Von der Leyen se diz magoada e culpa sexismo por ″sofagate″ | Notícias internacionais e análises | DW | 27.04.2021

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Mundo

Von der Leyen se diz magoada e culpa sexismo por "sofagate"

Presidente da Comissão Europeia afirma ter se sentido "sozinha" ao ser deixada sem cadeira em reunião com líder da Turquia. Para ela, episódio reflete discriminação que mulheres ainda sofrem no mundo.

Von der Leyen sentada num sofá lateral enquanto Michel e Erdogan se sentam em cadeiras

Sem uma cadeira ao lado de Erdogan e Michel, Von der Leyen teve que se sentar num sofá lateral

Em discurso no Parlamento Europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez um apelo por um maior avanço nos direitos das mulheres e afirmou ter se sentido "magoada e sozinha" num incidente protocolar ocorrido há três semanas durante sua visita à Turquia, que ficou conhecido como "sofagate". Ela atribuiu o ocorrido à discriminação que mulheres sofrem.

Num debate sobre os resultados da reunião de 7 de abril em Ancara entre Von der Leyen e os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, a presidente da Comissão abordou o incidente diplomático. Naquele encontro, ela não teve reservada uma cadeira ao lado dos dois outros líderes e foi relegada a um sofá afastado de ambos.

"Sou a primeira mulher a presidir a Comissão Europeia. Sou a presidente da Comissão Europeia, e é assim que esperava ser tratada quando visitei a Turquia há duas semanas: como presidente da Comissão. Mas não fui. Não posso encontrar nos tratados da UE qualquer justificativa para a forma como fui tratada, pelo que tenho de concluir que isso aconteceu porque sou uma mulher", afirmou.

"Magoada e sozinha"

"Senti-me magoada, sozinha, como mulher e como europeia", ressaltou, sublinhando que o que está em jogo não tem a ver "com disposição de assentos ou protocolo", mas sim "com os valores que a União Europeia defende", como a igualdade de gênero. "Isso mostra o quão longe ainda temos que ir antes que as mulheres sejam tratadas como iguais", disse.

Ursula von der Leyen afirmou ter noção de que está "numa posição privilegiada", pois, enquanto "presidente de uma instituição muito respeitada por todo o mundo e, ainda mais importante, enquanto líder", pode falar e fazer-se ouvir, mas tal não acontece com "milhões de mulheres que são magoadas todos os dias, em todos os cantos do planeta", mas cujas vozes não são ouvidas.

Ela reiterou que, no encontro com Erdogan, reforçou sua "profunda preocupação" com a saída da Turquia da Convenção de Istambul para a prevenção e combate à violência contra mulheres e criança. Von der Leyen deixou também advertências para a própria UE, dizendo ser inaceitável que alguns países do bloco não tenham ainda ratificado o documento.

"Para termos credibilidade, também temos de atuar em casa. Vários Estados-membros ainda não ratificaram a Convenção e outros estão pensando em abandoná-la. Isto não é aceitável. Qualquer tipo de violência contra mulheres e crianças é crime e deve ser punido como tal", advertiu.

Von der Leyen anunciou que até o final deste ano a Comissão vai apresentar propostas legislativas para prevenir violência contra mulheres e crianças, e propor a extensão da lista de crimes para incluir todas as formas de crimes de ódio.

Presidente do Conselho Europeu lamenta episódio

Antes do discurso da presidente da Comissão, Charles Michel voltou a lamentar e a tentar justificar o incidente na Turquia e a própria atuação. "Já expressei publicamente por diversas vezes a minha consternação pela situação que foi criada. Os fatos concretos são conhecidos: a equipe de protocolo do Conselho [Europeu] não teve acesso prévio à sala de reuniões, e a Comissão não enviou a sua equipe. As equipes [protocolares] não tiveram, por isso, acesso à distribuição dos lugares antes do encontro", justificou.

Reiterando que está comprometido, em conjunto com Von der Leyen, em "fazer tudo para que esta situação nunca mais se repita", tendo sido dadas "instruções nesse sentido" às equipes protocolares e diplomáticas, Michel justificou por que razão não interveio e se limitou a sentar-se na cadeira que lhe foi atribuída, ao lado de Erdogan.

"Sei que as circunstâncias levaram muitos de vocês a considerar que eu deveria ter tido um comportamento diferente na ocasião. É uma crítica que naturalmente registro, mas naquele momento decidi não reagir de outra forma de modo a não criar um incidente político que achei que seria ainda mais grave, e que arriscaria arruinar meses de preparativos políticos e diplomáticos", explicou.

Admitindo que as imagens "podem dar a sensação a muitas mulheres de se sentirem ofendidas", Michel reafirmou o seu "compromisso total, completo, absoluto de apoiar as mulheres e a igualdade de gênero".

md/lf (Lusa, DPA, AP, AFP, Reuters)

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