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Moçambicanos nos EAU: "Não creio que queiram regressar"

2 de março de 2026

Moçambicanos residentes nos Emirados Árabes Unidos não sinalizam vontade de regressar, apesar dos ataques do Irão ao país. "Estamos dispostos a prestar todo o apoio necessário", disse o Governo moçambicano à comunidade.

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Emirados Árabes Unidos: Nuvem de fumo após ataque iraniano contra uma zona industrial
Ataque iraniano numa zona industrial nos Emirados Árabes UnidosFoto: Altaf Qadri/AP Photo/dpa/picture alliance

O Irão atacou este sábado (28.02) os Emirados Árabes Unidos (EAU), desde os interesses militares norte-americanos até aos símbolos do país: Edifícios majestosos em Dubai e Abu Dhabi. Tratou-se de uma resposta aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irão que terão matado centenas de pessoas, entre elas mais de 50 crianças numa escola.

Agora, a luta de grande parte dos estrangeiros é abandonar os EAU, mas a maioria das companhias aéreas suspendeu os voos no Médio Oriente. O Governo de Moçambique, através do seu Consulado no Dubai, emitiu esta segunda-feira (02.03) um comunicado fazendo apelos e afirmando, por exemplo, que "até ao momento não indicações que justifiquem alarme por parte da nossa comunidade".

No país há também uma comunidade de moçambicanose a DW falou com um membro para relatar o ambiente depois dos ataques aéreos. Em anonimato, uma cidadã, a quem chamaremos de Artemisa Almeida, relatou a situação. 

DW: Qual é a situação aí?

Artemisa Almeida (AA): A situação neste momento é calma. No sábado, quando começaram a ouvir-se as explosões por volta do meio-dia, houve uma certa tensão. Mas à medida que o tempo passava fomos sendo informados por canais oficiais que estávamos a ser alvo de ataques. Então, as autoridades também aconselharam aos residentes a manterem-se dentro das casas, não entrarem em estado de pânico e tudo mais.

Mas claro que no sábado foi um pouco mais intenso, na manhã de domingo foi menos, mas há um senso de acalmia e segurança, porque foram intercetados vários, se não a totalidade, cerca de 127 mísseis, e uns tantos drones, e apenas dois atingiram um e outro alvo, mas não provocou fatalidade nenhuma. Mas a sensação geral é de calma e esperança de que tudo isso vai terminar, a tarde de domingo já foi mais tranquila, ouviram-se menos explosões.

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As ligações aéreas dependentes de companhias árabes foram canceladas na sua maioria e os aeroportos de países como o Qatar ou Emirados Árabes Unidos estão apinhados de gente desesperada por sair da regiãoFoto: Johannes P. Christo/REUTERS

DW: O consulado da República de Moçambique no Dubai já se dirigiu à comunidade moçambicana aí, através de um comunicado hoje emitido. Quais são as recomendações?

AA: Recebemos um comunicado da Embaixada com números de contacto e também apelos à calma e também o comunicado reproduziu mais ou menos aquilo que o Governo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) está a apelar, a calma e a não disseminação de rumores e notícias falsas e aguardar pelos meios oficiais para reagir a qualquer eventualidade. Então, cabe dizer que a Embaixada realmente nos comunicou.

DW: Sabe qual é a situação da comunidade moçambicana aí? Se, por exemplo, ponderam abandonar o país?

AA: Eu não creio que haja moçambicanos que queiram regressar ou abandonar o país por causa desses incidentes, apesar de graves. Apesar de estarmos numa situação atípica, há um senso de segurança, porque nós somos informados e atualizados sobre os eventos. E o Governo informa sobre o que se está a passar e sobretudo presta alguma atenção.

Até este momento rondam três fatalidades e 58 feridos devido aos destroços dos misseis e dos drones que foram abatidos no seu percurso. De resto, não creio. No grupo de WhatsApp não há ninguém a manifestar vontade de regressar a Moçambique. No meu caso, não acho neste momento necessário uma atitude dessa natureza.

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Jornalista da DW Nádia Issufo
Nádia Issufo Jornalista da DW África