Uma renovação tardia na seleção alemã | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 12.03.2019
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Coluna Halbzeit

Uma renovação tardia na seleção alemã

Poucos na Alemanha questionam a decisão de Löw de aposentar Hummels, Boateng e Müller, três ídolos nacionais campeões mundiais em 2014. Na verdade, a pergunta que se faz é: por que, após tantos vexames, demorou tanto?

Hummels, Müller, Boateng: aposentados da seleção pelo técnico Löw

Hummels, Müller, Boateng: "aposentados" da seleção pelo técnico Löw

"Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje". É o que talvez tenha passado na cabeça de Joachim Löw ao anunciar na semana passada que os campeões mundiais de 2014 Mats Hummels, Jerôme Boateng e Thomas Müller não fazem mais parte dos seus planos para o futuro da Mannschaft

Alguns comentaristas esportivos alemães sequer discutem se a decisão de Löw está correta ou não. O que muitos questionam é por que ele demorou tanto a tomá-la e lamentam que só agora o técnico tenha chegado à conclusão de que os três não servem mais para vestir a camisa da seleção.

Houve pelo menos dois grandes momentos na história recente do futebol alemão em que Löw poderia ter dado o pontapé inicial para implementar uma verdadeira revolução na equipe.

O primeiro foi logo após a inesperada conquista do título da Copa das Confederações em 2017.  Um elenco radicalmente rejuvenescido, contando com apenas dois campeões mundiais, a saber Matthias Ginter e Julian Draxler, chegou na Rússia, fez uma bela campanha e levantou a taça.  De quebra, ganhou a Bola de Ouro com Julian Draxler, eleito melhor jogador do torneio. Sem esquecer que o ataque alemão foi o mais eficiente da competição com 12 gols marcados. As respectivas Chuteiras de Ouro, Prata e Bronze foram para Lars Stindl, Leon Goretzka e Timo Werner.

Esperava-se que o treinador aproveitasse o momento da conquista de um título inédito para alavancar de vez a renovação do time. Ledo engano. Sempre que podia, Löw insistia na estrutura básica da equipe campeã mundial de 2014.

No amistoso contra a Espanha, por exemplo, pouco antes da Copa do Mundo, havia sete campeões mundiais em campo. Na estreia frente ao México, a Alemanha entrou em campo com sete jogadores do inesquecível 7 a 1 do Mineirão.  A espinha dorsal do time era majoritariamente formada por veteranos da campanha de 2014. Da jovem equipe campeã da Copa das Confederações, apenas Joshua Kimmich e Jonas Hector se firmaram como titulares.

O resultado, todos conhecem.

Clamores se fizeram ouvir pelo mundo do futebol alemão exigindo uma renovação já. Em vão. Continuou tudo como dantes no quartel de Abrantes. Joachim Löw foi confirmado no cargo e saiu de circulação por dois meses curtindo férias na Floresta Negra e na ilha paradisíaca da Sardenha.              

Na sua volta, Löw teve uma nova chance de renovar o elenco, para a Liga das Nações, mas preferiu tocar o barco com a velha guarda mesmo. No empate com a França e na derrota para a Holanda, havia seis campeões mundiais titulares na equipe. Curiosamente o melhor resultado foi uma vitória categórica por 3 a 0 num amistoso com a Rússia – com apenas um campeão mundial em campo: Manuel Neuer.  

O ano de 2018 entrou para a história do futebol alemão como tendo sido o pior da Mannschaft. Em jogos oficiais foram quatro derrotas, dois empates e apenas uma vitória (aquela sobre a Suécia com gol milagroso de Toni Kroos nos acréscimos).

Todo este drama relatado aqui poderia ter sido evitado se Löw tivesse tido a coragem de promover a renovação radical da equipe logo após a Copa das Confederações. Não teve - e paga um preço alto por sua covardia.

A aposentadoria de Hummels, Boateng e Müller já deveria ter acontecido faz tempo. Já durante a Copa da Rússia deu para perceber claramente que Hummels e Boateng não são mais os mesmos no quesito retomada de velocidade quando perdem a bola.

Müller faz tempo que perdeu sua leveza de jogo e eficiência na finalização. No Bayern já perceberam isso há dois anos e lá tem substitutos à altura. Apenas Joachim Löw e sua comissão técnica continuavam enxergando tudo com suas lentes cor-de-rosa trazidas na bagagem juntamente com o título conquistado no Maracanã. 

Tem mais um detalhe. A forma como foram aposentados da seleção prejudica e muito os três jogadores. Como escreveu Jörn Meyn do Spiegel Online: "Agora eles ficam parecendo carros velhos que Löw queria dirigir mais um pouco mesmo depois da trombada na Rússia. Foi só então que percebeu que não servem mais”. Venhamos e convenhamos, não é uma saída honrosa da Mannschaft.

Fica a pergunta sobre quão radicalmente será feita a revolução. Agora em março, no dia 20, já poderemos ter uma ideia no amistoso com a Sérvia. Quatro dias mais tarde, rola o primeiro compromisso oficial em 2019, contra a Holanda pelas Eliminatórias da Euro 2020.    

Mats Hummels, Jerôme Boateng e Thomas Müller vão ver o jogo pela TV .     

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

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