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Conflitos internos agitam partidos da oposição em Angola

30 de dezembro de 2025

Partidos da oposição angolana enfrentam tensões internas numa altura em que o país está prestes a entrar num ano pré-eleitoral. FNLA é acusada de sabotagem e Bloco Democrático enfrenta ação no Tribunal Constitucional.

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Protesto de militantes da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) em Luanda, Angola
Militantes denunciaram que a FNLA "está em perigo", apontando para a suposta existência de um grupo de membros que estariam empenhados em sabotar a reestruturação do partido (foto ilustrativa)Foto: DW/B. Ndomba

Estão cada vez mais à flor da pele os conflitos em vários partidos da oposição em Angola. Um grupo de militantes do Bloco Democrático (BD), o único parceiro político da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) na Frente Patriótica Unida, contesta a legalidade do processo que elegeu a atual direção do partido e interpôs uma providência cautelar junto do Tribunal Constitucional.

A porta-voz do BD, Valéria Americano Vitussi, garantiu que a situação está a ser tratada com serenidade: "O Bloco Democrático não está em crise. O que existe são posições e modos de pensamento diferentes, algo normal em qualquer organização política."

Entre os militantes que subscreveram a providência cautelar constam, entre outros, Laurindo David, secretário provincial do Huambo, e Geraldo Camufinfo Mayengue, secretário-adjunto no Namibe. O grupo alega irregularidades durante a convenção nacional do Bloco Democrático, em agosto – acusações que a direção do partido, liderado por Filomeno Vieira Lopes, rejeita.

A porta-voz do BD sublinhou que os militantes que elegeram a atual liderança "votaram de forma consciente, séria e responsável", reafirmando a confiança na direção saída da convenção.

"Não é o primeiro episódio desta natureza que o partido enfrenta e, no passado, saímos mais fortes e mais coesos", acrescentou Valéria Americano Vitussi, assegurando que o BD se está a focar na preparação das eleições gerais de 2027.

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Dificuldades na FNLA e no Partido Humanista

No início do ano pré-eleitoral em Angola, outro partido da oposição, o Partido Humanista, também enfrenta dificuldades internas, que estão a colocar em causa a tomada de posse dos comissários eleitorais.

Também a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) estará a enfrentar problemas. O militante Pedro Gomes alertou publicamente que a FNLA "está em perigo", apontando para a suposta existência de um grupo de membros que estariam empenhados em sabotar a reestruturação da formação política.

"É um grupo considerável que, de facto, não está a favor da FNLA. Há pessoas apostadas em destruir o partido", afirmou o militante. Pedro Gomes apelou à vigilância dos membros do Comité Central e dos militantes, classificando a situação como "premeditada" e orientada para enfraquecer a direção do partido.

Para o jurista e analista político António Ventura, os conflitos internos nos partidos da oposição tendem a intensificar-se à medida que se aproximam os anos eleitorais, acabando por "limitar ou até restringir" as suas atividades.

Por um lado, isso tem a ver com a história da democracia no país. Ventura recorda que muitos dos partidos atuais resultam da transição de movimentos de libertação para partidos políticos, como o MPLA, a UNITA e a FNLA, e que o processo de abertura multipartidária iniciado em 1992 levou à criação de várias formações políticas que, entretanto, desapareceram. "Continua a existir um problema estrutural sobre a forma como os partidos políticos se constituem em Angola", observa.

Por outro lado, o analista admite "interferências" vindas de fora das estruturas partidárias da oposição, com o objetivo de as desestabilizar. Esse fenómeno já teria ocorrido tanto com partidos como a FNLA, por exemplo, quanto com organizações da sociedade civil.

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