UE rejeita ″pressão migratória″ de Erdogan | Notícias internacionais e análises | DW | 06.03.2020
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Mundo

UE rejeita "pressão migratória" de Erdogan

Ministros do Exterior da União Europeia condenam atitude de líder turco de utilizar migrantes para obter apoio à ofensiva militar na Síria. Situação na fronteira da Turquia com a Grécia é "inaceitável", afirmam.

Crise na fronteira entre Turquia e Grécia é usada por Ancara para aumentar pressão sobre Bruxelas

Crise na fronteira entre Turquia e Grécia é usada por Ancara para aumentar pressão sobre Bruxelas

Ministros do Exterior da União Europeia (UE) condenaram nesta sexta-feira (06/03) a atitude do governo da Turquia de abrir a fronteira do país com a Europa para milhares de migrantes, como forma de aumentar a pressão sobre os países europeus.

A decisão do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de "abrir os portões da Europa" através da Grécia elevou as preocupações dos países do bloco europeu, que ainda tentam lidar com as consequências políticas e sociais da onda migratória de 2015, quando milhares de refugiados que fugiam de guerras ou da miséria buscaram abrigo na Europa.

Os ministros europeus se reuniram em Zagreb, na Croácia, para discutir a crise na fronteira greco-turca e os últimos acontecimentos na Síria, onde soldados da Turquia combatem os avanços das tropas do líder sírio Bashar al-Assad. Os conflitos na província de Idlib, próxima à fronteira turca, levaram à fuga de quase um milhão de pessoas nos últimos meses.

A potencial nova onda de refugiados sírios rumo à Turquia foi usada como justificativa por Erdogan para enviar milhares de refugiados sírios para a fronteira de seu país com a Grécia. Com a medida, o líder turco tenta forçar a Europa a declarar apoio a suas operações militares em Idlib.

Os ministros da UE reconheceram o papel da Turquia em acolher em torno de 3,6 milhões de refugiados, mas declararam que o bloco "rejeita veementemente a utilização por parte da Turquia de pressão migratória por motivos políticos. Essa situação na fronteira externa da UE é inaceitável".

A declaração conjunta dos ministros expressa ainda a "total solidariedade para com a Grécia, que lida com uma situação sem precedentes, assim como a Bulgária, o Chipre e demais Estados-membros que poderão afetados de forma semelhante". O texto reafirma a determinação da UE em proteger suas fronteiras, e ressalta que "travessias ilegais não serão toleradas".

A Frontex, a agência europeia de fronteiras, eviará reforços para a Grécia, onde já estão 509 agentes que trabalham com o apoio de 11 barcos, um avião e 10 veículos com tecnologia de captação de imagens térmicas.

Outros 100 guardas da agência serão enviados para patrulhar a fronteira terrestre. Além disso, a Frontex enviará mais dois barcos de patrulha, três aeronaves, um helicóptero e outros três veículos com equipamentos de captação de imagens térmicas.

O encarregado da política externa da UE, Josep Borrell, afirmou que os ministros do bloco "condenam uma situação em que migrantes rumam para a fronteira da Europa ao acreditar, porque alguém lhes disse, que esta fronteira será aberta".

Assistir ao vídeo 01:44

Grécia barra milhares de migrantes na fronteira com a Turquia

"Encorajar refugiados e migrantes a tentar a travessia ilegal não é a forma como a Turquia deve tentar pressionar pelo apoio da UE", afirmou, pedindo que o governo turco impeça a disseminação de informações falsas aos migrantes. Relatos de testemunhas sugerem que a chegada dessas pessoas aos limites do país com a Grécia teria sido organizada, com ônibus, micro-ônibus e automóveis oferecendo transporte a partir de Istambul.

Em telefonema com a chanceler federal da Alemanha nesta sexta-feira, Erdogan, segundo informações de seu gabinete, disse que os acordos migratórios entre a UE e a Turquia não funcionam mais e precisam ser revistos. Em 2016, Bruxelas e Ancara negociaram um pacto que estipulava o envio de ajuda financeira ao país em troca do bloqueio à entrada de migrantes na Europa.

Também nesta sexta-feira, houve novos confrontos entre agentes de fronteira e grupos de migrantes que tentavam forçar a entrada na Grécia. A polícia grega interveio com bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água para impedir possíveis invasões.

RC/ap/dpa

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