes também não estão a acatar as medidas, outros estão a andar nos carros, e sem máscaras", disse um jovem estudante.

"A população deve reforçar as medidas de prevenção e o confinamento. Isto de ficar em casa vai ajudar-nos muito, porque é a saída para esta situação", afirmou outra cidadã.

A prevenção deve ser feita por todos, sublinha um feirante: "Todos os guineenses devem prevenir-se, porque é melhor. Doença como o coronavírus, todo o mundo sabe que não tem medicamento que a cure."

Assistir ao vídeo 01:11

Covid-19: Guiné-Bissau recebe carregamento de chá de Madagáscar

Como estancar a Covid-19?

No país, fala-se nas razões de aumento dos casos, mas também nas estratégias a adotar para estancar a propagação da Covid-19, de forma a evitar cenários mais graves. Para Mꞌboma Sanca, há três níveis de atuação "importantíssimos" para fazer face ao novo coronavírus na Guiné-Bissau.

O primeiro é o distanciamento social, que diz ser uma das medidas mais importantes, não só para o coronavírus mas também para outras doenças infetocontagiosas "capazes de passar de uma pessoa para outra".

"A outra coisa é que nós temos que isolar todos os casos positivos e, por último, a Guiné-Bissau tem que trabalhar com as pessoas que de grupos de risco, pessoas com HIV, doenças cerebrovasculares, hipertensão, diabetes e outras. Isso implica necessariamente saber do número, localização e como monitorizar essas pessoas, para não ficarem na rua a andar de um lado para o outro."

Os primeiros dois casos positivos do novo coronavírus foram confirmados na Guiné-Bissau a 25 de março. O primeiro de dois óbitos até agora registados, oficialmente, devido à doença, foi anunciado a 26 de abril.

As autoridades guineenses importaram de Madagáscar um medicamento tradicional que se acredita poder curar a doença, mas que a Organização Mundial da Saúde ainda não aprovou.

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