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Mosambik Klinik in Metuge
Foto: Adrian Kriesch/DW

Explosão de casos de cólera gera alerta em Cabo Delgado

Adrian Kriesch
10 de março de 2021

Ataques de terroristas fizeram médicos deixarem áreas de incidência da doença. Zonas rurais têm acesso limitado à vacina, que imuniza por apenas seis meses. Devido à habitação precária, a cólera também ameaça deslocados.

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Completamente exausta, uma jovem deita-se no chão, à entrada do Centro de Saúde de Metuge, Cabo Delgado, norte de Moçambique. Os médicos administraram-lhe soro enquanto ela espera por uma cama livre.

Segundo o diretor da unidade, Atanásio Romão Magunga, a maioria dos doentes com sintomas de cólera chega já tarde ao local para atendimento. A doença, que provoca fortes diarreias, é tratável, mas pode provocar a morte por desidratação se não for prontamente combatida. 

Causada, em grande parte, pela ingestão de alimentos e água contaminados, a cólera está a alastrar-se nesta região, especialmente nos campos de refugiados. Milhares de pessoas em fuga dos ataques terroristas encontraram aqui abrigo. A população de Metuge, perto da capital provincial de Pemba, duplicou nos últimos meses.

Mosambik Cabo Delgado | Angriffe von Islamisten
Ataques fizeram médicos deixarem de atender algumas comunidadesFoto: AFP/M. Longari

Evitam o centro de saúde

Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), cerca de 90% dos deslocados foram recebidos por familiares na região. Apenas 10% vivem nos campos de refugiados – muitas vezes, em condições desumanas.

"Temos medo que a situação esteja a piorar e que esteja escondida. Muitas pessoas não vão ao centro de saúde. Não temos a certeza dos motivos. Em parte, acreditam que, se forem ao centro de saúde, serão infetadas com cólera lá", explica Maria Chavez, da MSF.

Nas zonas rurais, tem havido casos de destruição de casas de trabalhadores de saúde locais, que acabam sendo vistos pela população como responsáveis pelos casos de cólera.

A doença voltou a surgir no norte de Moçambique mais recentemente, após os ciclones Idai e Kenneth, em 2019. O Ministério da Saúde lançou uma campanha de vacinação contra a cólera, mas uma dose dura apenas seis meses. Muitas zonas rurais de Cabo Delgado tiveram acesso limitado à vacina.

Mosambik Ärztin Maria Chavez von Ärzte ohne Grenzen
Chavez: "Já temos tantas mortes como em todo o ano passado" Foto: Adrian Kriesch/DW

Milhares de casos

Não há números oficiais, mas o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários contabilizava 55 mortes em 5 mil casos de cólera no norte de Moçambique até 24 de fevereiro – sobretudo em Metuge, onde se situa a maioria dos campos de acomodação.

"Há muita cólera. As pessoas têm medo de morrer. Este ano, em janeiro e fevereiro, já temos tantas mortes como em todo o ano passado, talvez até mais”, informa a médica Maria Chavez.

A maioria das pessoas que adoece na região morre de malária, febre ou diarreia. A isto, junta-se agora a Covid-19, mas, fora de Pemba, não há quase nenhuma hipótese de haver testes. Mesmo na capital provincial, a obtenção dos resultados dos testes demora quase uma semana. Em muitos lugares no norte, não existem clínicas. 

Data visualization COVID-19 New Cases Per Capita – 2021-03-10 – Africa - Portuguese (Africa)
Novos casos da Covid-19 em África

Macomia sem Médicos Sem Fronteiras

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) tiveram recentemente de se retirar de Macomia, por exemplo, por causa dos ataques

"Não há previsão de que a cólera vai eclodir, porque já estamos dentro do surto. Desde junho que registamos casos de diarreia e tivemos um pico. Estamos a controlar a diarreia. Ao nível do distrito, tivemos sete entradas de doentes com cólera e um total de seis óbitos, num cumulativo de 1.527 casos observados”, informa Magunga.

O diretor garante que, no centro de saúde de Metuge, no entanto, a situação das doenças diarreicas está controlada.

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