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Angola | Impfung gegen Covid-19
Foto: António Ambrósito/DW

Angola: Corrida aos postos de vacinação contra a Covid-19

15 de outubro de 2021

Nos últimos dias, angolanos correram para tentar vacinar-se contra a Covid-19 e obter o certificado, que seria obrigatório para aceder a vários locais a partir desta sexta-feira. Governo adiou a medida até 1 de novembro.

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Há empurrões mais empurrões à entrada de um dos principais postos de vacinação da cidade da Caxito. Filas longas e sem distanciamento físico é outro cenário visível em diferentes postos de vacinação visitados pela DW na província do Bengo.

"Nós, que estamos aqui desde as quatro horas com bebé, não entramos, vamos só ficar mesmo já aí", dizia, exaltada, uma das cidadãs que tentou vacinar-se, esta quinta-feira (14.10), naquela que seria a véspera da entrada em vigor da nova medida de combate à pandemia imposta pelo Governo: a vacinação obrigatória para acesso a instituições e serviços.

Poucas horas depois, o prazo seria alargado até ao dia 1 de novembro "dando assim possibilidade a que os cidadãos continuem a vacinar, por forma a intensificar-se o processo de vacinação e criar-se as condições para a maior imunização dos cidadãos residentes e cidadãos nacionais", segundo Francisco Furtado, coordenador da comissão multissetorial de combate à Covid-19.

O também ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, disse que foi alterado o Decreto Presidencial 241/21, de 30 de setembro, que atualizou as medidas de prevenção e controlo da propagação do vírus SARS-COV-2 e da Covid-19, bem como as regras de funcionamento dos serviços públicos e privados, dos equipamentos sociais e outras atividades, durante a vigência da atuação da situação de Calamidade Pública. 

Angola | Impfung gegen Covid-19
Fila em posto de vacinação contra a Covid-19 em Caxito, no Bengo.Foto: António Ambrósito/DW

Enchentes e empurrões

A partir de 1 de novembro, os maiores de 18 anos passarão a ter de apresentar um certificado de vacinação contra a Covid-19 para aceder a vários locais, incluindo serviços públicos, escolas, restaurantes e para atividades desportivas. Em alternativa, os cidadãos podem apresentar um teste negativo, válido apenas por uma semana. 

Desde o anúncio desta exigência - que inicialmente seria imposta a partir desta sexta-feira (15.10) - os postos de vacinação do país têm registado enchentes, com filas intermináveis durante todo o dia. 

Manuel André, de 35 anos, diz que teve de madrugar para ocupar os primeiros lugares e denuncia irregularidades na organização: "Estão a ir buscar o primo, que está em casa a dormir, e eu estou aqui desde as 4 horas, nem comi nada. Aquele que está em casa sentado estão a lhe ligar, estão a fazer entrar, isso está bom? Não está nada bom."

Maria João, estudante de 25 anos, entende que o Governo está sem capacidade de resposta, uma vez que "o trabalho está muito lento" e pede reforço do pessoal: "Queria que aumentassem o número de enfermeiros para o trabalho ser mais dinâmico."

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Foto: António Ambrósito/DW

"Medida drástica"

O funcionário público António João conseguiu apanhar a primeira dose de vacinação contra a Covid-19. Questionado sobre as razões que o levaram a dirigir-se a um dos postos de vacinação apenas nesta altura, justifica com "a algumas coisas que foram acontecendo na vida" que não permitiram apanhar a primeira dose "há muito tempo". "Só hoje consegui", frisa.

Muitas pessoas também não se vacinaram com medo da vacina, por causa dos muitos rumores e desinformação que ainda circulam. A cidadã Joana Maria desvaloriza: "Não vamos estar muito atentos aos boatos que está a se ouvir de que a vacina traz doença e mata".

"Todos esperam para o fim, por ter implementado a medida drástica por parte da Presidência da República que é a exibição do certificado", diz a diretora provincial interina da Saúde, Nsimba Lando, justificando assim as enchentes dos últimos dias nos centros de vacinação.

A província do Bengo recebeu, recentemente, mais 20 mil doses da vacina contra a Covid-19. Desde o início da campanha, mais de 50 mil pessoas foram vacinadas nesta circunscrição do território angolano. Mesmo depois da nova medida entrar em vigor, muitos adultos continuarão sem vacina: a província tem mais de 380 mil habitantes.

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