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Angola

Ativista angolano Nuno Dala "corre perigo de vida"

O ativista Nuno Dala entrou esta quarta-feira (23.03) no 14º dia de greve de fome. Gertrudes Dala afirma que o irmão "corre perigo de vida". A Amnistia Internacional diz que está a acompanhar o caso.

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Ativistas angolanos estão a ser julgados desde 16 de novembro

Como forma de reinvindicar o acesso a contas bancárias, entrega de pertences, atualmente nas mãos das autoridades, e resultados de exames clínicos, o ativista angolano Nuno Dala entrou em greve de fome a 10 de março.

O professor universitário é um dos 17 réus em julgamento em Luanda, acusados de atos preparatórios de rebelião, e encontrava-se em prisão domiciliária desde 18 de dezembro, tendo, no entanto, regressado à prisão a 10 de março, por decisão do tribunal. Atualmente, encontra-se no Hospital Prisão de São Paulo, em greve de fome, e ingere apenas água, soro, chá e sumo, sem qualquer alimento sólido.

Nas redes sociais, multiplicam-se as críticas em relação à forma como a sociedade e os meios de comunicação social têm tratado o caso da greve de fome de Nuno Dala. Muitos fazem a comparação com o caso de Luaty Beirão, que originou protestos, petições e abaixo-assinados dentro e fora de Angola. Em entrevista à DW África, Gertrudes Dala lamenta que a sociedade esteja "a ignorar a saúde" do irmão.

Ouvir o áudio 03:16

Ativista angolano Nuno Dala "corre perigo de vida"

DW África: Qual o estado de saúde do seu irmão agora que ele entrou no 14º dia da greve de fome?

Gertrudes Dala (GD): O estado dele é grave. Está mesmo muito debilitado e a vida dele corre perigo. Não consegue estar sentado e muito menos de pé. Praticamente está sempre deitado. Está mesmo magro, está fraco, fraquíssimo mesmo.

DW África: Como vê a reação da sociedade civil e das pessoas em geral em relação à greve de fome?

GD: É de lamentar, é mesmo de lamentar. Esqueceram-se que é uma vida em risco. As pessoas parece que não estão nem aí e simplesmente estão a ignorar a saúde do meu irmão. Ele já não come há 14 dias e é preocupante. Nós, os familiares, já não sabemos o que fazer e a sociedade em si parece que está esquecida da situação. Está mesmo muito mal, é de lamentar esta atitude.

DW África: Circula no Facebook um apelo à participação numa vigília de solidariedade prevista para os dias 25, 26 e 27 de março, no Largo da Sagrada Família, em Luanda. Estas iniciativas são importantes para chamar a atenção para o caso?

Angola Medien Prozess Aktivisten in Luanda - Gericht

Sentença de 15+2 foi marcada para segunda-feira, 28 de março

GD: Sim, são importantes. Na verdade eu nem sabia. Não me avisaram que haverá uma vigília, mas se assim for melhor. Pelo menos, a sociedade vai dar conta que a vida do Nuno corre perigo.

DW África: Faltam cinco dias para conhecer a sentença do caso 15+2. Qual a sua expetativa?

GD: Sinceramente, neste momento pedimos a Deus que, quando chegar esse dia, haja absolvição para todos.

Que todos voltem para casa e que não haja condenação nenhuma. Estamos todos a torcer e a pedir a Deus para que nesse dia possamos sair com alegria no rosto daquela sala de julgamento.

DW África: Nuno Dala acredita nessa hipótese?

GD: Sim. Tanto eles que estão nas celas como os que estão em prisão domiciliária e também nós, familiares, temos essa expetativa.

Amnesty International Symbolbild

"Estamos cientes da situação e estamos preocupados"

Amnistia Internacional acompanha o caso

Mariana Abreu, coordenadora de campanhas em Angola da Amnistia Internacional, garante que a organização está a acompanhar a situação de Nuno Dala. "O facto de não termos feito um comunicado de imprensa especificamente sobre o assunto não significa que não estamos a fazer nada", afirma em entrevista à DW África.

Relativamente às críticas sobre a forma como está a ser tratada a greve de fome de Nuno Dala, em comparação com a repercussão internacional do protesto do ativista luso-angolano Luaty Beirão, Mariana Abreu esclarece: "Não acho que tenha diferença. O que aconteceu é que, quando o Luaty Beirão fez a greve de fome, ele recebeu muita atenção internacional, mas isso aconteceu apenas depois da terceira semana".

A responsável da Amnistia Internacional assegura, em relação a Dala: "Estamos cientes da situação e estamos preocupados".

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