1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Nova greve de fome de um ativista angolano

O ativista angolano Nuno Dala, um dos 17 em julgamento sob a acusação de atos preparatórios de rebelião, está em greve de fome há 6 dias. Além dos problemas de saúde, o ativista enfrenta situação financeira difícil.

default

Tribunal de Luanda onde os ativistas estão a ser julgados

A advogada Marisa Moniz, que integra a equipa da defesa de Nuno Dala, afirma que o ativista está debilitado devido à ação de protesto contra a sua prisão e a falta de resposta das autoridades aos pedidos feitos pela defesa em relação à sua situação financeira, já que os cartões de crédito e documentos estão nas mãos da polícia.

O julgamento dos 15+2 arrasta-se desde novembro, com sucessivas sessões adiadas. Nuno Dala encontrava-se em prisão domiciliária e regressou, no início da semana passada, à prisão, por decisão do tribunal.

O professor universitário e investigador, de 31 anos, que se encontrava em prisão domiciliária desde 18 de dezembro, enviou uma carta ao tribunal de Luanda informando que não compareceria na sessão do julgamento de segunda-feira e nas seguintes, em protesto, o que levou o juiz, sob proposta do Ministério Público (MP), a alterar a medida de coação para prisão preventiva. O juiz Januário Domingos anunciou ainda a instauração de um processo contra o réu, por desobediência ao tribunal.

Numa nota enviada à imprensa, Nuno Dala promete continuar a boicotar o processo, que classifica como uma “mentira” e “uma demonstração clara de que não existe poder judicial independente”.

De acordo com a irmã do ativista, Gertrudes Dala, Nuno Dala “não foi ao tribunal porque tem problemas de saúde, gastrites, infeções urinárias e no sangue, que trouxe da cadeia, além de problemas na vista. E as consultas no hospital da cadeia até hoje não tiveram resultado, por isso é que não foi, era isso que pedia na carta enviada ao tribunal, para resolverem o problema dele".

Em entrevista à DW África, a advogada Marisa Moniz explica qual é o estado de saúde atual do ativista e as razões que o levam a manter uma greve de fome.

DW África: Em que estado se encontra atualmente Nuno Álvaro Dala?

Marisa Moniz (MM): Estive em contacto com o ativista, está detido no hospital prisão de São Paulo desde a noite de domingo (13.03), porque está em greve de fome. Há seis dias que bebe apenas água e sumo. Está sozinho numa cela onde anteriormente esteve outro recluso: Luaty Beirão. Em termos de saúde, esta segunda-feira (14.03), foi submetido a alguns exames médicos e os resultados foram negativos. Ou seja, não tem paludismo ou outras doenças. Está debilitado devido à greve de fome, mas não está doente. Psicologicamente, está bem.

DW África: Nuno Dala queixa-se da falta de respostas a alguns pedidos feitos pelos advogados de defesa às autoridades. Estes pedidos estão ligados a problemas financeiros?

MM: Sim, ele está com problemas financeiros. A família está neste momento numa situação delicada. Os familiares não têm como se alimentar. Nuno Dala vive com a irmã e ela diz que não consegue comprar nem uma fralda para a filha de nove meses do ativista. Todos os pedidos feitos por nós ao tribunal, por exemplo, a solicitar que ele possa ir ao banco levantar dinheiro, não obtiveram qualquer resposta. Foram feitos ofícios, mas não recebemos nenhuma autorização. Nuno Dala tem algumas preocupações, visíveis também nos restantes ativistas detidos, relacionadas com o pedido de devolução dos bens que foram apreendidos, o levantamento de algumas quantias. Por isso, em forma de protesto, ele não aceita, recusa-se a ir às audiências do tribunal. No entanto, em termos de saúde, ele não está doente. Está bem.

DW África: Como é que a defesa encara esta decisão de Nuno Dala, de fazer uma greve de fome?

MM: Estas greves de fome, para nós, têm sempre algo de positivo. É uma questão pessoal, normal, uma forma de protesto. Nuno Dala quer mostrar que há coisas que deveriam ser feitas e não são. Nós, advogados, já iniciámos alguns esforços legais para que o tribunal dê uma resposta, mas não houve resultados, até agora. De qualquer maneira, as autoridades vão preocupar-se e tomar todas as precauções para que o pior não aconteça. É uma forma de pressionar as autoridades.

Ouvir o áudio 02:54

Nova greve de fome de um ativista angolano

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados