União Europeia não reconhece novo mandato de Lukashenko | Notícias internacionais e análises | DW | 24.09.2020

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Mundo

União Europeia não reconhece novo mandato de Lukashenko

Cerimônia de posse em Belarus é considerada ilegítima após "resultados falsificados" das eleições de agosto, que geraram protestos em todo o país. EUA, Reino Unido e Canadá preparam sanções.

Cerimônia secreta de posse do presidente Alexander Lukashenko gera novos protestos em Belarus

Cerimônia "secreta" de posse do presidente Alexander Lukashenko gera novos protestos em Belarus

Em declaração conjunta divulgada nesta quinta-feira (24/09), os 27 países da União Europeia (UE) afirmam que Alexander Lukashenko não é o presidente legítimo de Belarus e que sua cerimônia de posse ocorreu em oposição direta à vontade do povo bielorrusso.

Lukashenko foi empossado para seu sexto mandato presidencial em uma cerimônia secreta, que contou com a presença de algumas centenas de parlamentares e aliados do autocrata, conhecido como "o último ditador da Europa" e que está há 26 anos no poder.

A cerimônia acelerou os planos da UE de boicotar o governo bielorrusso, após as contestadas eleições do dia 9 de agosto, quando, segundo dados oficiais, Lukashenko teria sido reeleito com 80,1% dos votos. O resultado, porém, não foi reconhecido pela oposição ou pelo Ocidente, que acusaram o governo de fraude e intimidação durante a votação. Belarus não faz parte da UE, mas tem fronteira com a Polônia, Estado-membro do bloco. 

A frustração com o resultado provocou uma onda de protestos em massa  que pedem a saída do autocrata. O governo reagiu com forte repressão e até mesmo sequestro de líderes da oposição – vários foram forçados a se exilar. Entre estes, a candidata Svetlana Tikhanovskaya, que reivindica a vitória nas eleições e está na Lituânia.

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, afirma na declaração redigida em nome dos líderes europeus que o bloco das 27 nações não reconhece os "resultados falsificados" das eleições.

"A assim chamada 'posse' [...] e o novo mandato reivindicado por Alexander Lukashenko carecem de legitimidade democrática", afirma o comunicado do bloco europeu. Segundo o texto, a cerimônia "contradiz diretamente a vontade de uma ampla parcela da população bielorrussa, expressa desde as eleições através de inúmeros protestos pacíficos e sem precedentes, e serve apenas para aprofundar ainda mais a crise política em Belarus".

A UE, que é um dos maiores doadores de recursos financeiros para Belarus, disse que reavalia suas relações com o país, o que significaria um possível corte no financiamento direto ao governo de Lukashenko.

Antes das eleições, a UE se havia se comprometido a enviar 135 milhões de euros para projetos em Belarus, além de outros 53 milhões para o combate á pandemia de covid-19 no país do Leste Europeu. A partir de agora, esses recursos devem passar a ser direcionados diretamente para entidades humanitárias e hospitais, sem a intermediação das autoridades.

A posse de Lukashenko aumentou a pressão diplomática sobre o país. Os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá planejam anunciar sanções contra Belarus já nesta sexta-feira. O ministro britânico do Exterior, Dominic Raab, classificou as eleições de agosto como fraudulentas e disse que os três países trabalham para punir o governo de Minsk por "graves violações aos direitos humanos".

Lukashenko, porém, minimizou a reação dos países do Ocidente após tomar posse para seu sexto mandato. "Não pedimos que ninguém reconhecesse ou não reconhecesse as eleições ou a legitimidade do presidente eleito", disse o autocrata, citado pelo portal de notícias Sputnik Belarus.

Mais de 12 mil pessoas foram presas desde o início dos protestos em Belarus e centenas ainda estão detidas. Apesar da forte adesão às manifestações, Lukashenko se mantém no poder com o apoio das forças de segurança e de seu maior aliado, a Rússia.

Mais de 360 pessoas foram presas nesta quarta-feira em novos protestos que eclodiram após a cerimônia de posse se tornar pública. O Ministério bielorrusso do Interior registrou 59 manifestações em diversas partes do país.

A UE, em sua declaração, se diz "impressionada e movida pela coragem do povo bielorrusso, que continua a se manifestar pacificamente pela democracia e por seus direitos fundamentais, apesar da brutal repressão por parte das autoridades bielorrussas".

"A posição da União Europeia é clara: os cidadãos bielorrussos merecem o direito de serem representados por quem escolherem livremente, através de eleições novas, inclusivas, transparentes e confiáveis", afirma a declaração.

RC/rtr/dpa

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