Bissau: "Povo não vai permitir que inventona" prossiga
26 de novembro de 2025
Os militares guineenses tomaram, esta quarta-feira (26.11), o poder na Guiné-Bissau, depois de, horas mais cedo, terem sido ouvidos tirosjunto à Comissão Nacional de Eleições e da Presidência da República.
Em reação à DW, o ativista e coordenador da Frente Popular, Armando Lona, diz tratar-se de "um falso golpe de Estado" para evitar a vitória da oposição nas eleições presidenciais de domingo passado.
DW África: Como reage aos últimos acontecimentos na Guiné-Bissau?
Armando Lona (AL): Estamos perante uma encenação, uma campanha de desinformação da opinião pública, nacional e internacional. Sobretudo desinformar a opinião pública internacional para complicar o processo eleitoral que está em curso. O povo votou no dia 23 e até ontem já se sabe que o apuramento a nível das regiões já está praticamente concluído. Portanto, de acordo com o cronograma da Comissão Nacional de Eleições, os resultados deveriam ser conhecidos amanhã.
DW África: Quer dizer que, na opinião da Frente Popular e de Armando Lona, não existe golpe de Estado?
AL: Não existe golpe de Estado. Existe sim, uma encenação que visa impedir que o vencedor, nesse caso das eleições presidenciais, seja proclamado como o próximo Presidente da República da Guiné-Bissau.
DW África: E essa tática é algo completamente novo ou é recorrente?
AL: É recorrente. Já tivemos, esta é a quinta vez, desde que este regime assumiu o poder na Guiné-Bissau. Cada vez que tem dificuldade, cada vez que está perante uma situação difícil politicamente, socialmente, vai recorrer a essa técnica de desviar a atenção. Nós sabemos que o povo guineense votou. Esse processo já estava muito avançado. Já sabíamos que as atas do apuramento regional já estavam todas prontas. Portanto, essa encenação é uma forma para travar o processo.
DW África: E travar como concretamente? Espera que a CNE diga que não está em condições de divulgar os resultados oficiais?
AL: Exatamente, o objetivo era mesmo as instauração da CNE com o objetivo de controlar o processo. Existe aqui um falso golpe, uma inventona, para evitar a vitória do candidato da oposição.
DW África: Como é que o coordenador da Frente Popular, o Armando Lona, acha que vai reagir a população da Guiné-Bissau perante tudo o que, na sua opinião, está a acontecer?
AL: Eu posso garantir que vai haver uma mobilização geral, uma mobilização política popular para travar essa tendência, porque as eleições foram um momento alto da cidadania do povo guineense. O povo guineense votou de forma ordeira, de forma democrática, de forma digna. Portanto, não podemos permitir que um grupinho de pessoas mantenha o país em desgraça permanente, anarquia institucional. Tenho toda a certeza, convicção, que a sociedade civil e a população que votou de forma expressiva não vai permitir mais que esta inventona tenha pés para andar.