Xenofobia no leste alemão e o pogrom da ″Noite dos Cristais″ | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 09.11.2018
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Alemanha

Xenofobia no leste alemão e o pogrom da "Noite dos Cristais"

Historiador traça paralelos entre recentes tumultos envolvendo estrangeiros em Chemnitz e noite que marcou início da perseguição a judeus durante o nazismo, há 80 anos.

Pedestres passam em frente a estabelecimentos judaicos destruídos em Magdeburgo na Noite dos Cristais, em 1938

Pedestres passam em frente a estabelecimentos judaicos destruídos em Magdeburgo na "Noite dos Cristais", em 1938

Recentes tumultos envolvendo xenofobia em Chemnitz, no leste alemão, lembram o pogrom da "Noite dos Cristais" (Kristallnacht ou Reichspogromnacht) ocorrida na Alemanha nazista, afirma o historiador alemão Wolfgang Benz. Esta sexta-feira (09/11) marca o 80º aniversário da perseguição em massa contra a comunidade judaica naquela noite, que marcou o início do Holocausto.

Autor de muitos livros sobre a era nazista, Benz disse que os recentes acontecimentos na cidade de Chemnitz mostraram com que facilidade um pogrom – movimento popular contra grupo étnico ou religioso –pode surgir.

Pessoas percebidas como estrangeiras começaram a ser alvo de perseguição em 26 de agosto, após um esfaqueamento que resultou na morte de um cidadão alemão. Na noite seguinte, supostos neonazistas atiraram pedras e garrafas contra um restaurante judeu em Chemnitz. Seu proprietário relatou que lhe mandaram "desaparecer da Alemanha".

"Isso não foi instigado pelo Estado, mas foi uma caça persistente de pessoas", disse Benz, referindo-se ao debate em curso sobre como as autoridades definiram aqueles dias de agitação em Chemnitz. Inicialmente, o tumulto não tinha os judeus como alvos, recordou Benz, "mas mostra quão facilmente um pogrom pode se desenvolver, e com que facilidade multidões podem se formar e uma onda emocional ser gerada".

Em 9 de novembro de 1938, quase seis anos depois de Adolf Hitler ter chegado ao poder, Joseph Goebels, o ministro responsável pela propaganda do governo, aproveitou o assassinato do diplomata alemão Ernst von Rath em Paris, morto pelo judeu polonês Herschel Grynszpan dois dias antes, e discursou para partidários do partido nazista numa cervejaria de Munique – conforme documentado em seu diário – antes de distribuir ordens de ataque a unidades paramilitares nazistas em todo o território alemão. O pogrom durou até 13 de novembro.

Estimativas sobre o número de mortos variam entre algumas centenas e 1.300 pessoas assassinadas ou forçadas ao suicídio – muito mais do que as 91 mortes declaradas oficialmente após os ataques. Aproximadamente 1.400 sinagogas e salas de oração e 7.500 estabelecimentos judaicos foram destruídos. Após a "Noite dos Cristais", cerca de 30 mil pessoas supostamente judias – em sua maioria homens – foram levadas para campos de concentração.

"O dia 9 de novembro, para o qual o termo Kristallnacht foi rapidamente adotado, foi um ponto de virada: da discriminação contra os judeus na Alemanha à perseguição", disse Benz. "Pode-se dizer que o Holocausto começou em 9 de novembro de 1938. A partir de então, a violência contra os judeus foi endossada publicamente e oficialmente."

Seus primeiros estudos sobre extremismo levaram o historiador, nascido em 1941, à Universidade Ludwig-Maximilians de Munique na década de 1960 e depois à direção do Centro de Pesquisa sobre Antissemitismo da Universidade Técnica de Berlim, entre 1990 e 2011.

"Em 1938, o Estado promoveu um pogrom contra uma minoria. As pessoas se deixaram levar pela propaganda estatal contra concidadãos, se voltando contra vizinhos e colegas de negócios", afirmou Benz. "Todo mundo sabia exatamente o que estava acontecendo."

Questionado sobre a Alemanha atual, Benz afirmou considerar o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) regressivo e "absolutamente resistente contra o esclarecimento e conquistas liberais, sem as quais nossa forma moderna de vida não seria concebível".

"A adesão [de eleitores] a esse movimento mostra que não se aprendeu muito com a história", acrescentou Benz. "Adolf Hitler começou sua carreira como um populista."

Nesta sexta-feira, cerimônias pela Alemanha marcam o 80º aniversário do pogrom da "Noite dos Cristais".

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