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Como está Moçambique um ano após eleições e protestos?

23 de dezembro de 2025

Foi há um ano que o Conselho Constitucional de Moçambique proclamou a vitória da FRELIMO e do candidato presidencial Daniel Chapo nas eleições de 2024. Seguiram-se meses de caos e incerteza no país. Que lições ficaram?

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Protesto em Maputo de apoiantes de Venâncio Mondlane
Nos bairros suburbanos de Maputo e da Matola, jovens saíram à rua e a polícia disparou gás lacrimogéneo para os dispersarFoto: Jaime Alvaro/DW

Pneus a arder nas rodovias, lojas saqueadas, barricadas a bloquear todos os acessos, esquadras e sedes do partido FRELIMO queimadas. Era a fúria popular contra a validação dos resultados eleitorais de 2024.

"Nós estamos a reivindicar porque não votamos na FRELIMO. Estamos aqui para mostrar que o nosso voto deve ser reconhecido", justificavam os manifestantes.

Em quase todos os bairros suburbanos de Maputo e da Matola, jovens saíram à rua e a polícia disparou gás lacrimogéneo e por vezes até balas letais que resultaram em vários mortos, feridos e detidos.

Protestos ilegais ou legítimos?

Um ano depois o cenário é de tranquilidade. O Presidente Daniel Chapo voltou a afirmar nos seus discursos que as manifestações foram criminosas, ilegais e violentas.

Mas a ativista Graça Machel, em mais uma sessão de diálogo nacional, entendeu que foram legítimas. "Não podemos continuar a dizer que todo o processo das manifestações foi ilegítimo. É verdade que deviam ter apresentado os pedidos dos locais por onde iriam passar etc, mas a reação, ela, era legítima", diz.

Por diversas vezes Venâncio Mondlane, então candidato às presidenciais que esteve à frente das manifestações, denunciou que havia infiltrados que agitavam o povo que "estava faminto" a assaltar armazéns de comida. Nisto concorda Graça Machel.

"Houve infiltração de elementos que cometeram crimes que deliberadamente foram queimar fábricas. Não foram os meus meninos que foram queimar fábricas, não. Os meus meninos foram assaltar fábricas porque estavam com fome", afirma.

Protestos pós-eleitorais: "Houve muita morte desnecessária"

Já o analista político Dércio Alfazema entende que as manifestações foram criminosas e que os responsáveis devem ir à barra da justiça. "O que nós assistimos foi o escalar, a convocação por fases com maior intensidade e com muita antecedência, então estamos perante uma situação criminal", considera.

Alfazema nega que os protestos eram um caminho para resgatar a democracia. Entende que, pelo contrário, as manifestações destruíram a democracia: "Um grande retrocesso da convivência entre os moçambicanos. Foi a degradação do nosso sistema democrático sob ponto de vista da presença da violência."

"Tem de haver responsabilização para educar a sociedade, aos futuros políticos de que esta não é a via acertada para fazer as reivindicações", defende ainda o analista.

Depois das manifestações, Moçambique encetou um Diálogo Nacional Inclusivo, para a estabilidade no país – um processo em que Venâncio Mondlane e o seu recém-criado partido ANAMOLA continuam a lutar para serem totalmente integrados.

Polícia dispara contra manifestantes ajoelhados em Maputo

Romeu da Silva Correspondente da DW África em Maputo