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CriminalidadeMoçambique

Agressões a catana: "Ninguém está seguro"

12 de janeiro de 2026

A governadora de Manica, no centro de Moçambique, admite preocupação com agressões cometidos por 'homens-catana', classificando o fenómeno como "muito estranho".

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Mosambique: Francisca Tomás, governadora de Manica
Foto: Bermardo Jequete/DW

"Não há ninguém que está seguro, hoje", disse a governadora da província de Manica, Francisca Tomás, citada hoje pela comunicação social.

Em causa estão as agressões recorrendo a catanas na província de Manica, com as autoridades a avançarem anteriormente à Lusa que pelo menos 30 pessoas foram detidas em 2025 na província por suspeitas de envolvimento em 14 casos de agressões, com uma morte, sobretudo na cidade de Chimoio, capital provincial.

A governadora da província reuniu com as autoridades locais, incluindo a polícia, para pedir explicações e estratégia concretas para travar este tipo de agressões.

"Mesmo estando no carro, no moto táxi, eles 'catanam' mesmo sem querer roubar nada, o que eles estão a fazer é 'catanar' e deixar a pessoa morta ou muito ferida gravemente. É um fenómeno muito estranho que estamos a ter hoje. Então o que está a acontecer na cidade de Chimoio? (...) Nós, como dirigentes da província, estamos preocupados", admitiu Francisca Tomás.

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Colaboração da comunidade

Já a polícia moçambicana disse ter desenhado uma estratégia para travar este tipo de crime na província, pedindo colaboração das comunidades.

"Constatamos que há alguns focos de desinformação que estão a criar um sentimento de medo, um sentimento de crime generalizado na nossa cidade (...). Desenhamos medidas para controlar o cenário e, acima de tudo, acabámos decidindo que precisamos de gerir a situação com maior envolvimento da nossa comunidade", disse o comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica, João Mupuela.

Em 08 de janeiro, a polícia descreveu à Lusa como "relativamente calma" a atual situação em Manica, apesar do registo, novamente, em dezembro, de mais três casos destas agressões, mas refutando tratar-se de 'homens-catana', como são denominados pela população local.

"Não vamos aqui assumir que são casos de 'homens-catana', mas podemos assumir que foram casos de ofensas corporais", referiu o porta-voz da polícia em Manica, Mouzinho Manasse, reconhecendo somente um caso fora do Chimoio, ocorrido no distrito de Gôndola, onde os dois intervenientes, também detidos, foram encontrados com instrumentos contundentes idênticos.

A polícia tem vindo a apelar para que a população denuncie estes casos de agressões, avançando que são poucos os números de que a corporação tem conhecimento através das vítimas ou familiares.

"Se é que existem casos desta natureza, a comunidade não está a denunciar. Então, nós queremos apelar à comunidade para que denuncie, para que juntos possamos ultrapassar esses casos", pediu naquela data Mouzinho Manasse, referindo outras situações de que a polícia tem conhecimento a partir das redes sociais.

Na altura, assegurou ainda estarem em curso atividades como reuniões de ligação entre a polícia e comunidade a nível dos bairros, além de patrulhamentos para seguir todos os casos que circulam nas redes sociais.

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