Angola: Inclusão de ativistas nas listas de candidatos a deputados gera polémica | NOTÍCIAS | DW | 04.08.2022

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

NOTÍCIAS

Angola: Inclusão de ativistas nas listas de candidatos a deputados gera polémica

A decisão dos partidos da oposição angolana, UNITA e CASA-CE, de incluir nas listas ativistas não membros destas formações políticas desencadeou contestação interna e um debate público aceso.

A inclusão de membros da sociedade civil nas listas de deputados à Assembleia Nacional  União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e da Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE) está a dividir opiniões dentro e fora dos círculos políticos, tanto mais que os estatutos partidários não contemplam diretrizes sobre o assunto. 

O facto gerou contestações internas a nível dos partidos, e levantou um debate público, no quel perpodnera algum ceticismo quanto à credibilidade dos ativistas políticos que, recentemente, lideraram várias manifestações em nome da sociedade civil.

A ativista Laurinda Gouveia, que em 2015 e 2016 foi uma das arguidas do processo dos "15+2”,  vê com ceticismo a inclusão de colegas seus nas listas de deputados. Gouveia entende que alguns dos agora candidatos usam a capa do associativismo para atingir fins pessoais.

Angola Mauer des Widerstands Laurinda Gouveia

Laurinda Gouveia representada no Muro de Resistência em Luanda

Perigo de instrumentalização?

Laurinda Gouveia disse que "alguns destes ativistas instrumentalizam-nos. Nós estivemos engajados a pensar que estávamos numa causa que era mudar Angola, e não simplesmente para sermos inseridos na lista de um partido político." disse a ativista à DW África.

Gouveia não acredita que os ativistas que figuram nas listas de deputados venham a desenvolver de defesa dos direitos humanos e sociais: "Infelizmente, os partidos políticos não estão muito preocupados com isso. Estão mais preocupados em avançar a agenda e muitas vezes não têm uma perspectiva de justiça, uma perspetiva de liberdade, uma perspetiva de mudanças reais." concluiu.

Constam da lista da UNITA à Assembleia Nacional alguns nomes como o da ativista Maria Luisa Garcia "Tchenguita Tchihuwku" anteriormente associada a um movimento feminista.

Os ativistas Pedro Teca ("Pedrowski"), da União dos Povos de Angola (UPA), e Hitler Samussuco (Terceira Divisão), bem com o académico Paulo Faria e o politólogo Olívio Nkilumbo, são outros representantes da sociedade civil que integram a lista de candidatos a deputados do maior partido na oposição em Angola.

 No dia da entrega da lista de candidatos a deputados da UNITA, um grupo de militantes do partido manifestou-se junto ao Tribunal Constitucional, para protestar contra a inclusão de pessoas sem militância partidária.

Celebração dos dez anos da CASA-CE

A CASA-CE também avançou com candidatos que não são membros do partido

A CASA-CE é outra formação política que inclui candidatos que não fazem parte dos partidos que integram a coligação eleitoral. O independente Makuta Nkodo, é o único canidato que que parece reunir consenso da maioria partidária. Já a candidatura de Hélder Chiuto, jurista e ativista, indicado ainda como secretário provincial de Luanda é contestada.

Um processo "normal"

Para o analista político Agostinho Sikatu a indicação de pessoas que não são membros dos partidos políticos cria ciúmes entre os militantes. "Nestes partidos políticos, durante o mandato de cinco anos, há jovens que se dedicam muito, que dão muito para o engrandecimento dos próprios partidos”.São estes jovens que geralmente fazem resistência a novos membros, mais ainda quando indicados numa lista de deputadosm diz Sikatu.

O também político discorda da narrativa de que a inclusão de ativistas e membros da sociedade civil em listas de partidos políticos seja uma estratégia para tentar silenciar a sociedade civil ou trair os seus ideais. "As pessoas fazem carreiras também, e o que acontece com essas pessoas é isso, passam pela sociedade civil, dão o seu contributo e os partidos políticos estão sempre atentos e vão pescando estas valências para as suas organizações", disse Sikatu à DW África.

Debate DW: O que os jovens políticos esperam de Angola?

Leia mais